Prass é o goleiro do Ceará. Mas a mágoa com o Palmeiras será eterna

O jogador, de 41 anos, é recebido com festa em Fortaleza. Mas diante de toda a alegria, jamais esquecerá a maneira deprimente que deixou o clube paulista

Fernando Prass. Injustiçado, desprezado pelo Palmeiras. Saída indigna

Fernando Prass. Injustiçado, desprezado pelo Palmeiras. Saída indigna

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Fernando Prass é o novo goleiro do Ceará.

Aos 41 anos, ele rompe barreiras e chega para defender um clube da Série A, de importante torcida. Brigando para estar em 15º lugar no país e pelo terceiro lugar no Nordeste.

Assinou contrato por um ano, com opção de renovação, em janeiro de 2021.

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O jogador será recebido por festa, como o mais significativo reforço do futebol cearense de 2020.

Mas em meio à toda comemoração da chegada a um novo clube, aos 41 anos, ele leva no peito uma profunda mágoa com o Palmeiras.

Ele se sente enganado.

O jogador sabia desde o início de 2019 que o clube não seguiria mais com a política de manter três goleiros de alto nível. Estava caro.

Weverton se tornou titular absoluto.

Ele brigava com Jailson pela reserva.

O relacionamento entre os três era algo raro no futebol.

Mesmo disputando a mesma posição, eles se apoiavam, eram amigos.

Ele e Jailson estavam preocupados, sabiam que um iria sair.

Conselheiros ligados ao presidente Mauricio Galiotte tinham a convicção que Jailson sairia.

E Prass seguiria.

Afinal, os dois estavam no mesmo nível, com preparo físico apuradíssimo. Só que a participação de Prass com a camisa do Palmeiras foi muito mais significativa.

Ele aceitou o desafio, disputou a Segunda Divisão com o clube. Participou de toda a transição marcada com a finalização da nova arena e a chegada do patrocínio bilionário da Crefisa.

Foi campeão da Série B, da Copa do Brasil de 2015, cobrando o pênalti decisivo contra o Santos. Foi campeão brasileiro de 2016 e 2018.

Quebrou o cotovelo jogando pelo clube. E voltou antes do tempo, tendo grandes atuações, com dores imensas. Perdeu a chance de ser o titular na Olimpíada de 2016 e garantir sua medalha de ouro, por conta da contusão.

Apesar de muitas vezes não usar a braçadeira de capitão, era o grande líder do elenco palmeirense. Ele evitou inúmeras confusões envolvendo Deyverson e Felipe Melo, por exemplo.

Era adorado pelos jogadores, dirigentes, conselheiros. Exemplo de dedicação. E vivia fase excelente no final do ano passado.

Marcando o gol histórico, que deu a Copa do Brasil ao Palmeiras

Marcando o gol histórico, que deu a Copa do Brasil ao Palmeiras

Reprodução/Twitter

Ele sabia que, por conta da idade, renovava o contrato ano a ano.

E também ficou sabendo antecipadamente que Jailson sairia.

Ele teve uma conversa com o ex-executivo Alexandre Mattos, três semanas antes de saber que não ficaria no Palmeiras.

"O Alexandre disse que precisava resolver minha situação e do Jailson, porque o Dracena ia se aposentar."

"Depois, numa reunião do meu empresário com o Alexandre, questionado a respeito disso, o Alexandre disse que não havia nada disso, de contrato definido."

Prass percebeu que havia algo errado.

E o acaso mostrou que havia mesmo.

Em uma conversa despretensiosa com Dracena e Jailson, ele ouviu do goleiro que ele já havia renovado seu contra para 2020. De maneira discreta, sem que a informação chegasse à imprensa.

Fernando Prass, inteligente, percebeu o que havia acontecido.

Seu espaço havia acabado no Palmeiras.

E de maneira sorrateira, triste.

A confirmação que, depois de seis anos, não ficaria veio para o seu empresário.

Prass não teria o sonho realizado de encerrar a carreira no Palmeiras.

Recebeu um placa de agradecimento de Galiotte.

Mas a mágoa com Mattos prosseguirá para sempre.

Cotovelo direito inchado. A dor por deixar a Seleção. Contusão no Palmeiras

Cotovelo direito inchado. A dor por deixar a Seleção. Contusão no Palmeiras

Reprodução/Twitter

O jogador queria, e merecia, ter sido avisado ao mesmo tempo que Jailson renovara. 

Por consideração.

E para que tratasse do seu futuro com mais calma.

Mas não teve esse reconhecimento.

"É difícil falar que esperava mais da diretoria. O Palmeiras tem planejamento. A minha situação de ficar ou não no Palmeiras foi mais administrativa do que técnica (...) O antigo diretor (Alexandre Mattos) teve uma estratégia contratual que deixou mais ou menos meu destino selado aqui.

"Sempre disse que minha intenção era encerrar a carreira no Palmeiras, que eu me vejo treinando em alto nível. Os índices físicos são excelentes. Nos jogos que fui chamado para jogar foi um desempenho bom. Esperava encerrar minha carreira aqui", lamentou, quando recebeu, magoada uma placa por seu trabalho no Palmeiras, no dia 10 de dezembro.

A diretoria do Ceará pensou em contratar Jean, do São Paulo, como goleiro para 2020. Mas a rejeição da torcida foi assustadora. Por conta da agressão à esposa nos Estados Unidos.

Foi quando o nome de Fernando Prass foi lembrado.

E acolhido por unanimidade: pelo técnico Argel, jogadores, dirigentes, torcida.

Fernando Prass tem o reconhecimento que o Palmeiras negou.

Não teve a mínima consideração.

Principalmente do ex-executivo Alexandre Mattos.

A chegada de um grande goleiro e excelente profissional ao Ceará

A chegada de um grande goleiro e excelente profissional ao Ceará

Reprodução/Twitter

Prass está feliz com a chegada ao Ceará.

Mas a jamais esquecerá a mágoa.

A maneira que foi dispensado pelo Palmeiras.

Injustiça inaceitável que passa para a história do clube...

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