Campeonato Carioca Alef Manga lembra parceria com Neymar e mira título do Cariocão

Alef Manga lembra parceria com Neymar e mira título do Cariocão

Artilheiro do torneio, atacante foi dispensado do Santos na base, jogou na Europa e hoje sonha em disputar a Série A do Brasileiro

Alef Manga é um dos destaques do Volta Redonda e do Campeonato Carioca 2021

Alef Manga é um dos destaques do Volta Redonda e do Campeonato Carioca 2021

André Moreira/Volta Redonda

Entre Gabigol, Bruno Henrique, Cano, Fred e tantos outros atacantes consolidados no futebol brasileiro, o artilheiro do Campeonato Carioca 2021 é um nome pouco conhecido, pelo menos por enquanto: Alef Manga, goleador do Volta Redonda.

Aos 26 anos, ele que já jogou com Neymar e Gabigol, teve passagem frustrada na Europa e quase desistiu do futebol, hoje dá a volta por cima e é um dos destaques do Cariocão, com 8 gols marcados em nove partidas disputadas. O Volta Redonda, inclusive, lidera o estadual, com 20 pontos, um a mais que o Flamengo. 

Nas idas e vindas no mundo da bola, o "maluco do bem", como é carinhosamente chamado pelos companheiros do Voltaço, se diz um cara tranquilo, mira o título Carioca e tem como sonho de vida dar uma casa para mãe, que ainda mora no morro de Nova Cintra, periferia de Santos.

No futebol, vestir a camisa de um grande clube, seja de primeira ou segunda divisão, é o maior objetivo. Com multa de R$ 2,5 milhões, o presidente do Volta Redonda não descarta negociar o atacante, mas rechaça empréstimos e compras parceladas. Alef evita falar sobre o futuro, diz que quem cuida disso é o empresário, mas pelo futebol apresentado até agora, o artilheiro do Carioca não deve permanecer por mais muito tempo.

O R7 conversou com Alef Manga, artilheiro do Carioca e destaque do Volta Redonda. Veja a entrevista:

Como foram os primeiros passos na bola? Jogava na rua, quebrava os móveis em casa, como foi esse início no futebol?

Quando eu era pequeno gostava muito de jogar bola. Desde os seis anos de idade eu jogava, só queria saber de bola quando era pequeno, quebrava as coisas dentro de casa. Até acho que minha mãe passou uma dificuldade enorme nessa época aí porque eu só queria saber de jogar bola.

Alef começou no salão, aos seis anos de idade

Alef começou no salão, aos seis anos de idade

Arquivo pessoal

Quando você era criança, quem era seu maior ídolo?

Eu sou santista, né. Então assistia muitos jogos do Santos na Vila Belmiro. Eu vi muito o Robinho, ele era novo, tinha acabado de subir para o profissional. E eu sempre tive o sonho de poder jogar ao lado, ou pelo menos conhecer o Robinho. Eu devia ter uns 8 ou 9 anos de idade naquela época, então era um cara que eu me espelhava muito. E um cara que eu me espelhava muito também era o Neymar, que eu até cheguei a trabalhar junto quando eu estava no Santos. Então são coisas que ficaram na minha cabeça até hoje, você poder assistir um cara como Robinho, como Neymar, caras que são craques.

Qual sua primeira lembrança com o futebol?

Um jogo que eu nunca vou esquecer foi Santos e São Caetano. Fui lá na Vila Belmiro com meu pai assistir, a Vila lotada, foi um sonho realizado. Poder entrar no estádio e ver Robinho, Diego e outros jogadores que estavam lá, é uma coisa que ficou para o resto da minha vida. Você olha e imagina que pode estar ali também. 

Jogar num Santos, morar na minha cidade, perto da minha família, acho que não tem coisa melhor, todo mundo quer

Alef Manga

Aos 12 anos você foi pro Santos, mas como foi isso? Fez teste, te chamaram?

Na verdade eu jogava em uma escolinha em Santos, eu comecei lá e aí tivemos um amistoso contra o Santos. A gente perdeu esse jogo, mas eu chamei atenção dos cara, fiz gol e tudo. Aí recebi o convite para fazer uma semana de avaliação. Não fiz peneira, não fiz nada. Fui direto da escolinha para o Santos. Fiquei praticamente quatro anos, mas acabaram me mandando embora.

Como foi para você jogar no time do coração? Tem o sonho de vestir a camisa do Santos novamente? 

Foi o momento mais feliz da vida, porque eu estava jogando no Santos, que é um time conhecido, mas também triste, pelo fato de ter sido mandado embora. Então acho que foi uma coisa que me machucou um pouquinho, mas o que fica é mais gratidão.

Eu como santista, morei em Santos desde pequeno, assistia jogo na Vila, eu tenho essa vontade sim. Se acontecer de jogar num Corinthians, num Grêmio, no que for, sendo Série A ou Série B eu vou estar feliz, porque é a camisa né, o peso da camisa vale muito. Agora, jogar num Santos, morar na minha cidade, perto da minha família, acho que não tem coisa melhor, todo mundo quer.

Durante sua passagem no Santos, você foi contemporâneo de muitos Meninos da Vila que se tornaram grandes jogadores, com quem que você jogou por lá?

Eu sou 2 anos mais novo que o Neymar, mas trabalhei com ele, joguei com Gabigol, Zeca, Thiago Maia. O Zeca até hoje eu falo com ele, tenho o número dele e converso. Esses dias mesmo ele tava jogando aqui e me deu até a camisa do Vasco. Mas é difícil, os cara que tava com a gente e hoje estão em outro patamar, é complicado ter um relacionamento, bater um papo. Porque né, o cara está num clube grande, é mais difícil poder trocar uma ideia. 

Por que não deu certo no Santos e como foi para você e sua família quando você saiu do Santos? Pensou em desistir?

Foi um momento de muita tristeza, não conseguia nem mais jogar, porque batia um desânimo. Você vem lutando, faz as coisas do jeito certo e pessoas do lado de fora começam a te sacanear, puxam seu tapete. Nós que éramos da cidade, o Santos não dava tanto valor, dava mais para os caras que vinham de fora. Mas eu já tive outras vezes esse pensamento de desistir, porque a gente vai para um clube, vai para o outro, e sempre bate na trave, as coisas não dão certo. E aí você desanima.

Depois do Santos você passou por Jabaquara, Maringá e Cascavel antes de ir para Portugal, para jogar no Oliveirense. O que aconteceu em Portugal para sua passagem ter terminado antes do previsto?

Foi mais uma questão de experiência. Foi minha primeira vez na Europa, e ainda tive uma infelicidade na estreia contra o Porto, tomei uma porrada e fiquei lesionado quase quatro semanas. Aí quando voltei eu já não estava me adaptando bem, longe da família. Falaram uma coisa para mim e quando cheguei lá era totalmente diferente, mas foi um aprendizado. Hoje eu já sei como é, tudo na vida é aprendizado, infelizmente não deu certo daquela vez, mas que eu possa ser muito feliz se voltar para lá algum dia.

De volta ao Brasil, você jogou no Cururipe, no ASA e no Resende, antes de chegar em Volta Redonda. E você chegou com a fama de ser um artilheiro dos gols bonitos. Já fez gol que foi eleito o mais bonito do Campeonato Alagoano, fez uma pintura na Copa do Brasil. Qual considera que tenha sido seu gol mais bonito na carreira?

De todos os gols, o mais bonito acho que foi contra o Castanhal, na Copa do Brasil. A gente que está jogando ali, atacante, tem que ter o raciocínio muito rápido e eu tive a felicidade de ganhar do volante que chegou no carrinho, dei a caneta no zagueiro e tive a frieza de dar um chapéu no goleiro para fazer um lindo gol. É o mais bonito da minha carreira, vou guardar para o resto da minha vida. Fazer gol é díficil, fazer gol bonito é mais difícil ainda, mas quando a fase está boa, né.

Alef deu um chapéu no goleiro antes de marcar contra o Castanhal

Alef deu um chapéu no goleiro antes de marcar contra o Castanhal

André Moreira/Volta Redonda

Em meio a Gabigol, Bruno Henrique, Fred e tantos outros nomes, o artilheiro do Cariocão é você, com 8 gols. Como é para você viver essa fase depois de tanta coisa, pensar em desistir, e hoje estar atraindo interesse de clubes enormes do futebol brasileiro?

Eu fico muito feliz, primeiramente agradeço muito a Deus pelo momento que estou vivendo. Nunca tinha passado na minha cabeça viver isso, a gente sabe o quanto que nós trabalhamos e eu acho que eu estou colhendo os frutos do que fiz lá atrás. Eu fico muito feliz de estar na briga com jogadores como o Fred, Gabigol, o Cano, e minha tendência é só melhorar. 

Espero poder terminar o Carioca e ser artilheiro, mas também com o objetivo de ser campeão. A gente sabe que é difícil. Estamos trabalhando com os pés no chão, conseguimos a classificação para segunda fase de maneira antecipada, faltando dois jogos. Agora é o momento de pensar um pouco no que fazer, se vamos poupar, porque temos o Flamengo pela frente também, sabemos da qualidade do Flamengo

Sobre o momento que o Volta Redonda vive no Campeonato Carioca, líder, a frente de todos os grandes do Rio, tendo chances reais de vencer pelo menos a Taça Guanabara, qual era a expectativa no início da competição? Vocês sonham com o título agora?

A gente sabia da capacidade de cada jogador que está aqui. O Neto, baita de um treinador, me deu total liberdade para fazer o que eu sei em campo, a gente aqui tem muita qualidade, mas é aquilo, do mesmo jeito que a gente pode ser campeão, a gente podia estar brigando lá embaixo, mas nosso conjunto, nosso trabalho no dia-a-dia, é o que nos fez chegar aqui. A gente fez uma boa pré-temporada também, desde 11 de janeiro e agora é o momento de aproveitar essa oportunidade que estamos vivendo.

Estamos muito felizes pela classificação antecipada, mas nem a gente esperava classificar duas rodadas antes do fim da primeira fase. A gente tirou aquele peso das costas, porque sabíamos que precisávamos da classificação. Agora o maior objetivo é brigar com o Flamengo e tentar ser campeão. Sabemos que é difícil, mas vamos tentar cumprir nosso papel.

Fico muito feliz de estar na briga com jogadores como o Fred, Gabigol, o Cano, e minha tendência é só melhorar. Espero poder terminar o Carioca e ser artilheiro, mas também com o objetivo de ser campeão

Alef Manga

No dia 25 de abril tem uma “final” antecipada com o Flamengo, que briga ponto a ponto com o Voltaço. Curiosamente, seu primeiro gol no Maracanã foi contra o Flamengo, ano passado, quando jogava no Resende. Como foi marcar esse gol e como está a expectativa de, um ano depois, rever o Fla, no mesmo Maracanã?

Cara, naquele jogo eu estava voltando de lesão, ano passado senti bastante com as lesões e esse gol foi o único que fiz no Carioca de 2020. E você chegar e fazer um gol, num Maracanã com 53 mil pessoas, não tem o que falar. Passa um filme na sua cabeça, são poucas pessoas que tem a oportunidade de jogar contra o Flamengo, no Maraca, com tudo aquilo de gente, sair do banco e fazer um gol, no Diego Alves ainda, que é um dos melhores goleiros do Brasil.

Nesse momento a expectativa, nosso objetivo é brigar com o Flamengo, então vai ser um jogo maneiro, pegado, vai ser um reencontro muito grande.

E como é o Alef fora dos gramados? Mais na dele, ou da resenha?

Antigamente eu era mais problemático, mas as coisas foram passando, a vida foi me ensinando muita coisa e agora eu to mais tranquilo. Eu brinco muito com meus companheiros aqui, me chamam de maluco do bem, mas eu gosto de fazer piada.

E como está sendo esse destaque no futebol? A galera já para na rua, pede uma foto?

Eu não saio muito, eu moro na sede do clube, não moro em apartamento nem nada. Então saio mais para ir ao mercado, mas as pessoas me reconhecem, pedem foto, o momento é muito feliz, porque é mérito do seu trabalho. É muito legal as pessoas reconhecerem, então eu fico muito feliz pelas coisas que estão acontecendo na minha vida.

Alef Manga vive o melhor momento da carreira e sonha em jogar na Série A

Alef Manga vive o melhor momento da carreira e sonha em jogar na Série A

André Moreira/Volta Redonda

Qual seu maior sonho no futebol?

É poder jogar num clube grande, em uma Série A, Série B, poder mostrar meu trabalho. Vou esperar acabar o Carioca, quem está vendo essas coisas é o meu empresário, mas meu primeiro foco é aqui, depois eu vejo para onde eu vou.

E na vida pessoal?

Na minha vida é poder realizar o sonho de comprar uma casa para minha mãe. Só eu sei onde ela mora, onde eu morei, não é um lugar que eu possa chamar de seguro, tem muita violência, drogas, essas coisas. Infelizmente ainda não tenho condição de colocar minha mãe num ambiente melhor, mas eu espero conseguir.

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