Cardeais querem técnico autoritário no São Paulo. Perfil é de Felipão
Conselheiros cansaram da postura de Dorival. Desejam um técnico vibrante. Felipão seria o ideal. Mas Abel Braga e Bauza também são cogitados
Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

Os conselheiros que desejam a saída de Dorival Júnior já perceberam. Começam a ter cada vez maior ressonância no clube. Insistem com o inseguro Leco. O time segue como quando nas mãos de Rogério Ceni.
Não evolui.
Vence partidas insignificantes para fracassar nas relevantes. Jogadores continuam passando total falta de motivação, de empenho, de envolvimento emocional com as partidas. A impressão nos torcedores é que tanto faz vencer como perder.
Estes conselheiros já conseguiram importantes adeptos no Conselho de Administração. A pressão segue constante. Só aliviada contra adversários fraquíssimo no Campeonato Paulista, como o de hoje, o Ituano. Ou a Ferroviária, no sábado. Com direito a desabafos já programados dos jogadores e do treinador.
Só Raí segue firme. Acredita que trocar o treinador em fevereiro é uma insanidade. A temporada mal está começando.
Só que não é assim. Dorival Júnior assumiu em julho do ano passado. O São Paulo sofreu para escapar do rebaixamento. O aposentado Muricy Ramalho teve de conversar com os jogadores para evitar a Segunda Divisão. Raí, Ricardo Rocha e Lugano foram contratados como dirigentes para motivar, cobrar, orientar, incentivar os atletas.
Mas o respaldo não tem dado resultado.
Leco não teve a capacidade de fazer um contrato que segurasse Hernanes. E ainda também não soube convencer Lucas Pratto a seguir no clube. Duas perdas irreparáveis. Apostou em Nenê, muito técnico, mas lento, no caminho para o final da carreira. Assim como Diego Souza, que exige jogar onde rende menos, como atacante fixo. Pensando mais em si, na chance de disputar a Copa, do que no São Paulo. E Valdivia, que nunca mais foi o jogador talentoso, dono de arrancadas fulminantes.
Tudo mudou depois de uma importante cirurgia que sofreu no joelho esquerdo. O Internacional o emprestou para o Atlético Mineiro, que o repassou ao São Paulo antes mesmo de o empréstimo terminar. Graças aos seu fraco rendimento.
Dentro deste cenário desanimador, os conselheiros passaram à segunda fase, depois de pressionar, acreditar que Dorival Júnior não consegue uma reviravolta nesta situação. Agora, querem um novo treinador. Com potencial para dar um choque de gestão, como há muito tempo não acontece.
Entre os mais radicais surge um nome inesperado.
Luiz Felipe Scolari.

O treinador de 69 anos está desempregado, em férias. Último campeão mundial com a Seleção, em 2002, o homem responsável pelo 7 a 1 contra a Alemanha parece recuperado depois do vexame em 2014. Foi tricampeão chinês, em 2015, 2016 e 2017. Campeão da Liga Asiática, em 2015. Ganhou a Copa da China, em 2016. E a Supercopa da China, em 2016 e 2017.
Embora milionário, grande investidor em imóveis, e avô, ele quer continuar trabalhando. A princípio não no futebol brasileiro. Seu sonho maior era participar da Copa do Mundo da Rússia. A melhor opção era a Seleção Australiana. Houve discreta sondagem. Mas a escolhar recaiu no holandês Bert van Marwijk, vice campeão na Copa da África do Sul, em 2010.
Houve sondagens também da Arábia Saudita. Mas Felipão estava no Guangzhou Evergrande. O chileno, naturalizado argentino, Juan Antonio Pizzi foi confirmado no cargo, na vaga de Edgardo Bauza. Depois, representantes do próprio Chile quiseram saber de sua disposição de montar uma equipe para 2022. Mas não houve entusiasmo e o cargo chegou ao colombiano Reinaldo Rueda.
Felipão também desejava ter uma nova chance no futebol europeu. Tirar a má impressão que deixou no Chelsea, em 2008 e 2009. Mas os convites não chegam.
Quanto ao Brasil, ele disse que não deseja voltar a treinar nenhuma equipe daqui. Ficou muito decepcionado com as demissões do Palmeiras, em 2012 e do Grêmio, em 2015. Essas eram seus clubes 'do coração'.
Mas ele já havia feito essa promessa ao assumir a Seleção Brasileira em 2012. E voltou ao Grêmio.
Os conselheiros são paulinos que pensam em Felipão são mais velhos. Foram ou são muito ligados ao grupo que se autodenominava 'cardeais'. E que não se conformam com a insegurança de Leco, apontada ainda no tempo que Juvenal Juvêncio era vivo. Eles defendem um treinador 'mais vivido' e com personalidade forte, autoritária, para mudar a acomodação que domina o futebol do São Paulo.
Não se conformam com a falta de compromentimento de Cueva, por exemplo. Acreditam que o perdão ao peruano, que coleciona indisciplinas, foi dado fácil demais.
O perdão refletiu no grupo. Passou a imagem de que tudo é permitido. Porque os próprios jogadores duvidam da multa que Cueva teria recebido.

Conselheiros defendem um comandante rígido. Que trate os atletas sem paternalismo. E não tenha constrangimento em enfrentar adversários como inimigos. Questionar árbitros.
Felipão seria o ideal.
Mas pensam ainda em Abel Braga, do Fluminense.
Ou até na volta do argentino Edgardo Bauza.
O perfil do que querem é claro.
Assumem querer um que exija respeito à hierarquia.
Capaz de gritar, cobrar, de verdade, jogadores mimados.
Alguém bem diferente do democrático Dorival Júnior.
Leco sabe que este movimento tem cada vez mais adeptos.
Raí e Ricardo Rocha seguem tentando acalmar Dorival.
Insistem que ele continuará seu trabalho.
A assessoria de imprensa segue repetindo que 'está tudo bem'.
Mas sabem que o técnico está sendo minado.
Dia-a-dia a rejeição cresce.
Se o clube não conquistar o Paulista, título mais fácil do ano, a situação pode ficar insustentável.
Mesmo se seguir colecionando vitórias contra Ituano, Ferroviária, CSA...
















