A história de Cain Velásquez, ex-campeão do UFC que foi preso tentando defender o filho
Mesmo assim, ele não se arrepende: “Se eu não tivesse feito nada, eu acho que teria me machucado mais”
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Poucos nomes tiveram tanto impacto na história dos pesos-pesados do UFC quanto Cain Velásquez. Ex-campeão da organização, dono de vitórias sobre lendas da categoria e considerado por muitos um dos melhores pesos-pesados de todos os tempos, ele viu sua carreira dar lugar a um dos casos criminais mais comentados do esporte nos últimos anos.
Depois de passar cerca de dez meses preso, Velásquez deixou o sistema prisional da Califórnia em liberdade condicional. Tudo começou em fevereiro de 2022. Na época, um homem chamado Harry Goularte era acusado de abusar sexualmente do filho de Cain Velásquez em uma creche administrada por sua família.
Revoltado com a situação, o ex-lutador decidiu agir por conta própria. Velásquez perseguiu por vários quilômetros o veículo em que Goularte estava e atirou várias vezes contra o carro.
O alvo era o homem acusado do abuso. No entanto, nenhum dos tiros o atingiu. Quem acabou baleado foi Paul Bender, padrasto de Goularte, que sofreu ferimentos considerados não fatais.
A perseguição terminou com a prisão do ex-campeão do UFC, que passou a responder por uma série de acusações, incluindo tentativa de homicídio. Em fevereiro de 2025, Cain Velásquez foi condenado a cinco anos de prisão depois de optar por não contestar formalmente as acusações. Na prática, boa parte da pena já havia sido cumprida.
O período em prisão preventiva, somado ao tempo em que permaneceu sob outras restrições judiciais, foi descontado da condenação. Por isso, cerca de dez meses após iniciar o cumprimento da pena em regime fechado, ele recebeu liberdade condicional e deixou a Correctional Training Facility, na Califórnia.
Ainda assim, sua situação jurídica não está totalmente encerrada. Ele continua sujeito às determinações impostas pela Justiça e ainda precisa cumprir etapas do processo judicial.
Desde que o caso ganhou repercussão mundial, Cain Velásquez nunca tentou justificar legalmente sua atitude. Pelo contrário.
Em entrevistas concedidas após o processo, ele reconheceu que tomou uma decisão errada ao agir daquela maneira. Segundo o ex-campeão, ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos, independentemente da gravidade da situação.

Ao mesmo tempo, ele também deixou claro que entende perfeitamente o motivo que o levou a agir naquele momento. “Eu tenho que viver com o que fiz, mas, se eu não tivesse feito nada, eu acho que isso teria me machucado mais”.
Como pai, ele diz que faria qualquer coisa para proteger seu filho. Essa frase fez com que o caso dividisse opiniões entre fãs, atletas e até integrantes da comunidade do MMA.
Enquanto isso, Harry Goularte, o homem acusado de abusar do filho de Cain Velásquez, continua respondendo à justiça e enfrenta processos criminais e civis nos Estados Unidos.
Goularte se declarou inocente da acusação de atos obscenos com menor de idade, mas responde às acusações em liberdade, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica e restrições de contato e locomoção.
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