Cosme Rímoli Noite histórica. O VAR faz justiça. Tira o Brasil das trevas

Noite histórica. O VAR faz justiça. Tira o Brasil das trevas

O árbitro de vídeo mostrou sua relevância. Pela primeira vez na história do futebol brasileiro corrigiu duas decisões do juiz de Bahia e Palmeiras

O VAR salvou a arbitragem de Daronco. A justiça chegou ao futebol brasileiro

O VAR salvou a arbitragem de Daronco. A justiça chegou ao futebol brasileiro

ROMILDO DE JESUS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO – 2.8.2018

São Paulo, Brasil

Foram duas situações históricas.

Que foi feita justiça.

Como há muito tempo se pedia no futebol.

Mesmo com a CBF economizando no número de câmeras, o Brasil entrou na modernidade. 

Usou a tecnologia a favor da honestidade.

O VAR ( Video Assistant Referee) mostrou a que veio.

E salvou a arbitragem de Anderson Daronco.

A primeira intervenção do árbitro de vídeo foi aos 24 minutos do segundo tempo. Em um contragolpe fulminante, Dudu deu excelente assistência para o garoto Artur. A bola ainda chegava ao palmeirense dentro da área, que ainda arrumava o corpo, quando foi recebeu a trombada de Gregore.

Daronco marcou o pênalti, indiscutível.

Mas errou ao mostrar o cartão vermelho ao jogador do Bahia.

Artur ainda não tinha a posse de bola. O volante não merecia ser expulso. Leandro Vuaden que comandava o VAR logo chamou a atenção de Daronco. 

A injustiça começava a ser corrigida.

Os dois discutiram muito.

Daronco não conseguiu impor o seu ponto de vista.

E diante da firmeza de Vuaden fez o sinal que foi consagrado na Copa da Rússia, desenhando no ar a tela de uma televisão.

Lá foi ele enxergar o erro que, se não fosse o recurso, lamentaria após o jogo.

E anulou o cartão vermelho. O trocou por amarelo. Gregore ficou em campo.

Bruno Henrique cobrou o pênalti no travessão.

Foi quase tudo perfeito.

Anderson Daronco teve de admitir que é humano. As câmeras fizeram justiça

Anderson Daronco teve de admitir que é humano. As câmeras fizeram justiça

Marcelo Malaquias/Estadão Conteúdo - 2.8.2018

A não ser a demora para a decisão correta, seis minutos.

Aos 45 minutos do segundo tempo, Deyverson disputou a bola pelo alto com Mena. O atacante acertou uma violenta cotovelada no lateral. Daronco, longe da jogada, não percebeu a maldade do palmeirense. 

Foi outra vez alertado pelo VAR.

E Deyverson foi justamente expulso.

O empate entre Bahia e Palmeiras em 0 a 0 foi histórico.

Deixou no ar a sensação de alívio.

Nesse país marcado pela impunidade, a justiça chegou ao futebol.

Ainda apenas na Copa do Brasil.

Mas a tecnologia desembarcou para ficar.

Marcando um grande passo decisivo em direção à modernidade.

Acabando com a tolice que futebol sem erros não tem graça.

Termina com a conversa no boteco, com as polêmicas.

Bobagem sem tamanho.

O que aconteceu em Salvador foi histórico.

E o futebol neste país passará ser levado mais a sério.

Além de assumir a humanidade do árbitro.

Seus dois olhos não podem concorrer com 18, 20, 30 câmeras.

A noite deste dois de julho de 2018 merece entrar para a história...