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Ancelotti, irritado pelas cobranças, espalha insegurança. Faz testes e mais testes, atrás do time ideal. Argentina, Noruega e França mostraram a realidade

Técnico italiano busca de forma intensiva o time mais forte para seguir na Copa. Recuperar o tempo que perdeu. Ele testou Endrick, Fabinho, Luiz Henrique e Matheus Cunha. Quer quatro atacantes contra o Haiti, para compensar o frustrante empate com Marrocos. Ancelotti viu ontem o quanto Argentina, Noruega e França estão prontas

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Ancelotti pensa nas opções. Treinador nunca entrou em uma competição com tantas indefinições Rafael Ribeiro/CBF, Nelson Terme/CBF — 16.06.2026

New Jersey, direto dos Estados Unidos.

Os jornalistas têm 15 minutos para ‘acompanhar o treino’ do Brasil.


É mera formalidade, porque os jogadores ficam se aquecendo, não há formação tática, nada.

Só troca de bolas, saltos, alongamento.


Nada de verdade.

Só registro fotográfico, cenas aleatórias.


Costume europeu que se impôs na Copa.

No Brasil, nem isso os clubes permitem.


Mas esses 15 minutos aqui na Copa dos Estados Unidos são reveladores.

Não há cumprimento entre jogadores e jornalistas, a mínima troca de palavras. Depois do empate contra Marrocos, tudo ficou pior. Os atletas fingem que a imprensa brasileira não existe.

O clima de rancor é evidente.

Aumentado pela insegurança imposta por Carlo Ancelotti.

O técnico de melhor currículo no mundo, com a conquista de cinco Champions, jamais chegou para uma competição tão importante como a Copa sem longo tempo de preparação.

Está em cada palavra, em cada olhar, depois das críticas pesadas que seu time sofreu, depois do jogo contra Marrocos.

Ancelotti percebeu que não tem um time definido, confiável. E partiu para fazer o que deveria ter feito muito antes: testes.

Nos dois últimos treinos, ele mesclou várias vezes a equipe. Deu chance para Endrick, Luiz Henrique, Fabinho, Danilo Santos. Os jovens brasileiros que estão pedindo passagem no time titular.

Mas Ancelotti é conservador, sabe o peso da experiência. E não quer abrir mão de atletas de sua confiança, como Casemiro e Alisson, muito questionados.

Ou seja, é como se acontecesse uma ‘peneira’ no mais alto nível, só que completamente fora de hora.

Nenhum brasileiro tem a escalação da Seleção na ‘ponta da língua’, por um motivo muito simples. Nem mesmo Ancelotti sabe qual é a equipe que seguirá a Copa.

“Vou mudando o time de acordo com o adversário”, diz, tentando se defender, diante das cobranças sobre uma base definida.

Isso pode funcionar contra o fraquíssimo Haiti, que só se classificou porque Estados Unidos, Canadá e México sediam o Mundial. Foi um presente pelo inchaço de 48 seleções.

Ancelotti viu ontem Argentina, França e Noruega, com times prontos, definidos. Percebeu a diferença.

Lionel Messi, Kylian Mbappé e Erling Haaland iniciam a Copa do Mundo com tudo Reuters/Dylan Martinez - Reuters/Claudia Greco - Reuters/Paul Rutherford

Eles ‘elevaram o sarrafo’, ou seja, mostraram que a Copa será muito mais difícil do que parecia.

Por isso, nem a volta de Neymar aos treinos, que será explorada hoje à exaustão, traz grande confiança.

Carlo Ancelotti não tem o Brasil ideal.

Paga por não ter feito o ciclo de quatro anos comandando a Seleção.

Por isso renovou antecipadamente até 2030.

O que fizer aqui, na Copa dos Estados Unidos, será ‘lucro’.

O ciclo para valer começará assim que o Mundial terminar para a Seleção.

O sonho é, lógico, pelo título.

Mas o choque de realidade vai pelo outro lado.

Sem time definido, só há espaço para a insegurança, improviso.

E o futebol moderno não tem mais espaço para improviso.

Não com esta geração de jogadores que Ancelotti comanda...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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