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Dois meses após derrota no UFC Casa Branca, Ilia Topuria desabafa em carta ao filho

Fenômeno do MMA, ele refletiu sobre a sensação de saber que uma pessoa específica estava assistindo à sua queda durante a luta

Round a Round|Rafael Peres

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ilia Topuria, conhecido por sua confiança e vitórias no UFC, enfrentou uma derrota significativa contra Justin Gaethje na Casa Branca.
  • Após a derrota, Topuria priorizou sua recuperação física e mental, afastando-se das grandes declarações e do personagem provocador.
  • Topuria escreveu uma carta ao filho Hugo, destacando a importância de como se lida com a derrota e o caráter revelado em momentos difíceis.
  • A experiência da derrota trouxe uma nova perspectiva para Topuria, que agora reflete sobre a incerteza e a força adquirida após enfrentar adversidades.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Todos estamos acostumados a frustrações. Você, leitor, com certeza se lembra de alguma vez em que aconteceu o improvável. Ou quando algo que você queria muito não deu certo. Mas como reagir depois disso?

Ilia Topuria, um dos maiores fenômenos do MMA, se acostumou a vencer. Mais do que isso: se acostumou a agir como se a vitória fosse uma consequência inevitável de entrar no octógono.


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Durante sua ascensão no UFC, o lutador construiu uma imagem que misturava talento, poder de nocaute e uma confiança quase provocadora. Era o tipo de atleta capaz de organizar uma festa para comemorar uma vitória antes mesmo de a luta acontecer. Também atualizava a bio do Instagram antecipando conquistas que ainda precisava confirmar dentro do cage.

E, durante muito tempo, funcionou.


Topuria conquistou dois cinturões do UFC
Topuria conquistou dois cinturões do UFC Reprodução/Instagram/@iliatopuria

Topuria não apenas falava. Ele tinha talento de sobra para mostrar o porquê dessa confiança.

Por isso, talvez uma das maiores curiosidades depois de sua derrota para Justin Gaethje no UFC Casa Branca não estivesse somente relacionada ao resultado da luta. A pergunta dos fãs era outra: como alguém que construiu parte de sua identidade pública em torno da certeza absoluta da vitória reagiria quando finalmente precisasse lidar com a derrota?


Vale lembrar que Topuria não perdeu escondido.

Foi derrotado diante do mundo, em plena Casa Branca, em um dos maiores palcos do planeta. Além disso, saiu fisicamente bastante castigado e teve sua imagem de invencibilidade atingida. Tudo isso em um período em que também enfrentava turbulências fora do octógono, incluindo um divórcio conturbado e críticas direcionadas à sua vida pessoal.


Topuria no final da luta contra Justin Gaethe
Topuria no final da luta contra Justin Gaethe Reprodução/Instagram/@iliatopuria

Era, portanto, um cenário muito diferente daquele ao qual o ex-campeão estava acostumado.

A dúvida que ficava para muitos fãs era justamente essa: como o georgiano radicado na Espanha se comportaria quando não pudesse mais controlar a narrativa com uma vitória?

Curiosamente, a resposta foi bem menos explosiva do que se poderia imaginar.

Topuria deixou o personagem provocador de lado. Parabenizou Justin Gaethje, evitou transformar a derrota em uma sequência de desculpas e passou um período longe das grandes declarações. Segundo ele próprio revelou posteriormente, sua prioridade passou a ser a recuperação física e mental.

Dois meses depois, decidiu falar.

E escolheu fazer isso de uma maneira bastante particular: por meio de uma carta direcionada ao filho, Hugo, de apenas 7 anos.

Confira a publicação:

Talvez esteja justamente aí a parte mais interessante de toda essa história.

Topuria sempre pareceu confortável falando sobre ganhar. Desta vez, precisou falar sobre perder.

Quero que você se lembre sempre de uma coisa: na vida nem sempre se ganha, e não tem problema. Porque perder não é o importante. O importante é como você perde, quem você decide ser quando tudo fica escuro, quando você tem que escolher entre permanecer no chão ou se levantar novamente.

(Ilia Topuria)

E existe uma diferença enorme entre ensinar alguém a vencer e mostrar, pelo próprio exemplo, como atravessar uma derrota.

A relação de Ilia com o filho já é conhecida por quem acompanha sua trajetória. Hugo aparece frequentemente ao lado do pai e também é visto treinando. Mas a carta revela uma preocupação que vai muito além da carreira esportiva.

Quando os pais se separam, é normal que uma criança tenha a sua visão sobre eles mudada. Descobre que tanto pai, quanto a mãe, não são perfeitos. Só que no caso de Hugo, isso aconteceu também no octógono. Ele viu o pai ser massacrado, ao vivo, para milhares de pessoas.

Por isso, em sua primeira declaração, Topuria não parece preocupado apenas com o que os fãs disseram depois da luta ou com os comentários nas redes sociais. Como pai, ele demonstra ter pensado principalmente em uma pessoa específica que estava assistindo à sua queda.

Hugo, estou há alguns dias pensando em você, no que você sentiu quando me viu cair. Sei que você sofreu. E, como pai, eu faria qualquer coisa para ter te poupado daquele momento. Mas também fico feliz por termos vivido isso juntos, porque aquele dia nos fez mais fortes.

(Ilia Topuria)

É uma frase especialmente poderosa porque muda completamente a perspectiva da derrota.

Para um lutador profissional, cair diante de milhares de pessoas já deve ser difícil. Para um pai, perceber que o próprio filho estava assistindo talvez seja ainda mais complicado.

Mas Topuria resolveu transformar aquela imagem em uma espécie de ensinamento. O filho que tantas vezes viu o pai vencer também precisava vê-lo perder.

Ilia Topuria ao lado do filho
Ilia Topuria ao lado do filho Reprodução/Instagram/@iliatopuria

Precisava descobrir que aquele homem que parecia indestrutível também poderia cair. E, principalmente, precisava descobrir o que ele faria depois.

É aqui que talvez apareça uma versão diferente de Illia Topuria. Não necessariamente melhor ou pior, mas, certamente, mais humana.

O campeão que anteriormente anunciava vitórias antes de lutar, agora, diz que está de volta sem prometer quando será sua próxima luta e, principalmente, sem garantir qual será o resultado.

Para alguém cuja personalidade pública sempre esteve tão ligada à certeza, admitir a incerteza é uma mudança considerável.

E talvez seja justamente por isso que a reflexão deixada por ele seja tão interessante.

Existe uma ideia bastante repetida no esporte de que as derrotas ensinam mais do que as vitórias. É uma frase bonita, mas que geralmente é muito mais confortável para quem está assistindo do que para quem precisa realmente vivê-la.

Perder obriga alguém a descobrir quem continua sendo quando aquilo que sustentava sua confiança desaparece.

Topuria resumiu essa experiência em outra passagem:

O caráter não aparece quando tudo vai bem, ele se revela quando a vida te coloca diante do seu dia mais difícil. E sabe o que eu descobri? Que depois de visitar esse inferno, sou mais forte do que antes.

(Ilia Topuria)

Talvez seja cedo demais para saber se essa experiência realmente transformará o lutador dentro do octógono.

Uma derrota pode tornar um atleta mais cauteloso, mais estratégico, mais perigoso ou simplesmente deixar marcas que só aparecem quando ele volta a enfrentar uma situação semelhante.

Por isso, a pergunta agora não é exatamente se Illia Topuria voltará.

Segundo ele próprio, já voltou.

A questão mais interessante é outra: como lutará Illia Topuria depois de descobrir que também pode perder?

E você, leitor, quem sobra quando as luzes se apagam?

Nas palavras de Topuria: “O caráter é a única vitória que ninguém pode te tirar”.

E talvez essa seja, até aqui, a reflexão mais importante de uma primeira grande derrota.

OSS! 🥋

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