Cosme Rímoli Torcida pressiona. E Corinthians declara guerra à Conmebol

Torcida pressiona. E Corinthians declara guerra à Conmebol

Conmebol decidiu acabar com bandeirões e lugares reservados das organizadas. Corinthians promete que nada mudará no Itaquerão

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Andrés Sanchez costuma participar até do Carnaval da Gaviões da Fiel

Andrés Sanchez costuma participar até do Carnaval da Gaviões da Fiel

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

"O Sport Club Corinthians Paulista manifesta seu descontentamento com as recentes resoluções publicadas pela Conmebol para a Copa Sul-Americana e a Libertadores.

O Regulamento de Segurança para Competições de Clubes 2019, publicado oficialmente pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), no Art. 25, proíbe, dentre inúmeros outros itens, a entrada de bandeiras e bandeirões com mais de 1,5m de comprimento e 1m de largura.

Com o novo regulamento, o número de itens proibidos nos locais dos jogos aumentou de 18 para 21 em 2019. A nova regra também prevê, no Art. 21, que, a partir de 2021, todos os ingressos sejam vendidos na internet e os lugares sejam marcados e com assentos.

O Time do Povo não pode aceitar o ônus imposto pelas medidas aos reais donos do espetáculo, os torcedores, que frequentemente pagam caro para ir a estádios desconfortáveis, com serviços de péssima qualidade, por imposição de burocratas do futebol latino-americano, que agem como se o fã fosse um estorvo e não a razão de ser do espetáculo.

Em vez de penalizar a torcida com o fim das bandeiras e dos bandeirões e dos lugares populares onde costumeiramente os torcedores, em pé, entoam seus cânticos empurrando sua equipe, que fosse feito um estudo pela Entidade sobre as melhores práticas no desenvolvimento dos espetáculos esportivos. Bom exemplo acontecerá em breve na final do Super Bowl, em Atlanta, quando a gestora da arena hospedeira, nossa parceira IBM, estará mostrando como é colocar à serviço do torcedor todo o aparato de um estádio moderno.

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Aviltam a experiência do espectador no estádio, mas nada fazem para melhorar a capacitação da arbitragem ou enriquecer a emoção do fã fiel. Sempre com a complacência da CBF na Conmebol, cujo silêncio perante os desacertos faz dela cúmplice por omissão.

Fiéis à nossa origem, vestidos com o manto alvinegro, seguimos em frente, fazendo nosso trabalho, melhorando as condições do nosso espetáculo, desenvolvendo o negócio do esporte, implementando a boa governança em nosso Clube.

A Conmebol deve despertar para estes os novos tempos: o negócio do futebol vem mudando a uma velocidade alucinante, imposta pela força dos participantes nas redes sociais, que estarão se revelando cada vez mais implacáveis com aqueles que desprezam seus anseios.

Vivemos numa sociedade violenta, é inegável, mas repudiamos as soluções de prateleira, adotadas no Continente, que optam pelo caminho mais fácil de sacrificar os quem têm menos para beneficiar os quem têm mais.

Não vamos aceitar extinguir os locais populares de nossa Arena, nela queremos não só bandeiras e bandeirões, mas também instrumentos musicais e fogos festivos. Acreditamos que o diálogo deve trazer de volta os clássicos com duas torcidas, pois sabemos que, se tratarmos o torcedor como animal, geraremos um selvagem; respeitando-o como cidadão, teremos um torcedor apaixonado."

Essa foi a nota oficial publicada pelo Corinthians, ontem à tarde.

Ela foi decida pelo presidente Andrés Sanchez. 

Por um motivo muito simples.

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Pressão dos chefes das organizadas corintianas.

Eles ficaram revoltados quando souberam das determinações da Conmebol para a Libertadores de 2019.

O presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, ainda está profundamente revoltado com o vexame mundial que a entidade passou no final do ano passado. Quando a organizada do River Plate apedrejou o ônibus do Boca Juniors e a final da Libertadores teve de acontecer em Madrid.

Foi uma demonstração para o planeta da incompetência da Conmebol em conter os vândalos infiltrados nas organizadas.

Domingues precisava politicamente mostrar sua força, dar o troco, mostrar que a América do Sul não está de joelhos para os torcedores. 

E, principalmente, garantir que não aconteça nada parecido de novo.

Só que há clubes onde as organizadas estão por trás de seus presidentes.

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Como no Corinthians.

Andrés Sanchez foi o fundador da Pavilhão Nove, é assumidamente um torcedor que saiu das arquibancadas para presidir o 'seu' clube. Ele tem pleno poder no Parque São Jorge desde 2007, quando foi eleito pela primeira vez.

"Cheguei ao comando do clube graças aos torcedores.  E estarei sempre ao lado daqueles que amam o Corinthians. Sou um deles", declara o dirigente.

A direção corintiana já deu inúmeras demonstrações de apoio às suas organizadas.

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A maior delas foi no terrível incidente que culminou na morte do garoto Kevin Spada por conta de um sinalizador, em Oruro, em 2013. 12 torcedores ficaram detidos na Bolívia. Dirigentes envolveram políicos para pressionar o governo boliviano para a libertação dos membros das organizadas. Vereadores, deputados, senadores e até o ex-presidente Lula foram acionados.

Os torcedores foram libertados. Um membro das organizadas, menor de idade, se apresentou como o autor do disparo acidental. Seu nome, Helder Alves Martins.  E como era menor não poderia ser extraditado. A família de Kevin Spada nunca acreditou nesta versão.

Agora, as organizadas outra vez pedem para os dirigentes corintianos se posicionarem. Elas não querem perder o direito de levar seus 'bandeirões' com o nome do Corinthians e os próprios, que as identifica nos estádios, são vistos por mihões, pela tevê.

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Também rejeita a imposição de vendas de ingressos apenas on line. E com lugares demarcados. 

Sem hipocrisia, o Corinthians faz como inúmeros clubes, reserva lugares especiais para suas organizadas no seu estádio. E exige esse espaço nos campos adversários. Se a medida for realmente adotada não há como os torcedores ficarem juntos. 

E Andrés ficou revoltado com a exigência que todos os estádios só tenham cadeiras. E que sejam proibidos os locais onde os torcedores possam acompanhar aos jogos em pé.

O clube tirou as cadeiras que ficavam no Setor Norte e do Setor Sul, onde ficam as suas organizadas e as torcidas rivais.

Por um simples motivo: os torcedores quebravam as cadeiras.

Se o Corinthians vencia, os adversários davam prejuízo. Se o Corinthians perdia, eram os próprios corintianos que descontavam a frustração nos cadeiras.

O Corinthians não conseguiu se classiificar para a Libertadores deste ano.

Mas vai disputar a Sul-Americana.

Andrés prometeu aos chefes das organizadas corintianas que não vai recuar.

Os bandeirões só não entrarão no Itaquerão se a Polícia Militar interferir.

Como fez com os instrumentos musicais.

E jura que não colocará cadeiras nos setores reservados às organizadas.

Além de pretender vender ingressos para esses setores em conjunto, para as torcidas. 

E não aos torcedores comuns.

Eles não terão acesso pela Internet ao Setor Norte do Itaquerão.

A guerra está declarada.

Andrés pediu o apoio da CBF.

Mas não teve, daí o manifesto.

Se isso realmente acontecer, a PM teria, teoricamente, o direito de interditar a área sem cadeiras. Ou até o próprio Itaquerão.

A competição começará em fevereiro e vai até novembro.

Dentro de um mês será possível constatar.

Se Andrés declarou guerra de verdade à Conmebol.

Ou está apenas blefando.

As organizadas que o mantêm no poder estão cobrando...

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