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Gol Delas
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‘Vamos fazer o futebol feminino ocupar os mesmos espaços que o masculino’, diz executiva do projeto do Brasil à sede da Copa

Manuela Biz avaliou o que fez a diferença para a candidatura brasileira superar o consórcio europeu e ser escolhida no Congresso da Fifa, e reforçou que é só o início do projeto

Gol Delas|Camila JuliottiOpens in new window

Brasil foi anunciado como país sede do mundial feminino 2027 (Reprodução/Twitter @FIFAWWC)

A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo Feminina 2027 foi muito celebrada pela comissão brasileira, além da torcida e das próprias jogadoras. O projeto recebeu 119 dos 211 votos possíveis e levou a melhor contra o consórcio europeu formado por Holanda/Alemanha/Bélgica.

Apesar de ainda poder ter mais visibilidade e estrutura, o futebol feminino vem se desenvolvendo e ganhando destaque nos últimos anos no Brasil, o que ressalta a força do país para sediar o principal campeonato da modalidade. Além do crescimento de grandes equipes, jogadoras brasileiras têm sido alvo de clubes estrangeiros, como, por exemplo, a recente saída da zagueira Tarciane do Corinthians para o Houston Dash, nos EUA. A transação se tornou a terceira maior da história do futebol feminino.

Manuela Biz, executiva de comunicação da campanha do Brasil à sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, conversou com o Gol Delas sobre a conquista de receber a principal competição da modalidade no país, porém, ressaltou que é só o começo de um projeto.

“Sediar uma Copa do Mundo Feminina hoje no Brasil é possível, porque já existe um trabalho sendo feito, e um trabalho que começa há muito tempo. Faz 40 anos só que as mulheres podem jogar futebol legalmente, porque antes era proibido por lei no Brasil. A gente tem um desenvolvimento muito grande nesse período, principalmente nos últimos cinco anos. A gente vê interesse do público, audiência de TV, patrocínio... A gente está caminhando, isso tem que ser celebrado, sim. A gente tem que olhar pra trás e ter orgulho da história que se construiu, mas ainda tem muito para construir. É um projeto não só de curto prazo, porque 2027 é curto, mas é ainda mais longo. Acho que a Copa do Mundo é um catalisador, pode acelerar e dar mais força para esse processo.”

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A executiva também avaliou qual fator pode ter feito a diferença para o projeto verde-amarelo ter recebido a maioria dos votos no congresso da Fifa desta sexta-feira (17).

“Eu acho que, principalmente, a questão da melhor avaliação técnica da Fifa. Ao competir com os europeus, a gente sempre acha que o Brasil está correndo atrás, porque eles têm uma estrutura mais montada, já tem os estádios... Então, ter conseguido uma avaliação técnica melhor foi muito importante, principalmente na questão comercial, porque eram duas propostas que se diferenciavam muito por esse elemento”, disse Manuela, antes de comparar os projetos.

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“Eles estavam defendendo um torneio numa área do globo que já estava desenvolvida, que já é um mercado pronto, que movimenta muito mais dinheiro que aqui, mas que não tem mais tanta margem de crescimento. E a gente é o completo oposto, a gente tem um mercado menorzinho, mas com possibilidades infinitas. O Brasil tem cerca de 850 mil meninas, mulheres jogando futebol, num país em que existem mais de 50 milhões mulheres abaixo de 35 anos. Olha o tamanho da nossa potência, o tanto que a gente pode crescer o esporte aqui. O volume de mulheres que a gente pode alcançar é muito grande, e a Europa não tem esse volume pra crescer. Esse foi o nosso ponto fortíssimo.”

Queríamos garantir que as mulheres tivessem acesso aos melhores estádios de cada região do país

(Manuela Biz, executiva de comunicação da campanha do Brasil à sede da Copa)

Sobre os 10 estádios que receberão os jogos e que já foram usados na Copa do Mundo Masculina em 2014, Manuela ressaltou que a ideia não foi apenas aproveitar o que está pronto, porém, oferecer a melhor estrutura para as jogadoras.

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“Foi muito pensado por uma questão de sustentabilidade mesmo, mas, não só por isso. A gente poderia usar outros estádios prontos, mas queria garantir que as mulheres tivessem acesso aos melhores estádios de cada região do país, dar para elas o palco que elas merecem. Seria muito mais fácil ocupar um estádio menor, também pronto, mas sem ter que se preocupar com o tamanho da estrutura que a gente vai ter que montar. A gente queria levar o futebol de mulheres para o jogo forte. O time feminino do Flamengo, por exemplo, não joga no Maracanã. Por que não ter futebol feminino no Maracanã? Vamos levar o futebol feminino para ocupar os mesmos espaços que o futebol masculino. É uma maneira de chamar a atenção e fortalecer a cadeia”, justificou.

“Acho que o mais importante que qualquer coisa é a gente ter a oportunidade de convencer as pessoas, as marcas, a imprensa do Brasil que o futebol feminino ele rende, ele é viável comercialmente, é um esporte interessante, ele merece espaço. Se a gente der espaço, tenho certeza que o retorno vem”, completou.


Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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