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Ancelotti enfrentou a pressão por Neymar e Endrick. Bancou Rayan. Titular, de novo, contra o Japão. ‘É um sonho’, diz o garoto de R$ 219 milhões

O italiano não se dobrou aos jornalistas que insistiam aqui nos Estados Unidos por Endrick. Com a contusão de Raphinha, a expectativa era que ele ou até Luiz Henrique ficassem com a vaga. Ou ainda Neymar, recuperado da lesão. Mas Ancelotti escolheu o melhor para o time. Um garoto artilheiro, talentoso, com força física. E extremamente obediente

Cosme Rímoli|Do R7

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Ancelotti não se importou com o lobby da mídia e das redes sociais. Ele furou a fila, depois da lesão de Raphinha. Luiz Henrique, Endrick e Neymar ficaram para trás Divulgação/CBF

Morristown, Estados Unidos


‘Rapaz....

“Te falar que eu não sei qual é o jogador mais perigoso deles, não. Só olhando o vídeo mesmo.


“Mas eu sei que é uma equipe muito qualificada, time muito forte, é trabalhar com o nosso melhor durante a semana e sair com a vitória.”

Essa foi a resposta que mais repercutiu na mídia mundial, da entrevista de Rayan.


Já causou estranhamento aqui, no hotel The Ridge, onde a Seleção Brasileira está concentrada.

O garoto de 19 anos pagou pela espontaneidade.


Não houve desprezo pela Seleção Japonesa, rival do Brasil na segunda-feira, na luta eliminatória para chegar às quartas-de-final da Copa.

Só desconhecimento real de um jovem jogador que confia nos vídeos e orientações de Ancelotti.

O italiano mostra com calma aos jogadores as características dos rivais que irão enfrentar. Como do zagueiro Scott MacKenna, escocês lento, de quem tomou a bola no primeiro gol do Brasil, marcado por Vinicius Júnior.

Rayan não precisa decorar o nome dos jogadores que o Brasil vai enfrentar.

O que ele precisa entender e agradecer a sorte de ter um treinador como Ancelotti.

O técnico enfrentou de forma firme toda a pressão, depois que soube que Raphinha tinha reencontrado a velha lesão, o estiramento na coxa direita, que sabotou sua temporada no Barcelona.

Ele subverteu a ordem ‘natural’ das coisas.

A mídia que cobra a Seleção aqui nos Estados Unidos começou uma campanha aberta por Endrick no time. Eram boletins diários e manchetes de que a ‘hora havia chegado’.

Só que não havia sinal algum em relação ao jogador do Real Madrid.

Era inevitável a suposição que, se Endrick não assumisse o posto de Raphinha, a tarefa chegaria até Neymar. Nada mais ‘mortal’: Vini Júnior, Matheus Cunha e Neymar, na imaginação de muitos.

Só que também nenhum sinal.

Então seria Luiz Henrique, jogador com as mesmas características de Raphinha. E que havia jogado bem nas partidas antes da Copa do Mundo com a camisa da Seleção.

Só que nada disso.

Ancelotti tratou de apostar no ‘último da fila’ e o tornou titular da Seleção Brasileira.

“Eu não esperava. Parece que estou vivendo um sonho. Disputando a Copa do Mundo e como titular. Eu sou um garoto de 19 anos.”

Não tem sonho algum.

É o pragmatismo, o lado prático e corajoso de Ancelotti.

Ele acompanhou com cuidado e lente de aumento as partidas de Rayan no Bournemouth.

A dedicação que o ex-jogador do Vasco teve de assumir atuando em uma equipe pequena da Premier League.

Ele viu a gana com que marcava a saida de bola dos times mais fortes e com elencos bilionários que enfrentavam o Bournemouth, certos que conseguiriam os três pontos.

E Rayan conseguia agir como um fortíssimo defensor na linha defensiva adversária. Seus ‘botes’ foram responsáveis por vários gols do time britânico. Porque com a bola roubada, ele se transformava no atacante letal que fez um sucesso retumbante no Vasco.

O jogador talentoso passou por todas as Seleções Brasileiras de base.

Além dos treinos, Ancelotti conversou individualmente com Rayan, assim que Raphinha se contundiu. E disse que ele seria o dono da posição.

A reação do garoto de 19 anos foi se dedicar e jogar para o time sem a bola. E quando o Brasil tivesse a posse, atacar, de maneira atrevida, insinuante, como ser estivesse no Vasco.

“Como todo mundo vê nos jogos, acho que a minha parte defensiva, venho evoluindo nessa parte desde o ano passado. Ele pede para a gente marcar primeiro para depois jogar.

“Essa parte é muito importante para quem está mais perto do gol. Assim como saiu no gol do Vini, em que eu consegui dar o bote no zagueiro da Escócia. Contra o Japão acho que vai dar certo.”

Rayan cresceu na favela Barreira do Vasco, no Rio de Janeiro. Seu talento o levou para o clube cruzmaltino e depois para as várias Seleções Brasileiras de base.

Logo houve um leilão por ele e foi o Bournemouth quem pagou mais pelo jogador. R$ 219 milhões.

“Me doeu a alma vender o Rayan. Mas precisávamos de dinheiro. E o Bournemouth foi só o primeiro passo, logo estará em um gigante europeu”, apostou Pedrinho, presidente vascaíno, em janeiro deste ano.

Ele não poderia prever que cinco meses depois, o garoto estaria na Copa do Mundo.

E como titular.

Esse é Rayan, que subverteu a ordem natural das coisa.

E deixou Endrick, Neymar e Luiz Henrique no banco.

Ancelotti sabe bem os motivos...

Veja também: Seleção Brasileira treina com elenco quase completo para duelo contra o Japão

Após uma atividade na sexta-feira com oito ausências, o Brasil trabalhou com o grupo cheio neste sábado de manhã. A tendência é que a escalação da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia seja mantida. O único desfalque é Raphinha, que trata uma lesão na coxa direita e não viaja para Houston, local do jogo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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