Logo R7.com
RecordPlus
Cosme Rímoli - Blogs

Inter precisa provar o complô para que o campeão seja do Sudeste

Diretoria acusa favorecimento aos clubes de Rio e São Paulo. A CBF tem de se posicionar. Até porque Palmeiras e Fla são os mais prejudicados

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

  • Google News
O presidente Marcelo Medeiros tem de provar as acusações de complô
O presidente Marcelo Medeiros tem de provar as acusações de complô

São Paulo, Brasil

"É muito difícil entrar no vestiário e dizer para meu técnico e meus jogadores que ainda dá. Tem muitas coisas estranhas acontecendo.


"Se é mais bacana, dá mais Ibope Palmeiras e Flamengo disputarem o campeonato, legal. É difícil um time de Porto Alegre, do Nordeste, ser campeão. Sugiro também que se faça um campeonato só com times do Rio e de São Paulo"

"Eu sugeriria que se colocasse no regulamento do campeonato que o Internacional não pode ser campeão. E também que o time que vem da Série B não seja campeão. No início do ano, perguntei na CBF por que nossa tabela era tão dura no começo. Me disseram que para os clubes da Série B é mais difícil. Não tinha fundamento a explicação.


"O que eu tenho vontade de falar, talvez não possa. O que dá para falar é que é uma vergonha o que está acontecendo. É um sentimento de nojo, de raiva, por tudo que está acontecendo. O que aconteceu hoje, no Beira-Rio contra o Santos, e no próximo, e no próximo... É difícil entender."

Vice presidente do Internacional, Roberto Melo.


"Todos se sentem lesados. Todos se sentem quase que, nesse momento, incapazes de conquistar aquilo que a gente luta tanto. O Inter não pode mais… Em 2005 também teve. Não sei mais o que pode acontecer para evitar que a gente seja campeão ou dispute o campeonato até o final.

"Esse fato suja a história do Vasco, a história deste estádio e violenta o futebol brasileiro. A reclamação não é só do inter. Futebol brasileiro não pode mais viver sem VAR. É preferível que não se tenha esse monte de árbitro dentro de campo. O Inter vai liderar, sim. A partir de amanhã (hoje), vou procurar todos os presidentes dos 20 clubes da Sèrie A para que assinemos um documento e se utilize o VAR nas últimas rodadas."


Presidente do Internacional, Marcelo Medeiros.

A imprensa e a diretoria do clube gaúcho estão revoltados. Acreditam piamente que há um complô para não permitir que o clube colorado seja campeão do Brasil.

A convicção nasceu nos lances que decretaram os empates contra Santos e Vasco. 

Postura pública que, em qualquer país civilizado seria levado aos tribunais esportivos.

E talvez até à Justiça Comum. 

As acusações do presidente e do vice do Internacional são graves demais.

E precisam ser levadas em consideração. 

Porque aponta frontalmente à cupula que comanda o futebol neste país.

A CBF.

Se existe uma entidade no Brasil que não merece defesa é a que tem sede no milionário prédio na Barra de Tijuca, no Rio de Janeiro.

Mas a verdade é que os árbitros são o que pior existe neste pobre futebol brasileiro. Amadores, precisam do aval dos clubes para seguir apitando. Vetos são veneno para a carreira desses mediadores.

Eles já estavam mais do que expostos com as centenas de câmeras espalhadas em cada partida. Ainda ficaram mais ainda depois do VAR, o árbitro de vídeo com poder para esclarecer os lances mais importantes.

A bilionária CBF não quis pagar o VAR no seu campeonato nacional. Mas pagou nos jogos decisivos da Copa do Brasil. 

Ficou ainda mais claro o quanto os juízes são fracos, inseguros.

Ruins.

E sem capacidade de concorrer com tantos ângulos oferecidos pelas câmeras.

Empate contra o Vasco despertou a ira da cúpula do Inter
Empate contra o Vasco despertou a ira da cúpula do Inter

Depois de uma arrancada sensacional, o Internacional, que saiu da Segunda Divisão, chegou à liderança do Brasileiro, em setembro. Era uma lua de mel incrível com o Brasileiro. Não havia reclamações, protestos. Nem sombra de complô.

Só que nos últimos jogos, o time não vem jogando tão bem. Não fosse assim, não perderia para o fraquíssimo e com um pé e meio no rebaixamento, Sport. Sem direito a qualquer reclamação pública, protesto dos dirigentes. Assim como também não seria derrotado pela desesperada Chapecoense, que tem a equipe mais fraca dos últimos anos.

Nas últimas sete partidas, o Internacional poderia acumular 21 pontos no Brasileiro.

Conseguiu apenas oito.

E atuando mal.

Passou da hora de os clubes que protestam, acusam, provarem o que falam.

O VAR deveria ser um direito aos pobres árbitros deste país.

Em todas as partidas.

Os clubes que disputam o Brasileiro tiveram a oportunidade de votar se queriam ou não o VAR. 

A CBF, que existe por conta das equipes, dos campeonatos, e da Seleção Brasileira, e é riquíssima, não quis pagar a conta. 

Para ter o Brasileiro de 2018 com toda a transparência possível, apresentou um custo de R$ 20 milhões. Queria que cada equipe bancasse um R$ 1 milhão.

Houve até votação em fevereiro.

Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional votaram a favor. Concordaram pagar.

Corinthians, Santos, América Mineiro, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará.

Não quiseram, alegando que não poderiam bancar os custos.

O inseguro presidente Leco, deixou a reunião na CBF, sem votar.

Sem o clube que comanda, o São Paulo, se posicionar.

O Internacional propõe agora nas últimas rodadas que o VAR seja instituído. 

Porque está se sentindo prejudicado.

E com sua diretoria assumindo um complô para não ser campeão.

É um direito reivindicar.

A CBF poderia sim tomar essa atitude.

Seria um benefício para quem defende a justiça.

Mas também não pode se calar diante das acusações dos dirigentes do Internacional.

Deveria cobrar provas.

Ou puni-los seriamente.

Qualquer equipe que for campeã, e não seja a colocada, ficará sob suspeita.

O brasileiro já está desesperançoso em inúmeras situações.

Está mais do que na hora de o futebol passar por uma enorme desintoxicação.

Que o VAR seja instituído nas últimas rodadas.

Mas que o presidente e vice do Inter mostrem provas.

Não deixem dúvidas sobre o favorecimento aos clubes do Sudeste.

Até porque, por coincidência ou não, a CBF divulgou há dois dias o ranking dos clubes mais prejudicados pela arbitragem neste país. Por lances indiscutíves.

O Palmeiras foi o que teve mais prejuízo.

Depois, o Flamengo.

E aí veio o Internacional.

1º Palmeiras. 3 erros contrários 1 a favor – 2 gols (mas sem alteração de pontos)

2º Flamengo. 2 erros contrários 3 a favor + 1 gol a favor e 1 ponto a mais na tabela

3º Inter. 3 erros contrários 4 a favor + 1 gol ilegal e 1 ponto a mais na tabela

4º São Paulo. 2 erros contrários 1 a favor – 1 gol legal e 1 ponto a mais na tabela

5º Grêmio. 3 erros contrários 4 a favor + 1 gol (mas sem alteração de pontos)

6º Atlético Mineiro. 2 erros contrários 2 a favor , com 2 pontos a menos na tabela

7º Santos. 4 erros contrários 2 a favor – 2 gols (e 1 ponto a menos na tabela)

8º Atlético-PR. 4 erros contrários. 1 erro a favor – 3 gols (4 pontos a menos na tabela)

9º Fluminense. 2 erros contrários. 0 a favor – 2 gols (4 pontos a menos na tabela)

10º Cruzeiro. 5 erros contrários. 3 a favor – 2 gols (4 pontos a menos na tabela)

11º Bahia. 1 erro contrário 2 a favor 1 gol e 1 ponto a mais na tabela

12º Corinthians. 3 erros contrários. 2 a favor – 1 gol (6 pontos a menos na tabela)

13º Botafogo. 2 erros contrários. 1 a favor – 1 gol (2 pontos a menos na tabela)

14º Ceará 0 erros contrários. 4 a favor + 4 gols e 2 pontos a mais na tabela

15º Vasco. 1 erro contrário. 2 a favor + 1 gol (1 ponto a menos na tabela)

16º América-MG 3 erros contrários. 1 – 2 gols (1 ponto a menos na tabela)

17º Vitória 3 erros contrários 3 a favor 0 (sem alteração de pontos)

18º Chapecoense. 0 erros contrários. 4 a favor + 4 gols e 6 pontos a mais na tabela

19º Sport. 0 erros contrários. 2 a favor. + 2 gols e 1 ponto a mais na tabela

20º Paraná. 1 erro contrário. 2 a favor + 1 gol e 1 ponto a mais na tabela

Ou seja, a CBF aponta o líder do Brasileiro como o mais prejudicado.

Ele é paulista, o Palmeiras.

E em segundo lugar, o vice.

Um carioca, o Flamengo.

Esta situação vexatória precisa ser esclarecida.

Os dirigentes estão acabando com o que resta de credibilidade.

Precisam deixar de esperar seu time ser prejudicado.

E principalmente fazer acusações gravíssimas sem prova.

Por mais que a CBF não desperte confiança em ninguém.

Não cabe mais essa história de bairrismo, perseguição.

Se a direção do Inter acredita no que diz, deveria agir.

Além de provar o que afirma, abandonar o torneio.

Mas tudo indica que não fará nem uma coisa nem outra...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.