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Marcado pelas cicatrizes de quatro demissões, Ceni assume o Bahia, para salvar o time da Série B. Entendeu que o ídolo ficou para trás

Depois de quatro demissões, duas do clube onde é o maior ídolo da história, o São Paulo, Rogério Ceni aceita treinar o Bahia. Com salário milionário. Mas marcado pelas constrangedoras derrotas, principalmente do Morumbi

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Rogério Ceni assume, com cicatrizes e desilusões, o Bahia. Finalmente entendeu que o ídolo ficou para trás
Rogério Ceni assume, com cicatrizes e desilusões, o Bahia. Finalmente entendeu que o ídolo ficou para trás Rogério Ceni assume, com cicatrizes e desilusões, o Bahia. Finalmente entendeu que o ídolo ficou para trás

São Paulo, Brasil

50 anos.

Sete anos de carreira.

Quatro clubes como treinador.

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E quatro demissões.

Foi mandado embora do Cruzeiro, do Flamengo.

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E duas vezes do clube em que é o maior ídolo da história, o São Paulo.

Só abandonou, por livre vontade, duas vezes o Fortaleza.

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Foi o sucesso no futebol do Nordeste, que trata bem até demais os famosos do Sudeste, que fez Rogério Ceni aceitar trabalhar no Bahia. Esperando ter o mesmo sucesso dos tempos do Fortaleza, quando o clube entregou todo seu futebol nas suas mãos, sem contestação, sem interferências. Sem "jogadores do presidente", contratados sem a permissão de Ceni.

Os poucos amigos de Ceni, pessoa absolutamente reservada, não gostam de comentar. Mas o pouco que revelaram mostrou um treinador amargurado pelo segundo fracasso consecutivo no São Paulo.

Ele não teve o aval que esperava para terminar ao menos o primeiro mandato do presidente Julio Casares

Ceni cometeu o desatino de acreditar que poderia reestruturar todo o futebol do clube, como fez no Ceará. Apostou que mostrando que o São Paulo havia "parado no tempo", se acomodou por ter sido um "pedaço da Europa" no Brasil, como foi no início dos anos 90 até o início dos anos 2000, iria ser aplaudido, e suas ideias sobre reformulação na infraestrutura do clube ganhariam adesão imediata da diretoria, dos conselheiros.

Não foi, porque desprezou a dívida do clube, que ultrapassa os R$ 750 milhões.

Por mais que fosse fã de Ceni, Casares não teve como conter a ira da sua ala política, que se sentiu desrespeitada com a exposição de Ceni do quanto o São Paulo havia sido ultrapassado pelos rivais, no que se orgulhava. Desde o Reffis, o Núcleo de Reabilitação Fisioterápica e Fisiológica precisava de aparelhos mais modernos. A piscina para os jogadores se recuperarem não tinha água, de acordo com o técnico.

Começou a entrar em choque com jogadores e médicos, exigindo menor tempo de recuperação dos contundidos.

Foi tanto o desgaste que Casares deixou claro que, para tantas exigências de um clube em dificuldade, para Ceni conseguir o que desejava precisava de conquistas, resultados, títulos.

E o treinador perdeu o título mais desejado, mais próximo.

De forma constrangedora.

O da Copa Sul-Americana em 2022.

Com o São Paulo sendo esmagado pelo Independiente del Valle, por 2 a 0, quando deveria ter sido goleado, em Córdoba.

Depois desse "jogo da década", Ceni perdeu muita força, suas exigências passaram a não ser levadas tão a sério e o medo de sua saída não existia mais. Até que veio a demissão depois de uma vitória horrososa, diante do fraquíssimo Puerto Cabello, no Morumbi. O que pesou, de verdade, foi a eliminação no Paulista, diante do Água Santa. E situações pesadas, como o treinador não querer Alexandre Pato, jogador que a direção contratou e colocou no elenco.

Rogério Ceni teve sondagens de clubes desesperados, ameaçados pelo rebaixamento. Santos, Cruzeiro, América Mineiro. Não houve o desejo dos dirigentes flamenguistas do seu retorno à Gávea, como setores da imprensa carioca garantiam.

Mas aceitou o Bahia.

O principal motivo foi o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, garantir a ele o comando de uma total reestruturação do futebol do clube.

Além da saída do técnico português Renato Paiva, o gerente de futebol, João Paulo Sanches, foi demitido.

Os executivos do grupo City, que compraram 90% do Bahia, prometendo investir R$ 650 milhões, queriam um treinador que conhecesse a fundo o futebol brasileiro e evitasse, de qualquer maneira, o rebaixamento. A volta para a segunda divisão.

O clube está a apenas um ponto da zona do rebaixamento.

E Ceni terá "carta branca" para impor seus métodos no clube.

Além de muito dinheiro.

Ele e sua Comissão Técnica, como antecipou o colega de R7, Jorge Nicola, custarão cerca de R$ 1 milhão por mês. Seu contrato, com multa que chegaria a R$ 5 milhões, de acordo com a imprensa baiana, terminará apenas em 2024.

De forma simplista: Ceni tem a missão de salvar o Bahia do rebaixamento. Como recompensa, além de bônus financeiro, ele ganhará o direito de reformular o elenco para a próxima temporada.

Situação parecida à que viveu com o Cruzeiro, em 2019, e que custou a sua mais rápida demissão. Apenas oito jogos. Ele deixou claro às lideranças do elenco que várias delas deixariam o clube em 2020. E acabou em um conflito insolúvel.

Ceni chega ao Bahia com títulos representativos para apenas sete anos de carreira.

Campeonato Brasileiro, Supercopa do Brasil e Carioca, pelo Flamengo. E Brasileiro da Série B, Copa do Nordeste e bicampeão cearense, pelo Fortaleza.

Mas cheio de cicatrizes.

Ele não se conformou em ter sido demitido do Cruzeiro, Flamengo e, principalmente, duas vezes do São Paulo.

Finalmente entendeu que a idolatria, por sua carreira espetacular, por 25 anos, como goleiro no Morumbi, ficou para trás.

E passou a ser avaliado com a frieza reservada a todos os treinadores.

Ganhou títulos, montou grandes times, se relacionou bem com dirigentes, jogadores e funcionários do clube, fica.

Fracassou ou criou um clima ruim, hostil no clube, vai embora.

Simples assim.

Mesmo que se chame Rogério Mücke Ceni.

Que tenha aprendido a dolorida lição com as demissões dos clubes onde mais queria trabalhar.

O futebol brasileiro não admira o ontem.

Nem se deixa levar mais pelo amanhã.

O que importa é hoje.

Treinadores que foram ídolos demoram a compreender.

"Por isso que não quis trabalhar como técnico no Flamengo. Imagine a torcida rubro-negra, que me tratou com tanto amor, gritar 'burro' para mim.

"E exigir que eu fosse embora da Gávea.

"Não quis passar por isso, não."

Rogério Ceni deveria ter prestado mais atenção a Zico...

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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