Cosme Rímoli Consagração ou porta dos fundos. O adeus de Thiago Silva ao PSG

Consagração ou porta dos fundos. O adeus de Thiago Silva ao PSG

Os oito anos do zagueiro em Paris terminarão. Se clube conquistar Champions, capitão entrará para a história. Se PSG perder, sairá subestimado

  • Cosme Rímoli | Do R7

Thiago Silva já sabia que não ficaria no PSG. Quer mostrar que foi injustiçado

Thiago Silva já sabia que não ficaria no PSG. Quer mostrar que foi injustiçado

PSG

São Paulo, Brasil

Causou estranheza para a imprensa francesa.

Thiago Silva decidir pegar a família e vir passar a quarentena no Brasil.

Não é a postura de um líder, de capitão comprometido até as entranhas com o PSG.

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Como fez, por exemplo, Marquinhos.

Neymar é egocêntrico, individualista, fazer da ameaça da covid-19 uma desculpa para ficar seus parças na mansão de Mangaratiba, aproveitar o calor, e virar as costas para o frio francês, era esperado.

Thiago Silva, não.

Mas como Cavani, que foi para o Uruguai, o zagueiro brasileiro sabia que não seguiria no clube francês. Não foi uma ligação do executivo Leonardo que o alertou que seria o fim da sua trajetória de oito anos no PSG.

Tão inteligente quanto sensível, o jogador sabia que teria de buscar outra equipe.

E, ao contrário de Daniel Alves, que enfrentou a saída de Paris de maneira tranquila, Thiago Alves tem um laço muito grande com o clube francês. 

Da mesma maneira que Daniel Alves ficou magoado com a dispensa do Barcelona, com quem tinha elo parecido.

Thiago Silva veio para o Brasil para ficar perto da família, ganhar força psicológica  para enfrentar a grande prova da sua carreira.

Chegou até a alugar uma casa enorme também em Mangaratiba, perto da mansão de Neymar, de quem é muito amigo.

E recebeu apoio.

Como o atacante deu a Daniel Alves, quando foi dispensado.

Ele quer, de qualquer maneira, deixar sua marca de vez no PSG.

Nada melhor do que entrar para a história, levantando a taça, como capitão, da Champions League.

E ir embora.

Ele fará 36 anos em setembro.

O jornal francês L'Equipe publicou que o salário de Thiago Silva é de 1,5 milhão de euros, cerca de R$ 8,4 milhões. 

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Fluminense

Situação que torna absurdo o sonho do Fluminense em ter o zagueiro agora.

Seu empresário Paulo Tonietto tentou uma última temporada em Paris, como era desejo do jogador. Só que ouviu que o clube renovará seu elenco. Marquinhos, 26 anos, deverá ser o novo capitão do time.

Milan, onde jogou muito bem, e Everton, treinado pelo seu grande mentor Carlo Ancelotti, são os primeiros interessados.

O Napoli corre por fora.

Mas Thiago Silva acredita que pode ampliar o leque.

Para isso, ele terá o maior teste da sua carreira.

E com certeza refletirá até no outro sonho que acalenta: disputar e ganhar a Copa do Mundo do Qatar, em 2022.

Vencer a Champions.

De acordo com seu staff, Thiago, que sempre levou a carreira muito a sério, treinou como nunca no Rio de Janeiro.

Com a coordenação do departamento físico do PSG.

Fez até além do que se exigia dele.

Quer fazer história.

E, principalmente, mostrar que a direção do clube francês cometeu um grande erro ao avisar que não seguirá, antes dos jogos decisivos da Champions.

Thiago é mais introspectivo do que Daniel Alves. Reação à dispensa é imprevisível

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PSG

O PSG, que foi anunciado como campeão francês de 2019/2020 antecipadamente, pela pandemia, conseguiu chegar entre os oito classificados para as quartas de final da maior competição de clubes do mundo.

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Restam cinco decisões para o inédito título.

Ou três.

Se a Uefa impor a ideia de jogos únicos nas quartas e semifinal, em uma sede só: Instambul ou Lisboa. Com a finalíssima.

Seu contrato termina no dia 30 deste mês. A Fifa permitiu a extensão por três meses, por conta do coronavírus, para quem passa por situação parecida.

Ele quer mostrar uma força física e psicológica para suportar tanta pressão.

Não repetir falhas importantes com a camisa da Seleção e do próprio PSG, em jogos decisivos.

Liderar, não ser o 'capitão sem alma' como o ex-jogador do clube e da seleção francesa, Jerome Rothen, o definiu.

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CBF

Thiago tem um currículo impressionante em Paris.

São sete títulos do Campeonato Francês, cinco da Copa da Liga da França, quatro da Copa da França e outros sete da Supercopa da França.

Mas sem a Champions, haverá sempre o questionamento.

Vencer na França com o time muito mais forte do que os rivais, pelo dinheiro da família real do Qatar, dona do clube, tem méritos menores.

Se impor no 'campeonato dos campeonatos' nunca foi tão fundamental a Thiago Silva.

Ele poderá sair consagrado de Paris.

Ou pela porta dos fundos...

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