Cosme Rímoli De carro apedrejado, ameaçado, xingado, a aplaudido de pé. Jô, o maior artilheiro do estádio do Corinthians

De carro apedrejado, ameaçado, xingado, a aplaudido de pé. Jô, o maior artilheiro do estádio do Corinthians

O atacante de 34 anos sente na pele a reviravolta do time, com a chegada dos quatro grandes reforços. Em vez de lutar para fugir pelo rebaixamento, como deveria ser a meta, o Corinthians caminha para a Libertadores 

  • Cosme Rímoli | Do R7

Jô se torna o artilheiro do estádio de Itaquera. Com 28 gols, desbancou Romero

Jô se torna o artilheiro do estádio de Itaquera. Com 28 gols, desbancou Romero

Rodrigo Coca/Divulgação/Corinthians

São Paulo, Brasil

Foi emocionante demais o reencontro da apaixonada torcida com o Corinthians.

Nunca os dois ficaram tanto tempo afastado na história.

Foram 586 dias.

10.470 pessoas que fizeram barulho, vibraram, empurraram o time como o estádio em Itaquera estivesse lotado. Conseguiram sintonia com os jogadores, vibraram em cada lance. 

O Corinthians voltou a ter alma.

E a partida de ontem não poderia ser mais significativa, do jeito que os torcedores idealizam do time branco e preto: vitória de virada, com o gol do adversário primeiro, para aumentar a tensão. Depois, a adrenalina vindo à tona em cada um dos três gols.

3 a 1 e futebol muito superior ao do Bahia.

E o mais importante: três pontos que levam o clube à quarta colocação no Brasileiro.

E marcaram também o ressurgimento de um personagem que estava apagado, escondido, desvalorizado, com as contratações de Roger Guedes, Giuliano, Willian e Renato Augusto.

Jô.

Aos 34 anos, ele não teve saída. Precisava recuperar a forma física de maneira urgente, voltar a se movimentar com agilidade, velocidade. Para abrir espaço para os novos companheiros talentos e ainda voltar a provar que pode ser chamado de artilheiro.

Jô sofreu muito desde que voltou ao Corinthians em junho de 2020

Jô sofreu muito desde que voltou ao Corinthians em junho de 2020

Carla Carniel/Reuters - 05.10.2021

E o mais importante. Jô sofreu muito desde que voltou ao Corinthians, em junho de 2020. Ele ficou seis meses sem jogar. E mostrou sua falta de ritmo, de condição física. E, pior, em um elenco franquíssimo.

Com companheiros fracos, por conta da falta de dinheiro do clube, Jô passou a ser muito visado. Cobrado, xingado. Por torcedores corintianos.

O pior aconteceu em julho, quando teve seu carro apedrejado. Ele estava com sua esposa.

E mostrou sua revolta com o ataque que sofreu de 'corintianos'.

"Ontem à noite (21 de julho), passei por uma situação inadmissível. Estava em meu carro com a minha esposa, quando tive meu carro apedrejado, por volta das 23h. Felizmente, ninguém se feriu, mas minha esposa está abalada com o ocorrido e com medo de nossa família ser atacada novamente.

"Cobrança de torcida não deve ser feita dessa maneira.

"Respeitem à mim e à minha família."

Tudo isso ficou para trás, com a diretoria, apesar da dívida bilionária, contratou o quarteto que mudou o perfil do time.

O ano já começou pesado. Para piorar, Jô resolveu treinar com chuteiras verdes. Acabou multado

O ano já começou pesado. Para piorar, Jô resolveu treinar com chuteiras verdes. Acabou multado

Rodrigo Coca/Corinthians

A equipe não fica mais apenas atrás, marcando, esperando uma bola longa ou cruzada na área para Jô cabecar. O Corinthians toma iniciativa do jogo, troca passes, tem potencial, completo, para encarar qualquer adversário no Brasil. O time renasceu com os reforços.

E hoje não ficou para trás. Se Gilberto fez o primeiro, cobrando pênalti, Roger Guedes, da mesma maneira empatou. E Cantillo marcou 2 a 1.

Mas não poderia faltar o gol mais esperado.

Jô teve de ficar no banco todo o primeiro tempo. E só entrou no intervalo porque Willian sentiu desconforto muscular, comum em atletas que chegam do Exteiror.

Humilde ao lado de Sylvinho, ele entrou em campo diferente, 'incendiado' pela torcida, a mesma que apedrejou seu carro.

Demorou 23 minutos apenas para ele, que entrou muito bem, segurando dois zagueiros do Bahia, abrindo espaço aos companheiros, pegar o rebote de Matheus Claus, em um chute do ótimo Gabriel Pereira.

Jô não só marcou, deu ao Corinthians a diferença definitiva de dois gols.

Porque conseguiu se tornar o maior artilheiro da Neoquímica Arena. Levou muito tempo, mas finalmente desbancou Romero. Chegou aos 28 gols e em 68 jogos. Romero levou 103 partidas para marcar 27 gols.

Cantillo fez o primeiro gol com a camisa do Corinthians, ontem. Torcida 'enlouqueceu' o time

Cantillo fez o primeiro gol com a camisa do Corinthians, ontem. Torcida 'enlouqueceu' o time

Rodrigo Coca/Corinthians

Jô foi aplaudido de pé pela torcida corintiana.

O ressentimento das pedradas foi esquecido.

"Não tem como ter mágoa dessa torcida maravilhosa. Eu nasci dentro do clube, aceito todos os tipos de crítica, mas sei que a maioria me apoia e está sempre comigo. Isso faz parte do futebol",  resumiu o atacante, perdoando os torcedores.

Jô está vivendo a revolução corintiana em 2021.

Clube que começou o ano tendo como meta não ser rebaixado no Brasileiro, dez meses depois, está no time renascido, que tem todas as chances de estar na Libertadores em 2022. E está empolgando a torcida.

Jô deixou o estádio empolgado.

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