Luxemburgo no Palmeiras é uma boa aposta?

Treinador virou única alternativa, depois do não de Sampaoli

Celso Pupo/Estadão Conteúdo - 8.12.2019

A primeira grande conquista da carreira de Luxemburgo foi exatamente no Palmeiras.

Ele ganhou o campeonato paulista de 1993, com uma goleada sobre o Corinthians.

Foi um troféu muito importante para a história do clube, que vinha de um jejum de 16 anos sem títulos.

Na sequência, veio mais um paulista, o bicampeonato brasileiro e um torneio Rio-São Paulo.

Um time que encantou o mundo do futebol, com um elenco cheio de estrelas, como Edmundo, Evair, Zinho, Roberto Carlos, Edilson e companhia.

Depois dessa fase, Luxemburgo teve outras três passagens pelo Palmeiras.

Mas nunca conseguiu repetir o sucesso daquela época de ouro.

Mesmo assim, foi feliz em outros clubes, montando times que jogaram um futebol de altíssimo nível.

O Corinthians de 1998, o Cruzeiro de 2003 e o Santos de 2004, são bons exemplos.

Digamos que, o sucesso que o Jorge Jesus conseguiu esse ano dirigindo o time galáctico do Flamengo, Luxemburgo também conquistou, com elencos menos recheados de estrelas.

O sucesso foi tão grande, que ele foi parar no Real Madrid, até então posto inalcançavel para um técnico brasileiro.

Bem, o tempo passou e o prestígio do treinador também.

Depois do trabalho sem sucesso no clube espanhol, Luxa participou de 44 torneios por times aqui do Brasil e da China.

Desses 44 torneios, ganhou apenas seis, todos eles estaduais.

O sucesso ficou tão minguado, que ele comemorou o retorno ao trabalho nessa temporada, segurando o limitado time do Vasco na primeira divisão, depois de ficar um bom tempo desempregado.

Depois desse ano, que não teve nada de brilhante, ele mudou de status novamente.

Como que por mágica, o até então esquecido Luxa reaparece como um dos principais técnicos do futebol brasileiro.

Pelo menos no pensamento dos dirigentes do Palmeiras.

O clube estava praticamente acertado com Jorge Sampaoli, mas diante de tantas exigências do argentino, mudou o foco totalmente.

Aí vem a pergunta: e aquele discurso de que o próximo treinador deveria trazer ideias novas?

Que técnicos com o perfil do Felipão não serviam mais?

Sim, porque o Palmeiras perdeu a chance de ser corajoso e buscar um nome diferente no mercado.

O nome de Miguel Angel Ramírez, técnico do Independiente Del Valle, chegou a ser cogitado.

Mas, no primeiro tropeço de um treinador novato, a pressão podia chegar a um nível insustentável.

Por isso, por causa do medo da pressão, interna e externa, o Presidente Maurício Galiotte teve uma atitude covarde, e resolveu recorrer ao passado, para tentar resolver os problemas futuros.

Uma decisão no mínimo frustrante para quem falava que ia reformular o futebol do clube.

Claro que é muito cedo pra dizer se Vanderlei Luxemburgo será um fiasco no comando do Palmeiras.

Mas não venham me dizer que ele fez um excelente trabalho no Vasco. Não é verdade.

Manter o Vasco no meio da tabela de classificação do campeonato brasileiro, não significa nada.

Não quer dizer que ele está de volta ao hall dos melhores treinadores do nosso futebol.

A verdade é que a escolha de Luxemburgo não deixa de ser uma escolha bem arriscada.

Sinceramente, não vejo nenhuma diferença entre ele, Felipão e Mano Menezes.

Mas, vai que dá certo...

Até a próxima.