Cosme Rímoli Paulo Sousa já corre risco de demissão. Fracassos na Supercopa do Brasil e na final do Carioca recaem sobre o português

Paulo Sousa já corre risco de demissão. Fracassos na Supercopa do Brasil e na final do Carioca recaem sobre o português

Enorme decepção o primeiro trimestre de Paulo Sousa na Gávea. O ápice foi não conseguir o tetra carioca diante do limitado Fluminense. Clima tenso com jogadores e direção faz clube se voltar ao 'eterno' Jorge jesus

  • Cosme Rímoli | Do R7

Em apenas 14 partidas, Paulo Sousa já se tornou enorme decepção na Gávea

Em apenas 14 partidas, Paulo Sousa já se tornou enorme decepção na Gávea

Marcelo Cortez/Flamengo

São Paulo, Brasil

Tremenda decepção.

É este o sentimento que envolve o primeiro trimestre de Paulo Sousa no Flamengo. O português, contratado com muito sacrifício, convencimento, que largou a Polônia, no caminho da Copa do Mundo da Rússia não conseguiu produzir nada que justificasse sua contratação.

Muito pelo contrário até.

Atritos com jogadores do elenco, dificuldade de formação tática, incompreensão por parte dos atletas dos pedidos de movimentação em campo. 

E perda de dois títulos.

A Supercopa do Brasil para o Atlético Mineiro já doeu, incomodou os dirigentes.

Mas o pior mesmo, o mais tenso, o quase inaceitável aconteceu ontem. Com o milionário elenco não conseguindo reverter a vantagem que o Fluminense havia conseguido na primeira partida da final, quando perdeu por 2 a 0.

Mesmo com o Maracanã com muito mais flamenguistas do que tricolores, o time voltou a decepcionar e não passou de um empate em 1 a 1.

Perdendo a chance de conquista do inédito tetracampeonato carioca.

Pode parecer afobação pura.

Mas o trabalho de Sousa já é questionado na Gávea. Se vale a pena seguir com o treinador, que mostra grande dificuldade em não ser apenas compreendido pelos jogadores. Mas criar um vínculo de cumplicidade. Muito pelo contrário até. 

A festa do limitado Fluminense diante da frustrada torcida do Flamengo, ontem, no Maracanã

A festa do limitado Fluminense diante da frustrada torcida do Flamengo, ontem, no Maracanã

Mailson Santana/Fluminense FC (02.04.2022)

Um momento representativo foi quando Gabigol acabara de marcar para o Flamengo, aos 28 minutos do primeiro tempo. Em vez de o gol trazer esperança ao time e alegria ao treinador e atacante, trouxe enorme desconforto. Paulo Sousa e o atacante discutiram de maneira dura, ardida. Não houve tato ao técnico para cobrar movimentação diferente ao artilheiro. Situação bizarra, que só deu mais confiança ao rival Fluminense.

Suas escolhas criaram atritos com líderes do elenco, com Diego Alves, Everton Ribeiro, Isla e Diego, que se tornaram meros reservas ou até reservas dos reservas.

O esquema tático teve uma profunda mudança pela opção dos três zagueiros.

Na lateral esquerda, o português mostrou toda insegurança. Não bastassem os testes com Lázaro, Vitinho, Everton Ribeiro, Renê, Bruno Henrique, Marinho, ele ainda autorizou a vinda de mais um jogador na posição Ayrton Lucas.

Andreas Pereira segue cada vez mais tenso, atuando pior, desde a final da Libertadores de 2021.

A exigência, por parte de Sousa, da chegada de Santos, para assumir o gol do Flamengo, também serviu para criar um clima de insatisfação. Por conta de Diego Alves e Hugo, jogadores muito queridos no elenco.

A proteção a David Luiz, mesmo depois de falhas importantes, na final de ontem, contra o Fluminense, também fez mal nos bastidores para o treinador português.

Assim como não fazer seu time se impor diante do rival Fluminense, com um elenco muito mais limitado, comandado por Abel Braga.

Paulo Sousa já perdeu a final da Supercopa do Brasil. E não conseguiu o inédito tetra carioca

Paulo Sousa já perdeu a final da Supercopa do Brasil. E não conseguiu o inédito tetra carioca

RUDY TRINDADE/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO - 02/04/2022

Para se justificar, Paulo Sousa não deixou por menos. E cutucou os jogadores. Deixou claro que o elenco que fez uma campanha espetacular há três anos, sob o comando de Jorge Jesus, está envelhecido. Por isso não pode ser cobrado da mesma maneira.

E também deixou claro que não vai mudar suas atitudes.

Seus testes, suas adaptações de atletas fora das posições habituais, suas cobranças fortes aos jogadores.

"É uma equipe campeã em 2019, que já tem alguns anos. O Marcos Braz e o Bruno Spindel me contrataram sabendo da minha metodologia, da minha liderança, acreditaram em mim. O fato é que tenho as minhas convicções, as minhas ideias, o meu modo de trabalhar. Todos os resultados positivos fazem com que o processo seja mais rápido. Infelizmente, não foi assim nesses duas finais."

O português tem contrato até o final de 2023.

Ele foi a segunda opção do Flamengo.

A diretoria foi até Portugal no final do ano passado com um alvo claro.

Jorge Jesus.

Ele decidiu seguir no Benfica.

Mas foi demitido do clube de Lisboa.

Está livre no mercado.

Jorge Jesus já tem agendado um encontro com amigos no Rio de Janeiro, na Páscoa.

De acordo com amigos do treinador, ele quer manter o vínculo com o futebol brasileiro.

Até pela chance de assumir a Seleção, após a saída de Tite, depois da Copa do Mundo.

Ou até o seu retorno ao Flamengo, sonhado por grande parte da torcida.

Da diretoria.

E também de inúmeros jogadores.

O início da Libertadores será decisivo para o futuro de Paulo Sousa.

Ele foi o grande perdedor na derrota para o Fluminense.

E a perda da chance do tetracampeonato carioca...

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