Cosme Rímoli Invasões ao gramado, ameaças. Corinthians humilhado pelo Bahia. 5 a 1 foi pouco, em Itaquera. Mano foi o culpado pelo vexame

Invasões ao gramado, ameaças. Corinthians humilhado pelo Bahia. 5 a 1 foi pouco, em Itaquera. Mano foi o culpado pelo vexame

Mano Menezes inventou Fábio Santos como terceiro zagueiro. E colocou uma equipe sem poder de marcação. O Corinthians foi humilhado pelo Bahia, de Rogério Ceni. 5 a 1 igualou a pior goleada em Itaquera, a do Fla, em 2020

  • Cosme Rímoli | Do R7

Thaciano marcou dois gols. O vibrante Bahia de Ceni humilhou o equivocado Corinthians de Mano

Thaciano marcou dois gols. O vibrante Bahia de Ceni humilhou o equivocado Corinthians de Mano

Felipe Oliveira/Bahia

São Paulo, Brasil

"Fora todo mundo, diretoria omissa, elenco vagabundo!"

"Ei, você aí, acabo com a sua vida se o Coringão cair!"

"Vergonha, vergonha, vergonha, time sem vergonha!"

Eram os coros que vinham das arquibancadas.

Duas invasões de campo.

Um vexame inesquecível do Corinthians, às vésperas da mais agressiva eleição presidencial da história do Parque São Jorge.

Mano Menezes teve 11 dias de paralisação no Campeonato Brasileiro.

E o treinador, que vive o pior momento de sua carreira, decidiu treinar seu time, repleto de veteranos saciados por escaparem do rebaixamento, no 3-5-2, com a "invenção" de Fábio Santos como zagueiro e Bidu na lateral, para enfrentar o versátil Bahia, de Rogério Ceni, no 4-5-1, desesperado para fugir da Segunda Divisão.

O resultado foi que o time nordestino dominou as intermediárias e se aproveitou do péssimo sistema defensivo inventado por Mano Menezes. Repleto de jogadores lentos e só Giuliano e Maycon como marcadores, que deixaram a zaga improvisada escancarada, desprotegida.

Mano Menezes já havia desfeito a bobagem de colocar Fábio Santos como zagueiro, aos 20 minutos de partida, colocando Wesley. Deixando seu time no tradicional 4-4-2. Mas a confiança dos atletas já havia ido para o ralo.

Ademir aproveitou a farra. O Corinthians parecia uma equipe juvenil. 5 a 1 foi realmente muito pouco
Ademir aproveitou a farra. O Corinthians parecia uma equipe juvenil. 5 a 1 foi realmente muito pouco Felipe Oliveira/Bahia

Seu time continuava espaçado, escancarado. Deixando Gil e Lucas Veríssimo expostos, diante de jogadores rápidos, com muita objetividade, do Bahia.

Com toda a facilidade, o Bahia chegou a 3 a 0, com míseros 28 minutos de jogo. Gols de Rezende, Cauly e Thaciano.

Cada contragolpe era desesperador para o Corinthians.

Ao final, 5 a 1 foi um placar que poderia ser ainda maior para o Bahia. 

Se Renato Augusto descontou, aos 21 minutos, a impressão de reação acabou logo. Porque oito minutos depois Ademir marcou 4 a 1, depois de passe errado de Rojas, no meio-campo. Thaciano ainda cobrou mais um pênalti e marcou o placar assustador: 5 a 1, Bahia. Só o Flamengo, em 2020, teve o mesmo atrevimento, em Itaquera, desde que o estádio foi inaugurado.

Mano assumiu seu gravíssimo erro e até pediu desculpa pela vergonha.

"Realmente tudo deu errado, não salvamos nada num jogo como esse. Começamos com a ideia de jogo escolhida pelo treinador, que não se sustentou nem se justificou, teve que ser trocada com 20 minutos."

"O treinador assume a parte dele de que a ideia pensada não funcionou. Temos que pedir desculpa."

"Nunca passei por isso, uma goleada dentro de casa como treinador. Foi muito doloroso para a gente, mas nunca tivemos condição de entregar algo melhor no jogo. Quando acontece isso e termina do jeito que foi, a maior responsabilidade é do treinador, sem dúvida."

O Bahia, de Rogério Ceni, foi dono das intermediárias. E excelente nos contragolpes em velocidade
O Bahia, de Rogério Ceni, foi dono das intermediárias. E excelente nos contragolpes em velocidade Felipe Oliveira/Bahia

Mano teve a hombridade de não repassar a culpa pelo clima tenso, pela falta de confiança, pelo péssimo futebol dos atletas.

Foi veemente em não culpar a pressão da eleição na goleada.

"Seria muito canalha da minha parte [repassar a culpa].

"O que aconteceu na temporada pertence ao clube, mas nada justifica o que aconteceu hoje."

Mano Menezes sabe que não é o "treinador dos sonhos" do candidato da situação, o favorito André Negão. Como também do candidato da oposição, Augusto Melo.

Quem vencer vai mantê-lo porque o presidente Duilio Monteiro Alves ofereceu um contrato até dezembro de 2025. Com o clube tendo de pagar como multa os meses de salário que faltarem. Ele recebe hoje R$ 800 mil mensais.

O técnico disfarçou, mas, sem querer, trabalhou para a oposição.

A goleada, a menos de 24 horas da eleição, foi um presente para Melo.

Os mais de 39 mil corintianos que foram a Itaquera deixaram o estádio vaiando, xingando.

As organizadas ficaram com seus gritos ameaçadores até depois do jogo.

Antes, dois torcedores invadiram o gramado.

Foram presos e não agrediram ninguém.

Mas eles podem ser capazes de fazer o Corinthians sofrer punição da CBF.

O clube, em 12º lugar, tem 44 pontos.

Vai enfrentar o Vasco, no Rio de Janeiro, o Internacional, em Itaquera, e o Coritiba, no Paraná. 

Matemáticos afirmam que 45 pontos acabam com qualquer risco de rebaixamento.

Mas o momento corintiano é péssimo, de enorme pressão.

Com o clube ainda podendo ter de jogar com portões fechados contra o Inter, se o STJD for rígido com as duas invasões de torcedores hoje.

A humilhante goleada pode ter consequências.

A começar pela eleição de hoje.

E que tem tudo para virar "caso de polícia".

Tantas são as ameaças dos dois candidatos...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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