Você conhece o wrestling? Entenda a diferença do esporte para o jiu-jítsu
Modalidade dá bolsa para atletas em grandes universidades americanas e é referência no UFC
Round a Round|Vinicius Prado*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Você provavelmente já ouviu falar do wrestling, modalidade com forte tradição nos Estados Unidos, presente no esporte universitário e capaz de abrir caminho para bolsas de estudo em universidades norte-americanas. No Brasil, porém, muita gente ainda confunde o esporte com a luta livre brasileira ou até com o wrestling da WWE, voltado ao entretenimento e com combates roteirizados.
O wrestling esportivo é diferente. Trata-se de uma modalidade baseada em força, técnica, controle corporal e estratégia. Sem socos ou chutes, os atletas utilizam quedas, projeções e técnicas de domínio do adversário.
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Diferenças para o jiu-jítsu
Uma das principais diferenças em comparação ao jiu-jítsu está justamente no objetivo. No wrestling, o atleta busca derrubar e controlar o oponente, podendo vencer ao colocar os dois ombros do adversário no chão ou pela pontuação.
Já no jiu-jítsu, além do controle posicional, existe a busca pela finalização com chaves articulares e estrangulamentos. Apesar das diferenças, as duas modalidades podem se complementar.
Essa relação também aparece no MMA. Khabib Nurmagomedov, por exemplo, começou no wrestling ainda criança e posteriormente desenvolveu outras modalidades de luta agarrada antes de encerrar a carreira invicto, com 29 vitórias. A capacidade de derrubar e controlar o adversário se tornou uma das principais características de seu estilo.
Do wrestling olímpico às academias brasileiras

O wrestling é uma das formas de combate mais antigas conhecidas. Há registros da prática entre os sumérios há cerca de 5 mil anos e representações também no Antigo Egito. A modalidade entrou nos Jogos Olímpicos da Antiguidade em 708 a.C. e a luta greco-romana esteve presente já na primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, em 1896.
Atualmente, fundamentos do wrestling também aparecem em academias brasileiras de jiu-jítsu, principalmente para desenvolver uma área importante do combate: a luta em pé.
Para entender melhor essa relação, fomos até uma academia de jiu-jítsu na Vila Medeiros, na zona norte de São Paulo, conversar com Juliano Marinangelo, conhecido na modalidade como Juliano “Alicate”.
Campeão mundial e competidor da categoria Master, ele incluiu aulas específicas de wrestling na grade da academia para trabalhar o grappling dos alunos.
Segundo Juliano, o treinamento pode beneficiar desde iniciantes até atletas experientes, mesmo aqueles que não pretendem competir no MMA.
Se você é bom de wrestling, vai cair por cima e, automaticamente, vai passar a guarda. Mas isso não significa que você seja um bom passador. São coisas distintas, mas você adquire essa vantagem para o seu jogo. Com bastante treino e constância, o atleta poderá se tornar um bom passador
O wrestling também ajuda o lutador a entender quando buscar uma queda e, principalmente, como evitar ser derrubado. Juliano pratica a modalidade desde 2018 e cita o professor Edson Kudo como uma figura importante nesse processo de aprendizado.
Escolher onde a luta acontece
Uma das vantagens do wrestling aplicado ao jiu-jítsu está na possibilidade de influenciar a posição em que o combate vai para o chão.
Para quem prefere passar a guarda, conseguir uma queda pode significar começar a disputa por cima. Para quem costuma jogar por baixo, conhecer wrestling também amplia a capacidade de defender quedas e reagir às movimentações do adversário.
É importante destacar, porém, que o wrestling olímpico possui regras e objetivos próprios. Quando suas técnicas são incorporadas ao jiu-jítsu, elas precisam ser adaptadas às características do esporte.
Para Juliano, os benefícios vão além das quedas.
O wrestling ensina características que não aprendemos no jiu-jítsu
Um exemplo aparece nos chamados “scrambles”, momentos de transição rápida em que os dois atletas disputam uma posição. Nessas situações, equilíbrio, explosão, consciência corporal e capacidade de não permanecer com as costas no chão podem fazer diferença.
Wrestling e No-Gi
A relação fica ainda mais evidente no jiu-jítsu No-Gi, disputado sem kimono. Sem o tecido para estabelecer pegadas, o controle depende diretamente do corpo do adversário.
Punhos, braços, cabeça, pescoço e quadris passam a ter papel fundamental, aproximando ainda mais alguns movimentos dos fundamentos utilizados no wrestling.

Juliano observa que alguns atletas desenvolvem um jogo muito especializado por baixo e acabam encontrando dificuldades quando precisam disputar uma posição em pé ou lutar por cima. Nesse cenário, o wrestling funciona como uma ferramenta adicional.
Mais do que substituir técnicas do jiu-jítsu, a proposta é ampliar o repertório.
Saber derrubar, defender quedas, controlar o adversário em pé e reagir rapidamente durante as transições oferece ao lutador mais alternativas durante uma competição.
Juliano atribui parte de sua evolução competitiva à incorporação do wrestling aos treinamentos. A experiência mostra como modalidades diferentes podem se complementar e ajudar o atleta a se preparar para situações que antes estavam fora de sua zona de conforto.
No fim, essa talvez seja a principal contribuição do wrestling para o jiu-jítsu: não mudar a essência da modalidade, mas acrescentar novas respostas para os problemas que aparecem durante uma luta.
OSS! 🥋
*Vinicius Prado é radialista e editor de imagem na RECORD e pratica de jiu-jítsu e wrestling
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