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Cosme Rimoli Copa 2018

A constrangedora despedida da Seleção da torcida brasileira

Foi vergonhoso. Crianças e mães chorando. Pais forçando o portão.  Invasão. Cinco horas em pé e sem o direito nem de enxergar os jogadores

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Cinco horas em pé. Sem ao menos ter o direito de ver os jogadores da Seleção
Cinco horas em pé. Sem ao menos ter o direito de ver os jogadores da Seleção

Teresópolis

A despedida da Seleção Brasileira foi dividida em castas.


De um lado, com todo o conforto, perto de 200 convidados, patrocinadores, parentes dos atletas. Sentados ao lado do gramado em cadeiras, protegidos do vento, da chuva debaixo de um toldo gigantesco. Entre eles, a mãe, a irmã e o filho de Neymar.

Do outro, cerca de 800 torcedores que foram se juntando desde as sete da manhã, para tentar ver seuss ídolos. Acreditaram nos boatos que dominaram Teresópolis. Eles davam conta que o treinamento seria aberto.


E eles começaram a se aglomerar em frente à concentração brasileira. Todos em pé. Havia muitos pais com seus filhos, alguns com bebês. Muitas crianças. Estavam empolgados, excitados. O número foi aumentando de maneira incrível. 

As 15 horas, formavam um aglomerado enorme em cima do portão de madeira do condomínio Comary. Aos poucos, a paciência foi acabando. Ninguém entrava. Não aparecia ninguém com a senha nas mãos. 


Os populares começaram a empurrar o portão, a se empurrarem. A sensação era sufocante. Os adultos começaram a reclamar, tentar forçar o portão. Seguranças chamaram policiais para ajudar a impedir a invasão. Eles apenas olhavam. Deixavam os seguranças se virar. 

Crianças e mães passaram a chorar, apavoradas.


Algumas crianças eram passada por cima do portão. Uma maneira para as mães entrarem.

Os adultos ficaram ainda mais irritados. Passavam a pressionar, cobrar, xingar. E passaram de verdade a forçar o portão. 

Quando a situação parecia que ficaria caótica, veio a ordem dos administradores do condomínio. Preocupados com a possibilidade de alguém se machucar, os torcedores 'comuns' deveriam entrar.

A felicidade foi geral.

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Pais desesperados para protegerem seus filhos. Algo inacreditável
Pais desesperados para protegerem seus filhos. Algo inacreditável

Só que eles não sabiam que só teriam direito a andar cem metros e encarerem outro portão. Ele estava protegido por policiais. E era impossível enxergar o gramado onde os brasileiross treinavam.

"Que falta de respeito. De vergonha na cara. Viemos aqui dar o nosso apoio, mostrar nosso amor ao país. Mas somos tratados como lixo. É uma vergonha o que esta seleção está fazendo com a gente. Meu filho tem dois anos e meio. E Vim de Juiz de Fora. E não posso nem olhar os jogadores treinando. Só queria que meu filhinho Pedro, visse o Neymar. O que estamos fazendo de mal", perguntava Julia Silva Lemos, vendedora.

Os torcedores esperaram por uma hora, outra vez em pé, mas desta vez espalhado pelas grades da concentração. Depois, se cansaram e começaram um coro criativo.

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"Uh... é 7 a 1, uh...é 7 a 1." 

Gritavam a plena voz, misturando irritação, frustração por não poderem nem enxergar os jogadores.

Depois de meia hora, a raiva.

Alguns homens passaram a forçar uma brecha na grade. E vários adolescentes invadiram a concentração. Seguranças e policiais saíram caçando os invasores. Os agarravam pelas camisas, os puxavam com força para fora.

Uma garota de cerca de 20 anos chorava desesperada. 

Torcedores tentaram forçar o portão de madeira. Um vexame
Torcedores tentaram forçar o portão de madeira. Um vexame

"Eu quero conhecer o Neymar. Estou aqui desde as seis da manhã. Me deixem conhecer o Neymar, por favor", dizia, enquanto era arrastada por dois seguranças. Chorava, berrava. Não queria andar. Foi quase carregada para fora.

Perto das 17h30, todos foram expulsos da Granja Comary. Saíram praguejando. Gritando que não iriam torcer para o Brasil.

Tite com a torcida da elite
Tite com a torcida da elite

Do outro lado, a casta superior aproveitava o final do treinamento. Deixaram suas cadeiras. Neymar, os demais jogadores e o treinador Tite se aproximaram.

Fotógrafoss e cinegrafistas se deliavam com Neymar brincando com seu filho David Luca e outras crianças.

Assim como torcedores da elite passaram a cantar parabéns a você a Tite, que completava 57 anos. Embevecido, deu abraços, autógrafos, selfies.

Do outro lado da Granja Comary, a realidade.

Pais revoltados e crianças frustradas, chorando.

Esta foi a despedida do Brasil de seu povo...

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