Inter precisa provar o complô para que o campeão seja do Sudeste
Diretoria acusa favorecimento aos clubes de Rio e São Paulo. A CBF tem de se posicionar. Até porque Palmeiras e Fla são os mais prejudicados
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
"É muito difícil entrar no vestiário e dizer para meu técnico e meus jogadores que ainda dá. Tem muitas coisas estranhas acontecendo.
"Se é mais bacana, dá mais Ibope Palmeiras e Flamengo disputarem o campeonato, legal. É difícil um time de Porto Alegre, do Nordeste, ser campeão. Sugiro também que se faça um campeonato só com times do Rio e de São Paulo"
"Eu sugeriria que se colocasse no regulamento do campeonato que o Internacional não pode ser campeão. E também que o time que vem da Série B não seja campeão. No início do ano, perguntei na CBF por que nossa tabela era tão dura no começo. Me disseram que para os clubes da Série B é mais difícil. Não tinha fundamento a explicação.
"O que eu tenho vontade de falar, talvez não possa. O que dá para falar é que é uma vergonha o que está acontecendo. É um sentimento de nojo, de raiva, por tudo que está acontecendo. O que aconteceu hoje, no Beira-Rio contra o Santos, e no próximo, e no próximo... É difícil entender."
Vice presidente do Internacional, Roberto Melo.
"Todos se sentem lesados. Todos se sentem quase que, nesse momento, incapazes de conquistar aquilo que a gente luta tanto. O Inter não pode mais… Em 2005 também teve. Não sei mais o que pode acontecer para evitar que a gente seja campeão ou dispute o campeonato até o final.
"Esse fato suja a história do Vasco, a história deste estádio e violenta o futebol brasileiro. A reclamação não é só do inter. Futebol brasileiro não pode mais viver sem VAR. É preferível que não se tenha esse monte de árbitro dentro de campo. O Inter vai liderar, sim. A partir de amanhã (hoje), vou procurar todos os presidentes dos 20 clubes da Sèrie A para que assinemos um documento e se utilize o VAR nas últimas rodadas."
Presidente do Internacional, Marcelo Medeiros.
A imprensa e a diretoria do clube gaúcho estão revoltados. Acreditam piamente que há um complô para não permitir que o clube colorado seja campeão do Brasil.
A convicção nasceu nos lances que decretaram os empates contra Santos e Vasco.
Postura pública que, em qualquer país civilizado seria levado aos tribunais esportivos.
E talvez até à Justiça Comum.
As acusações do presidente e do vice do Internacional são graves demais.
E precisam ser levadas em consideração.
Porque aponta frontalmente à cupula que comanda o futebol neste país.
A CBF.
Se existe uma entidade no Brasil que não merece defesa é a que tem sede no milionário prédio na Barra de Tijuca, no Rio de Janeiro.
Mas a verdade é que os árbitros são o que pior existe neste pobre futebol brasileiro. Amadores, precisam do aval dos clubes para seguir apitando. Vetos são veneno para a carreira desses mediadores.
Eles já estavam mais do que expostos com as centenas de câmeras espalhadas em cada partida. Ainda ficaram mais ainda depois do VAR, o árbitro de vídeo com poder para esclarecer os lances mais importantes.
A bilionária CBF não quis pagar o VAR no seu campeonato nacional. Mas pagou nos jogos decisivos da Copa do Brasil.
Ficou ainda mais claro o quanto os juízes são fracos, inseguros.
Ruins.
E sem capacidade de concorrer com tantos ângulos oferecidos pelas câmeras.

Depois de uma arrancada sensacional, o Internacional, que saiu da Segunda Divisão, chegou à liderança do Brasileiro, em setembro. Era uma lua de mel incrível com o Brasileiro. Não havia reclamações, protestos. Nem sombra de complô.
Só que nos últimos jogos, o time não vem jogando tão bem. Não fosse assim, não perderia para o fraquíssimo e com um pé e meio no rebaixamento, Sport. Sem direito a qualquer reclamação pública, protesto dos dirigentes. Assim como também não seria derrotado pela desesperada Chapecoense, que tem a equipe mais fraca dos últimos anos.
Nas últimas sete partidas, o Internacional poderia acumular 21 pontos no Brasileiro.
Conseguiu apenas oito.
E atuando mal.
Passou da hora de os clubes que protestam, acusam, provarem o que falam.
O VAR deveria ser um direito aos pobres árbitros deste país.
Em todas as partidas.
Os clubes que disputam o Brasileiro tiveram a oportunidade de votar se queriam ou não o VAR.
A CBF, que existe por conta das equipes, dos campeonatos, e da Seleção Brasileira, e é riquíssima, não quis pagar a conta.
Para ter o Brasileiro de 2018 com toda a transparência possível, apresentou um custo de R$ 20 milhões. Queria que cada equipe bancasse um R$ 1 milhão.
Houve até votação em fevereiro.
Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional votaram a favor. Concordaram pagar.
Corinthians, Santos, América Mineiro, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará.
Não quiseram, alegando que não poderiam bancar os custos.
O inseguro presidente Leco, deixou a reunião na CBF, sem votar.
Sem o clube que comanda, o São Paulo, se posicionar.
O Internacional propõe agora nas últimas rodadas que o VAR seja instituído.
Porque está se sentindo prejudicado.
E com sua diretoria assumindo um complô para não ser campeão.
É um direito reivindicar.
A CBF poderia sim tomar essa atitude.
Seria um benefício para quem defende a justiça.
Mas também não pode se calar diante das acusações dos dirigentes do Internacional.
Deveria cobrar provas.
Ou puni-los seriamente.
Qualquer equipe que for campeã, e não seja a colocada, ficará sob suspeita.
O brasileiro já está desesperançoso em inúmeras situações.
Está mais do que na hora de o futebol passar por uma enorme desintoxicação.
Que o VAR seja instituído nas últimas rodadas.
Mas que o presidente e vice do Inter mostrem provas.
Não deixem dúvidas sobre o favorecimento aos clubes do Sudeste.
Até porque, por coincidência ou não, a CBF divulgou há dois dias o ranking dos clubes mais prejudicados pela arbitragem neste país. Por lances indiscutíves.
O Palmeiras foi o que teve mais prejuízo.
Depois, o Flamengo.
E aí veio o Internacional.
1º Palmeiras. 3 erros contrários 1 a favor – 2 gols (mas sem alteração de pontos)
2º Flamengo. 2 erros contrários 3 a favor + 1 gol a favor e 1 ponto a mais na tabela
3º Inter. 3 erros contrários 4 a favor + 1 gol ilegal e 1 ponto a mais na tabela
4º São Paulo. 2 erros contrários 1 a favor – 1 gol legal e 1 ponto a mais na tabela
5º Grêmio. 3 erros contrários 4 a favor + 1 gol (mas sem alteração de pontos)
6º Atlético Mineiro. 2 erros contrários 2 a favor , com 2 pontos a menos na tabela
7º Santos. 4 erros contrários 2 a favor – 2 gols (e 1 ponto a menos na tabela)
8º Atlético-PR. 4 erros contrários. 1 erro a favor – 3 gols (4 pontos a menos na tabela)
9º Fluminense. 2 erros contrários. 0 a favor – 2 gols (4 pontos a menos na tabela)
10º Cruzeiro. 5 erros contrários. 3 a favor – 2 gols (4 pontos a menos na tabela)
11º Bahia. 1 erro contrário 2 a favor 1 gol e 1 ponto a mais na tabela
12º Corinthians. 3 erros contrários. 2 a favor – 1 gol (6 pontos a menos na tabela)
13º Botafogo. 2 erros contrários. 1 a favor – 1 gol (2 pontos a menos na tabela)
14º Ceará 0 erros contrários. 4 a favor + 4 gols e 2 pontos a mais na tabela
15º Vasco. 1 erro contrário. 2 a favor + 1 gol (1 ponto a menos na tabela)
16º América-MG 3 erros contrários. 1 – 2 gols (1 ponto a menos na tabela)
17º Vitória 3 erros contrários 3 a favor 0 (sem alteração de pontos)
18º Chapecoense. 0 erros contrários. 4 a favor + 4 gols e 6 pontos a mais na tabela
19º Sport. 0 erros contrários. 2 a favor. + 2 gols e 1 ponto a mais na tabela
20º Paraná. 1 erro contrário. 2 a favor + 1 gol e 1 ponto a mais na tabela
Ou seja, a CBF aponta o líder do Brasileiro como o mais prejudicado.
Ele é paulista, o Palmeiras.
E em segundo lugar, o vice.
Um carioca, o Flamengo.
Esta situação vexatória precisa ser esclarecida.
Os dirigentes estão acabando com o que resta de credibilidade.
Precisam deixar de esperar seu time ser prejudicado.
E principalmente fazer acusações gravíssimas sem prova.
Por mais que a CBF não desperte confiança em ninguém.
Não cabe mais essa história de bairrismo, perseguição.
Se a direção do Inter acredita no que diz, deveria agir.
Além de provar o que afirma, abandonar o torneio.
Mas tudo indica que não fará nem uma coisa nem outra...














