Quem é a senadora paraguaia Celeste Amarilla e por que ela está brigando com Mbappé
Política que fez declarações racistas sobre o jogador exige que ele se retrate após chamá-la de ‘mulher desprezível’
Futebol|Do R7
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A briga entre Kylian Mbappé e Celeste Amarilla ganhou um novo capítulo após a senadora paraguaia, que fez declarações racistas sobre o jogador, reagir à resposta dele. Em carta publicada nas redes sociais, a política exigiu que o craque se retrate com ela e o acusou de violência de gênero.
A polêmica entre os dois começou após a França eliminar o Paraguai na Copa do Mundo. Na ocasião, Mbappé ignorou o cumprimento do goleiro paraguaio e a cena repercutiu na internet, revoltando Amarilla, que insultou a aparência e origem do francês. O jogador, então, se pronunciou, chamando a senadora de “desprezível” e “indigna” do cargo que ocupa.
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Quem é Celeste Amarilla
A advogada Celeste Josefina Amarilla Goitia, de 61 anos, atua como senadora no Paraguai desde as eleições de 2023. Filiada ao PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), ela é conhecida por se opor a grupos relacionados ao presidente Santiago Peña e pelas declarações polêmicas nas redes sociais, incluindo denúncias de supostos esquemas de corrupção.
Briga com Mbappé
Após a França vencer o Paraguai por 1 a 0 nas oitavas de final da Copa do Mundo, a política usou as redes sociais para criticar o craque francês: “Bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamava cocos, e a coisa mais instruída que ouviu foram chimpanzés.”
“Camaronês colonizado, bancando o durão para parecer francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio. Ficou nervoso e morrendo de medo durante toda a partida, assim como todo o seu time. Não conseguiram fazer nem um gol e venceram por pura sorte. A única coisa que muitos de nós cobramos da Albirroja é que não tenha dado um tapa de mão aberta nele depois que a partida terminou. E olha que eu nem sou fã de futebol”, continuou.
A fala repercutiu na internet, fazendo com que a Federação Francesa de Futebol e o camisa 10 se pronunciassem. “Você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição”, disse o jogador.
“Por sua inconsciência e seu racismo descomplexado, o mundo inteiro já esqueceu o percurso e o esforço histórico que seus jogadores realizaram nesta Copa, dando lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país. Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo.”
Diante da resposta, a senadora acusou Mbappé de violência de gênero e violência política por chamá-la de “desprezível” e “indigna”, além de dizer que, caso ele não se retrate e peça desculpas, ela irá tomar medidas judiciais.
Confira a carta de Amarilla
“Carta aberta a Mbappé
O problema é entre você e eu. Nunca disse nada contra a França. O meu problema é com você. Estudei em um colégio francês dos 2 aos 17 anos, quando concluí o ensino médio. Sou quem sou graças ao Colégio da Imaculada Conceição e estou onde estou graças à formação que recebi. Cantávamos a Marselhesa, honrávamos a bandeira francesa junto com a nossa, falo francês e adoro visitar a França. No último Natal passei com minha família em Courchevel e recebemos o Ano-Novo em Saint-Tropez. A França não tem nada a ver com isso; o problema é você.
O que me incomoda profundamente é a sua arrogância e o seu desprezo. Antes mesmo da partida, você disse: ‘Se for preciso colocar as mãos na merda, vamos colocá-las.’ Não somos estúpidos. Entendemos perfeitamente que a ‘merda’ era a seleção paraguaia — e a seleção representa todos nós.
Depois você disse que iam ‘tirar o smoking’. Também entendemos essa provocação: vocês seriam os elegantes de smoking, enquanto nós, pobres e brutos, nem saberíamos o que é um smoking. Mesmo assim, todo o Paraguai permaneceu em silêncio, inclusive eu. Nós suportamos.
Durante a partida, sua atitude foi arrogante. Seu desprezo por cada jogador era evidente, como se eles lhe causassem nojo. Sem sequer cobrir a boca, você disse ‘la concha de tu madre’, uma expressão extremamente ofensiva na América Latina, e você sabe disso. Foi por isso que a usou.
Por fim, você desrespeitou o cumprimento do nosso goleiro. Isso não se faz. O cumprimento entre adversários após uma partida é quase sagrado, na guerra e na paz, na derrota e na vitória. Você se recusou a apertar a mão dele e gritou sua comemoração na cara dele. Isso não se faz. Em poucos segundos, você demonstrou seu desprezo, sua arrogância e sua falta de educação.
Isso me machucou, e machucou muito todo o meu país. A França deveria cobrar uma postura diferente de você, porque é um país de cavalheiros, com séculos de história e de ‘savoir-faire’. A França deveria reprovar a sua conduta.
Meus posts foram feitos com o sangue fervendo. Esse sangue mestiço, bela mistura de sangue indígena e espanhol que corre nas minhas veias, estava fervendo quando você zombava daqueles imensos jogadores paraguaios que lutaram de igual para igual até o fim da partida, e por isso escrevi aquelas mensagens.
No entanto, pouco depois me arrependi de ter respondido com os mesmos insultos que eu mesma recebo. Eu também sou desprezada por ser morena, latina; somos chamadas de ‘sulacas’. Arrependi-me e apaguei a publicação. Percebi que estava repetindo padrões que detesto. Entendo que isso possa tê-lo incomodado, porque é humilhante.
Agora exijo que você também se retrate comigo e me peça desculpas.
Eu também não vou tolerar sua violência. Você não me conhece, não faz ideia de quem eu sou e não tem direito algum de dizer que SOU UMA MULHER DESPREZÍVEL, INDIGNA DO CARGO QUE OCUPO.
Sou senadora da República do Paraguai, eleita pelo voto popular. Antes disso, também fui deputada nacional, igualmente eleita. Milhares de paraguaios e paraguaias votaram em mim e me consideram sua voz. Meu principal compromisso é representar o povo paraguaio, dizer aquilo que eles não podem dizer e defender meu país até o fim da minha vida. É isso que esperam de mim.
Represento meu país porque fui eleita em eleições livres. Fui escolhida para fazer suas leis e ser sua voz. Você não faz ideia do que significa ser eleita para defender seu país e representar seu povo. Fui eleita senadora nacional; não sei se você tem dimensão da importância do cargo que exerço.
Quem é você para me chamar de indigna ou desprezível sem sequer me conhecer?
Isso é violência de gênero, pura e simples. Violência política contra uma mulher que chegou onde está pelo voto popular do seu povo.
Justamente você, que demonstra desprezo por uma mulher. Eu não ataquei sua cor, suas preferências ou qualquer característica pessoal. Você atacou minha condição de mulher e de política.
Retrate-se comigo, honre a cidadania francesa e peça desculpas. Caso contrário, poderei iniciar medidas judiciais por violência de gênero.
Celeste Amarilla."
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