Cosme Rímoli A exótica Copa no Catar já começou. Fifa impõe 48 seleções

A exótica Copa no Catar já começou. Fifa impõe 48 seleções

A Fifa mudará o calendário do mundo para manter a bilionária competição. O Brasil terá de trabalhar desde já, caso queira acabar com o jejum de 16 anos

A Copa no Catar será diferente de tudo o que já se viu nos Mundiais

A Copa no Catar será diferente de tudo o que já se viu nos Mundiais

Divulgação/Catar

Moscou, Rússia

Cosme Rímoli e André Avelar

Quando Brasil, Rússia e Catar foram definidos como as sedes das Copas de 2014, 2018 e 2022, a imprensa inglesa foi inclemente. Deixou claro para o mundo os critérios da Fifa para as escolhas.

Governos marcados pela corrupção e imprensa fraca, sem repercussão mundial. E que garantissem lucros bilonários, sem a cobrança de impostos básicos.

Foi assim que brasileiros e russos construíram estádios modernos, superfaturado e, vários deles, inúteis depois da Copa. Asseguraram que os patrocinadores da Fifa fizessem o que desejassem. Acompanhassem a Fifa cobrar cada vez mais pelas transmissões para o mundo toda. 

Depois de arrecadar R$ 4 bilhões no Brasil, a entidade ganhou R$ 17 bilhões na Rússia. 

E espera faturar muito mais no Catar, em 2022.

Será a primeira Copa do Mundo no Oriente Médio.

A próxima Copa do Mundo está sob o controle total de Gianni Infantino. O presidente que assumiu a Fifa depois do escândalo dos corruptos, abrigados na administração Blatter. 

O ex-secretário-geral da UEFA deu uma demonstração de maninpulação dese que assumiu o cargo, em fevereiro, de 2016. Assim como o falecido João Havelange se manteve no poder entre 1974 até 1998, o ítalo-suíço entendeu que precisa do apoio absoluto de o maior número de países possível. Não só para se reeleger como o brasileiro. Isso ele já tem. Ele quer o maior número de países em uma Copa para garantir mais dinheiro possível à Fifa, nas transmissões, e o apoio canino dos dirigentes das federações por todo o planeta.

Governo catariano promete os mais impactantes estádios da história

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Reprodução/Catar

Por isso, a pressão absurda que a Fifa está fazendo para que o Mundial do Catar tenha 48 seleções. Aliás, ele praticamente já conseguiu a adesão dos países filiado para aumentar em 16 países a disputa. Ninguém tem coragem de se opor. Mesmo sabendo que o nível técnico do futebol pode cair, principalmentes nos jogos da primeira fase.

Mas isso não interessa a Infantino. Ele quer é mais países participando da festa da Copa do Mundo e trazendo mais dinheiro para a Fifa e torcedores de 48 nacionalidades ao Catar.

A previsão é ganhar bem mais do que R$ 20 bilhões líquidos. O que fará com que o dirigente repita o que fez na Rússia. Garanta que será a melhor Copa do Mundo de todas. Ser mais lucrativa é sinônimo da melhor. 

Assim como Putin, a família real catariana, já está dando apoio total para a Fifa fazer o que quiser com a competição de 2022. A primeira atitude foi alterar os meses da disputa. Em vez dos tradicionais junho e julho, Infantino não teve o que fazer.  

No meio do ano, verão no Catar, a temperatura ficha entre 40 e 50 graus. Impossivel jogar e até acompanhar jogos com tanto calor. A solução foi fazer com que as partidas acontecessem em novembro e dezembro. Os cronômetros ficarão entre 25 e 30 graus. 

Só que a mudança é profunda demais. E afeta diretamente o calendário do futebol no mundo. Se na América Latina será mais tranquila, porque vai do início ao final do ano, a complicação será na Europa, que vai de agosto a agosto. 

"Eu já fui secretário-geral da UEFA, agora sou presidente da Fifa. A UEFA que se organize para o Mundial. Essa questão não pertence mais a mim", diz, publicamente, Infantino.

Mas, na verdade, ele vem conversando, ajustando detalhes com o esloveno Aleksander Čeferin, presidente da UEFA. O principal entrave é se a mudança acontecerá em 2021 ou 2022. Mas tudo já está encaminhado. Inclusive com as televisões, grande preocupação das duas entidades. 

A solução pareceria surreal há alguns anos. Em vez dos sul-americanos adaptarem seu calendário aos europeus, será o contrário. Pelo menos em um ou dois anos. Não havia outra maneira para a Copa já fechada no Catar acontecer e ter os principais jogadores.

A família real promete que o Mundial terá os 12 estádos mais deslumbrantes da história do futebol. Não importa se a esmagadora maioria será formada por elefantes brancos. Estarão distribuídos em sete cidades. Al-Daayen, Al-Khor, Al-Rayyan, Al-Shamal, Al-Wakrah, Doha e Umm Slal.

Alguns deles, desmontáveis. Podem desaparecer ou serem transferidos depois da Copa.

Todos serão climatizados.

Sem a hipocrisia do que aconteceu no Brasil, em 2014. O governo catariano não precisa mentir. E avisa antecipadamente que nem buscará parcerias particulares. O dinheiro será todo governamental. Pelo Comitê Olímpico do Catar.

Na Rússia, o custo anunciado por Putin foi de R$ 38,5 bilhões. E alegado lucro de R$ 220 milhões. 

A família catariana tem insistido que o custo da Copa de 2022 deverá ser sigiloso.

A imprensa internacional e entidades de direitos humanos já denunciaram o uso de trabalho escravo nos estádios. Principalmente de indianos. Com direito a vários operários mortos. O Catar não confirma oficialmente nem uma coisa e nem outra.

Como a Rússia não tolera o homossexualismo, o país do Oriente Médio é ainda mais rígido. A venda de bebidas alcoólicas, a livre circulação de mulheres com roupas curtas afrontam diretamente os princípios morais do país. Estas serão questões delicadas para a próxima Copa. Lembrando que a Budweiser é patrocinadora oficial da Fifa.

A CBF sabe que a Copa do Mundo do Catar vai exigir uma preparação especial, diferente por parte da Seleção Brasileira. O primeiro passo já deverá ser dado nas próximas semanas. 

Tite tem tudo para anunciar sua permanência como treinador da Seleção. Já houve o convite oficial de Rogério Caboclo, presidente que assumirár a CBF apenas em abril de 2019. Mas já se comporta como o verdadeiro mandatário.

O treinador terá o seu sonhado ciclo de quatro anos para chegar até o Catar com uma equipe sob seu domínio total. O treinador já antecipou pontos importantíssimos. Haverá maior intercâmbio, mais jogos com times europeus. Ele se conscientizou o quanto as Eliminatórias Sul-Americanas foram enganosas.

Por trás dos estádios, imprensa inglesa garante que há trabalho escravo

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Divulgação/Catar

E também foi convencido pelo preparador físico Fábio Mahseredjian que a equipe terá de aprimorar seu perfil no próximo Mundial. Precisará de jogadores mais fortes, mais altos, com maior força, explosão muscular. Sem abrir mão da técnica. Será um grande desafio.

A reformulação já começará na Copa América. Marcada para o Brasil, no próximo ano, Tite experimentará novos jogadores. Até porque Thiago Silva, Miranda, Marcelo, Paulinho, Fernandinho não estarão no Catar, por causa da idade.

Mas ainda tudo é prematuro.

As lições já foram dadas aqui na Rússia para o Brasil.

Infrantino brigou e manteve a Copa no Catar. Exige 48 seleções

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Divulgação/Catar

Precisam ser aproveitadas, o time precisa ser mais competitivo.

A primeira Copa no Oriente Médio exigirá atletas em campo.

Esses próximos quatro anos precisam ser muito bem aproveitados.

Já se vão 16 anos acompanhando conquistas alheias.

Muita coisa deverá mudar para o exótico Mundial no Catar.

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