"Não sou um monstro." Retratação foi pacto de Jean com feministas

Para voltar a jogar, Jean, goleiro que espancou a esposa com oito socos, fez um pacto com feministas. Mas será processado pela ex-esposa Milena

Jean teve de posar para fotos com as mulheres com quem combinou retratação

Jean teve de posar para fotos com as mulheres com quem combinou retratação

Atlético Goianiense

São Paulo, Brasil

"Peço desculpa a todas as mulheres.

"Não sou esse monstro que a imprensa fez de mim."

Essas foram as duas frases mais marcantes.

Ditas na primeira entrevista que Jean deu como jogador do Atlético Goianiense.

Ele, no mínimo, queria uma definição mais delicada para um homem que dá oito socos no rosto da esposa, diante das duas filhas pequenas.

O goleiro teve o contrato suspenso pelo São Paulo, depois de espancar a mulher e ser preso em Orlando, nos Estados Unidos, em dezembro.

Ficou um dia detido.

O processo deve ser arquivado.

Foi parar no Atlético Goianiense porque a diretoria acreditou ter um 'negócio espetacular'. Um goleiro de bom nível sem ter de pagar pelos seus direitos, só os R$ 150 mil de salários, que ele recebia no São Paulo.

Jean acreditou que sua carreira estivesse acabada. 

Tamanha a repercussão.

E a raiva com que ele se refere à imprensa.

Como se os jornalistas tivessem culpa nos socos que deixaram inchado o rosto de Milena Bomfim.

"Pensei em parar de jogar num momento em que estava sendo atacado de todos os lados. Pessoas me xingando e me julgando em tom muito agressivo, ameaçando até de morte.

"Estou sofrendo. Mas tenho as minhas filhas. Preciso cuidar delas", diz Jean

"Estou sofrendo. Mas tenho as minhas filhas. Preciso cuidar delas", diz Jean

Atlético Goianiense

"Pensei, sim, em parar de jogar, sofri bastante, estou sofrendo. Mas, por outro lado, em conversa com minha família e meu empresário me perguntando o que eu sabia fazer. Eu não soube responder.

"Jogar futebol é a única coisa que sei fazer. Se eu fosse sozinho, teria parado de jogar. Mas eu tenho minhas filhas, tenho que cuidar delas, por isso, não parei de jogar."

O blog teve acesso ao acordo que a diretoria do Atlético fez com um grupo representativo de mulheres de Goiânia.

Elas aceitavam Jean desde que ele se retratasse, pedisse desculpas a todas mulheres pelo que fez com Milena.

Foi feito um pacto.

Retratação por fim de protestos.

O goleiro cumpriu o script.

Fez o combinado hoje.

Depois, até posou para fotos com elas.

"Por eu ser uma pessoa pública, que era jogador do São Paulo, um time visto mundialmente, claro que ia repercutir mais do que uma pessoa comum. Estou completamente arrependido.

"Que minha história sirva de lição para que outros casos não aconteçam, não só figuras públicas, todos os homens do mundo. Sei da repercussão, minha família ficou triste, tem criança que se espelha em mim e não foi bom para eles. Tenho duas filhas mulheres e estou arrependido", discursou, hoje à tarde.

O irônico é que pela manhã, Milena deu entrevista para a Record TV.

Confirmou que Jean não está pagando um centavo de pensão para as duas filhas. Suspendeu seus cartões de crédito. 

E que elas estão sendo sustentadas pela mãe da ex-esposa.

Milena decidiu procurar um advogado.

E processar Jean.

"Eu me calei, não queria polêmica, conversei, avisei, mas cansei, vou lutar pelas minhas filhas e pelos nossos direitos até o fim! E já que temos redes sociais vamos usá-la ! A mamãe fez de tudo para elas irem ver o pai, por conta do psicológico delas e o pai faz o que?

Jean tem o apoio total do presidente Adson Batista

Jean tem o apoio total do presidente Adson Batista

Atlético Goianiense

"Se omite, some, não liga, trata com descaso a situação das próprias filhas, filhas que como ele disse são minhas, mas na certidão tem o nome dele, enfim… Não deixei e não vou deixar passar, quem mais tem direitos de nos dois são elas e eu farei de tudo para que elas tenham tudo que tinham!

"Eu não pedi pra ser traída, eu não pedi para ser espancada, quem fez que arque com as consequências dos seus atos que por sinal ainda foram leves diante de toda a situação!Quero justiça! Que ele pague o que tem que pagar sim!

"E que Deus tenha piedade dessa pessoa, sem raiva, sem mágoas, apenas uma mãe desesperada querendo ver as suas filhas sorrir com leveza novamente!", escreveu no seu Instagram.

"Eu não pedi para ser traída. Não pedi para ser espancada", Milena

"Eu não pedi para ser traída. Não pedi para ser espancada", Milena

Reprodução/Twitter

Milena quer a guarda das filhas, pensão alimentícia para as duas.

E uma indenização pela agressão que sofreu nos Estados Unidos.

"Tentei entrar em contato com ele diversas vezes, mas o Jean não me dá retorno", disse Milena.

Ou seja, a situação está longe de ser resolvida.

Jean cumpriu hoje o que a diretoria do Atlético havia combinado com as associações de mulheres de Goiânia.

Cumpriu o protocolo.

Enquanto isso, em Salvador, Milena, que foi espancada por ele, espera o dinheiro para sustentar as duas filhas.

"Eu não fiz faculdade. Tive a primeira filha com o Jean, com 18 anos. Depois, tive a segunda. 

"Deixei meu lado profissional para ficar ao lado dele.

"Só por isso peço a pensão.

"Eu não tenho dinheiro", revelou, abalada, Milena.

Enquanto isso, Jean sorria ao lado das mulheres goianas.

E tenta provar que não é um 'monstro'...

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