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Obras para estádios da Copa já mataram nove no Brasil

Itaquerão registra recorde de acidentes, com três vítimas fatais

Copa do Mundo 2014|Eugenio Goussinsky e Paulo Amaral, do R7

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Queda de guindaste no Itaquerão vitimou dois operários
Queda de guindaste no Itaquerão vitimou dois operários

Não são apenas os atrasos e as manifestações contrárias à Copa do Mundo que vêm marcando a preparação brasileira para sediar o principal evento de futebol do planeta em 2014: as tragédias nas 12 arenas que receberão os jogos também ficarão para a história.

Até agora, já são nove os mortos em acidentes na construção ou reforma dos estádios que serão utilizados no Mundial, com recorde de vítimas registrado no Itaquerão, palco da abertura da competição no dia 12 de junho com o jogo entre Brasil e Croácia.


A promotora titular do 5º Tribunal do Júri de São Paulo (do Ministério Público), Mildred de Assis Gonzalez, afirma que estas tragédias não ficarão impunes.

— A Copa do Mundo não passa borracha em nada, não é na base do morreu põe na conta da Copa. Já há inquérito para apurar falhas no cumprimento das normas de segurança pelos responsáveis. Acredito que vá haver punição inclusive por homicídio culposo.


A arena do Corinthians já foi palco de três acidentes fatais, o mais grave envolvendo a queda de um guindaste, em novembro do ano passado, que tirou a vida de dois operários. A promotora mostrou indignação em relação a declarações de que estes acidentes são normais em se tratando de construção civil.

— É um absurdo se dizer simplesmente que estas coisas acontecem em obras, que são normais. Não se pode trabalhar em um projeto de construção calculando que alguns irão morrer e pronto. Está tudo errado, não pode ser assim.


O terceiro funcionário vitimado no Itaquerão caiu de uma altura de 15 metros no fim do mês de março, chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu.

Além do Itaquerão, outras arenas sofreram com as fatalidades. A última foi a Arena Pantanal, que perdeu um funcionário de 32 anos de idade, eletrocutado durante o serviço.


Outro estádio que vem sofrendo bastante com fatalidades é a Arena Amazônia, já inaugurada e palco de jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.

O estádio de Manaus já tem em sua conta a morte de dois operários, José Pita Martins, que sofreu um acidente, e José Antônio da Silva Nascimento, que sofreu um ataque cardíaco enquanto trabalhava.

O estádio Mané Garrincha, em Brasília, um dos mais caros e modernos da Copa, vitimou um auxiliar de carpinteiro, que caiu de uma altura de 30 metros e não resistiu. O acidente foi registrado em 2012.

Segundo a promotora, dois inquéritos foram instaurados em cada um destes casos. Um inquérito policial civil e outro instaurado pelo Ministério Público do Trabalho e Emprego para avaliar as condições de trabalho dos locais e chegar a uma conclusão com todo o embasamento, apontando responsáveis por falhas.

— Haverá prosseguimento após a Copa. Em casos assim, um delegado de polícia é obrigado a instaurar inquérito e apurar responsabilidades, se ele se omitir ele será acusado de prevaricação.

Até mesmo o Maracanã, palco da grande final, não ficou imune aos problemas. Carlos Felipe da Silva Pereira se feriu após a explosão de um barril de combustível da obra. Por conta do acidente, houve uma paralisação dos operários e quatro dias de greve.

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