Corinthians poderia ter sido goleado pelo Independiente. Admite Carille
Os argentinos se impuseram com facilidade. Encurralaram o Corinthians no Itaquerão. Deveriam ter vencido por mais do que 2 a 1
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

O Itaquerão não ficou calado à toa.
34.287 estavam embasbacados.
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Acompanharam, angustiados, a pior atuação do Corinthians sob o comando de Fábio Carille.
O Independiente merecia ter goleado o heptacampeão brasileiro.
A vitória só por 2 a 1 não reflete o que foi o domínio argentino, principalmente no primeiro tempo, quando subverteu a ordem natural das coisas. Ariel Holan trabalhou até os 43 anos como técnico de hóquei. E trouxe desse esporte, o preenchimento dos espaços, a compactação no seu estado puro. E que a firmeza defensiva não começa da intermediária para trás. Mas na frente.
Jogando no estádio adversário, Holan sabia que o Corinthians teria mais dificuldade, já que se especializou em contragolpear. Toda vez que precisa ter a iniciativa do jogo tem dificuldade. Ainda mais sem um atacante de referência na frente, capaz de segurar dois zagueiros e um volante, como fazia Jô.
O Independiente precisava somar pelo menos um ponto, para seguir lutando pela classificação no competitivo grupo 7 da Libertadores. E houve um gravíssimo erro de avaliação de Carille. Pela postura de seus jogadores estava claro que os orientou para esperar uma equipe catimbeira, que atuaria atrás, esperando o erro, uma roubada de bola na intermediária.
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Adversário que jogaria pela famosa 'uma bola'.
O erro não poderia ser maior. Os argentinos trataram de atacar desde que a bola começou a rolar. Nos primeiros segundos. Partiram decididos e muito bem organizados, em busca não de um, mas de três pontos. Estava claro que sabiam muito bem as dificuldades defensivas corintianas. Principalmente pelo lado esquerdo.
A fragilidade de marcação de Sidcley, a lentidão de Henrique e a indecisão de Maycon. Combinação trágica. O Corinthians tomou dois gols, Balbuena desviou uma bola para o próprio travessão, Cássio fez duas ótimas defesas, e por precipitação nos arremates, os argentinos não fizeram dois gols. Um caos que o 4-1-4-1 não pôde evitar. Será que não valeria a pena uma marcação mais próxima e rígida em Meza, que é o principal talento do Independiente?
O lindo gol de Jadson amenizou a situação. Romero, que havia marcado contra, aos 24 minutos, deu um giro espetacular na entrada da área. E serviu o meia livre, que só deslocou Campaña. 2 a 1, já que Benítez já havia feito o primeiro gol do jogo, a um minuto de partida.
A volta de Jadson não trouxe o desafogo a Rodriguinho. Ficou escancarada a necessidade de volantes com personalidade e firmeza na saída de bola. Gabriel tem personalidade, mas só sabe marcar. Maycon tem qualidade, mas padece ainda de personalidade em jogos difíceis. Mantuan não pôde ser a área de escape pelo lado direito, que o Corinthians se acostumou a usar com o contundido Fagner.
Do outro lado, Sidcley sabia que não podia dar um passo além do meio de campo. Já que, cruel, o Independiente forçava suas principais jogadas ofensivas na sua enorme dificuldade de marcação.

Mateus Vital tem potencial, mas está imaturo. E Romero fez o que pôde. Estando onipresente na defesa, ataque, meio. Lutou, teve um lance lúcido de pivô.
Na variação de 3-6-1 para o 5-4-1, Holan tinha em mente que não poderia deixar o meio de campo do Corinthians dominar a intermediária. Se quebrasse a espinha corintiana, teria o jogo na mão.
E foi o que aconteceu.
Parecia jogo da década de 90, entre times argentinos, que sempre foram melhores taticamente do que os brasileiros. Com toques curtos, com muita aproximação, o Independiente colocou várias vezes o Corinthians 'na roda'. Foi um espetáculo tático o que fez no Itaquerão.
O Independiente marcou seu terceiro gol, com Figal. Mas foi convenientemente anulado por mais um erro estúpido da arbitragem,marcando falta em Rodriguinho. No mundo todo há a imperativa necessidade do árbitro de vídeo.
No segundo tempo, o Corinthians se lançou ao ataque. E o Independiente estava mais atrás, desgastado com o esforço do show que deu na primeira etapa. Os argentinos trataram de seguir segurando a vantagem, com duas linhas na sua intermediária. Uma com quatro jogadores e outra com cinco, às vezes, seis. Sem qualquer jogador à frente.
O Corinthians buscou atacar em bloco. Mas não conseguia romper as barreiras humanas. E o time apelou. Em vários sentidos. Primeiro, para os chutões de Cássio e dos zagueiros, a ligação direta, que só facilitou o trabalho da zaga do Independiente. Depois, cruzamentos, o que foi mais fácil ainda para segurar o resultado. O Corinthians não tem um grande cabeceador na frente.
A apelação mais patética foi o que Sheik fez. Aos 39 anos, ele entrou para 'incendiar' o jogo. Tentar provocar, desconcentrar os argentinos. Sonhava repetir o que fez há seis anos, contra a defesa do Boca Juniors. Só que ele exagerou, agiu como um juvenil. Sem sequer pegar na bola, ele deu um pontapé absurdo em Sanchez Miño. Até mesmo seus familiares expulsariam Emerson. Ele entrou aos 33 minutos e foi expulso aos 34 minutos. 60 segundos foram suficientes para passar vergonha e atrapalhar ainda mais o Corinthians.
Depois, esperto, Sheik pediu desculpas nas redes sociais.
Chantageando emocionalmente os torcedores corintianos.
"Sim ... Cometi um erro e certamente sou passivo em errar novamente, já acertei muito e vou continuar fazendo as coisas para que a margem de erros seja bem menor que os acertos ... vou continuar com o foco em levantar mais títulos pelo clube que escolhi amar verdadeiramente."
Pedrinho foi mais produtivo com seus dribles, improvisações. Mas não tem força física para jogar sequer um tempo profissionalmente contra equipes fortes. Isso é um problema gravíssimo que o Corinthians precisa resolver.
O resumo do que aconteceu no Itaquerão é simples.
Ganhou o time que foi muito melhor.
O Corinthians segue líder, com sete pontos. O Independiente tem seis pontos, empatado com o Deportivo Lara. O Millonarios tem quatro. Faltam duas partidas para todos os times do Grupo 7. A situação merece cuidado.

O elenco enxuto do Corinthians não dá a possibilidade de variações táticas a Carille. Qualquer treinador de talento já decorou como o seu time atua. O número pequeno de atletas ainda diminuiu.
Perdeu Renê Júnior, Ralf e Clayson contundidos. Sem peças de reposição, a situação é complicadíssima. Não há milagre. O Corinthians perdeu para o Atlético Mineiro demonstrando essa carência, no domingo. Hoje foi pior ainda, escapou de ser goleado.
"É do nosso DNA estar ligado, entramos muito abaixo e pagamos por isso. Equipe deles muito concentrada, devíamos ter igualado. Tiveram chances de fazer o terceiro, até o quarto, jogando no nosso erro e entrando na nossa área. É algo que temos de corrigir, tem de estar organizado e concentrado os 90 minutos.
"Independentemente da competição, não podemos entrar sonolentos como entramos hoje. Equipe melhor que a gente, poderiam ter feito até o terceiro, quarto, pela superioridade", confirmava Carille, após o jogo.
No seu íntimo, ele sabe.
Não foi por 'sono' ou desatenção que o Corinthians perdeu.
Está faltando qualidade e quantidade ao seu elenco.
Triste reflexo da dificuldade financeira que o Itaquerão trouxe.
E o seu mentor, Andrés Sanchez não sabe resolver.
Carille tem excelente potencial como treinador.
Mas ainda não é mágico...

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