Cosme Rímoli Pelo 14º ano seguido, o Brasil aplaude os estrangeiros melhores do mundo. E acumula decepções com Neymar

Pelo 14º ano seguido, o Brasil aplaude os estrangeiros melhores do mundo. E acumula decepções com Neymar

Outra vez, Lewandowski ganha o prêmio The Best, da Fifa. Messi ficou com a Bola de Ouro. Neymar? Nem chegou perto. São 14 anos reverenciando o talento dos jogadores rivais

  • Cosme Rímoli | Do R7

Estrangeiros ganham prêmios de melhor do mundo; Neymar ganha torneios de pôquer

Estrangeiros ganham prêmios de melhor do mundo; Neymar ganha torneios de pôquer

Reprodução/Instagram

São Paulo, Brasil

Se os eleitores da Bola de Ouro, premiação da revista France Football, valorizaram a histórica conquista de Messi, como comandante da seleção argentina, na final da Copa América contra o Brasil, em pleno Maracanã, a opção de quem votou no prêmio The Best, da Fifa, foi outra.

A eficiência.

E ninguém melhor que o polonês Robert Lewandowski. Ele derrotou Messi e ficou com o troféu pela segunda vez na carreira. Salah foi um discreto e discutível coadjuvante, como terceiro colocado.

Numa temporada em que o vencedor do maior torneio de clubes do planeta foi o Chelsea, com a Champions League, sem a presença dos três, coube aos capitães das principais equipes do mundo, a um jornalista por país e ao público em geral escolher o incrível artilheiro.

Nas 69 partidas que disputou em 2021, com o Bayern e com a seleção polonesa, Lewandowski marcou 69 gols. Foram cinco as partidas em que marcou três vezes.

Ele quebrou um recorde de 50 anos no Campeonato Alemão. Desbancou o excepcional Gerd Müller, que marcou 40 gols em 70/71. Lewandowski fez 41 no torneio do ano passado.

"Este troféu também pertence aos meus companheiros e aos meus treinadores, porque todos nós trabalhamos duro para vencer os jogos", disse, após receber o prêmio.

O atacante de 33 anos tem carreira exemplar. Não é dado a estrelismos, chiliques contra árbitros, simulações, individualismo. Pelo contrário. Ele mesmo se coloca como uma peça eficiente na máquina de jogar futebol montada pelo Bayern.

A postura costuma ser elogiada até mesmo pelos adversários.

Seu bilionário clube o atrapalhou. Ele poderia ter uma temporada mais brilhante, caso o clube alemão não fosse eliminado nas quartas da Champions pelo PSG. Nos dois jogos, o polonês, com estiramento no joelho direito, não entrou em campo. 

Ele faz o máximo que pode, mas a seleção do seu país é fraca. A Polônia dificilmente se classificará para a Copa do Mundo do Catar. Está na repescagem. E terá pela frente a Rússia. Se vencer, enfrentará o sobrevivente de Suécia e República Tcheca.

Com Lewandowski vencendo o troféu da Fifa, e Messi, o da France Football, ficou escancarado que a temporada passada não teve um dono. Nenhum desempenho foi fabuloso, marcante, inesquecível. 

Lewandowski tem comportamento de intensa dedicação à carreira. Dentro e fora de campo

Lewandowski tem comportamento de intensa dedicação à carreira. Dentro e fora de campo

AFP

Mesmo com o aparente final de Cristiano Ronaldo na luta pelo título de melhor do mundo, os 36 anos pesaram. Chama a atenção que nenhum brasileiro tenha sido cotado nem para figurar entre os três. 

Neymar segue jogando um pouco pior a cada ano que passa. 

O lado físico, de quem completará 30 anos em fevereiro, está pesando. Não de maneira escancarada. Mas um décimo de segundo de lentidão a mais pesa na atual e intensa elite do futebol mundial. É o peso das noites sem limites nas folgas e férias.

Enquanto isso, só resta ao país pentacampeão do mundo aplaudir os escolhidos como melhor do mundo. Desde Kaká, em 2007, é a mesma triste rotina.

Quatorze anos aplaudindo o talento estrangeiro.

E acumulando decepções com Neymar...

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