Centro de Ingressos da Copa vira feirão de cambistas

Entrada para a final entre Alemanha e Argentina é vendida por até R$ 40 mil

Ingressos para final são negociados discretamente
Ingressos para final são negociados discretamente André Avelar/R7
Torcedores ficam à espera do milagre do ingresso
Torcedores ficam à espera do milagre do ingresso André Avelar/R7

Comprar uma entrada para a final da Copa do Mundo não é tão difícil quanto parece. Complicado mesmo é ter dinheiro para desembolsar uma pequena fortuna para o que no fundo não é muito mais que uma partida de futebol. O Centro de Distribuição de Ingressos no Rio de Janeiro, localizado no Casarão General Severiano, em Botafogo, virou um verdadeiro feirão de cambistas nas vésperas da grande decisão. Alemanha e Argentina se enfrentam no domingo (13), a partir das 16 horas, no Maracanã.

Ingressos em todos os idiomas, com os mais diversos sotaques e em moedas diferentes são negociados livremente na porta do centro de distribuição. Enquanto torcedores entram na sede para retirar os tíquetes comprados no site oficial, outros tantos ficam ali em volta como que à espera de um milagre. A presença de dezenas de fanáticos, alguns com uma já tradicional placa de “compro ingressos”, atrai também quem está disposto a faturar com a decisão.

A vexatória derrota do Brasil na semifinal fez o preço da entrada no mercado negro despencar. O que antes era vendido por até R$ 15 mil, agora sai por R$ 600 (ou até meso US$ 600, dependendo de quanto o cliente for distraído). Para se ter uma ideia, o ingresso de categoria 1 era vendido originalmente por R$ 660 na plataforma oficial.

Já os ingressos para a final são infinitamente mais caros e os mais desavisados podem achar que se trata de um comércio de carros usados. Como em um feirão, vendedores começam em R$ 40 mil e podem ir baixando valores até US$ 15 mil (cerca de R$ 33 mil). Originalmente, o valor para categoria 1 era de R$ 1.980. Apesar dos preços inflacionados pelo mercado ilegal, as entradas estão à disposição e não são negociadas apenas por brasileiros. Grupinhos de outros sul-americanos são facilmente identificados.

“Nessa Copa comprei ingresso de tudo que é tipo de gente e para tudo que foi jogo. Isso aqui foi uma farra”, disse um rapaz, depois de consultar um fornecedor pelo celular.

Toda a ação é, claro, conduzida de forma muito discreta. Apenas o primeiro contato é feito ali na porta do Centro de Distribuição. Depois de algumas trocas de mensagens de texto e telefones com possíveis fornecedores, um local é marcado para a retirada do ingresso. Em geral simpáticos e bem vestidos, os vendedores explicam abertamente a operação depois de conferirem a credencial de imprensa e pedirem anonimato. O único temor é que policiais à paisana busquem informações.

A Fifa recomenda que quem ainda sonhar em ir a um dos dois jogos restantes compre apenas pela plataforma oficial de venda de ingresso – apesar da indisponibilidade, torcedores que desistirem de ir às partidas, podem colocar seus ingressos para revenda. A federação internacional avisa que além do preço exorbitante a ser pago, esses ingressos ainda podem ser falsos causando frustração em que desembolsou tanto dinheiro. Ainda segundo a entidade, as autoridades brasileiras estão trabalhando para combater a venda ilegal de ingresso.

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A operação Jules Rimet da Polícia Civil também é assunto na porta do Centro de Distribuição. A quadrilha desarticulada no Rio tinha Raymond Whelean, diretor da Match Services, justamente a empresa que comercializa ingressos para Fifa, como um dos principais suspeitos em um esquema milionário de venda ilegal de ingressos. O britânico foi preso no luxuoso hotel Copacabana Palace. Depois de ficar apenas seis horas detido, conseguiu um habeas corpus e fugiu 15 minutos antes de ter novamente a prisão decretada.

“Existe bandido de todo tipo. Aqui os cambistas são os que fazem roubinho de mercado. Os ladrões de banco e carro forte mesmo estão lá no Copacabana Palace”, brincou outro vendedor, que também não quis se identificar.

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