Cosme Rímoli Empresários emprestam dinheiro ao Timão. Para contratar seus jogadores

Empresários emprestam dinheiro ao Timão. Para contratar seus jogadores

Com dívida de quase R$ 1 bilhão, o Corinthians apela para o dinheiro emprestado de empresários. Para contratar 'seus' atletas. Com juros mensais

  • Cosme Rímoli | Do R7

Otero e Cazares. Jogadores que foram para o Corinthians pelo empréstimo do próprio empresário

Otero e Cazares. Jogadores que foram para o Corinthians pelo empréstimo do próprio empresário

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

São Paulo, Brasil

Duílio Monteiro Alves é filho do sociólogo Adilson Monteiro Alves.

Seu pai foi o autor intelectual da Democracia Corinthiana. Grafia que fazia questão de manter o h, em respeito ao h do Corinthians.

O movimento, de 1982 a 1984, foi muito corajoso. O Brasil vivia em plena Ditadura. Bastava citar a palavra democracia para provocar a ira de muitos militares.

A proposta de Adilson ia muito além da participação dos jogadores nas decisões do futebol. Mas também defendia a transparência. Até da vida financeira do clube.

39 anos depois, na presidência do Corintians, Duílio tinha a responsabilidade de honrar o pai. E fez questão que o primeiro balanço sob sua gestão fosse claro. Mostrasse a real situação do clube, refém do péssimo acordo envolvendo a construção do seu estádio. 

Erro do ex-presidente Andrés Sanchez, de dez anos atrás, a favor da construtora  Odebrecht e da Caixa Econômica Federal.

E que repercute até hoje.

O Corinthians deve R$ 956,9 milhões.

Caminha rapidamente para R$ 1 bilhão, empurrado pela pandemia, que proíbe a presença de torcedores e da debandada de sócios-torcedores e de sócios da área social. Futebol proibido em São Paulo. Patrocinadores querendo reduzir acordos. E Globo buscando o adiamento de pagamento de transmissão.

A revelação do balanço trouxe à tona uma velha prática no Corinthians.

O empréstimo de dinheiro de empresários.

Agentes adiantam verba para o clube poder contratar atletas que trabalham com eles.

Não é ilegal.

Mas muito questionável.

Giuliano Bertolucci e Carlos Leite são velhos conhecidos nesta prática.

Denis Maldelbaum e André Cury são recentes.

A Bertulucci, a dívida final de 2020 é de R$ 9,5 milhões.

Ramiro é empresariado por Giuliano Bertolucci. Dono da maior dívida com o Corinthians

Ramiro é empresariado por Giuliano Bertolucci. Dono da maior dívida com o Corinthians

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Ele é o empresário de Léo Santos e Ramiro.

Os juros são de 1,5% ao mês, ótimo investimento.

Já a Carlos Leite,  empréstimo de R$ 7,7 milhões.

Ele cobra juros de 1,94% ao mês.

E trabalha com Cássio, Fagner, Gil, Camacho e Matheus Vital.

Denis Maldelbaum não cobra juros.

Mas emprestou, em 2018, R$ 300 mil para a contratação do lateral esquerdo Rael. Jogador que é empresariado por seu irmão, Maurice Cohen.

O atleta não pertence mais ao clube.

Só que a dívida, sim.

E, por último, André Cury.

Ele emprestou R$ 2,8 milhões, a 0,68% de juros.

Para o Corinthians contratar dois jogadores que trabalham com ele.

São Otero e Cazares.

E é Cury que está tentando negociar a renovação de contrato da dupla.

Rael. Lateral contratado com o empréstimo do irmão de seu empresário ao Corinthians

Rael. Lateral contratado com o empréstimo do irmão de seu empresário ao Corinthians

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Como a situação não é ilegal, conselheiros não podem fazer nada.

A não ser protestar, reclamar em grupos de whasapp.

Com a dívida chegando a R$ 1 bilhão, Duílio dá sinais que não mudará a postura assumida por Andrés Sanchez.

Se houver um jogador que a Comissão Técnica acreditar ter potencial e o empresário desse atleta resolver emprestar dinheiro para que o Corinthians o contrate, a negociação será feita.

O ajuste fica apenas na definição dos juros.

O futebol brasileiro é surreal...

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