Cosme Rímoli Acabou a fantasia. Benzema, mesmo curado, não vai jogar a final da Copa do Mundo. A decisão é de Deschamps

Acabou a fantasia. Benzema, mesmo curado, não vai jogar a final da Copa do Mundo. A decisão é de Deschamps

O atacante, que sofreu uma distensão antes de começar a Copa, está curado. E ainda inscrito pela França. Mas o treinador encerrou qualquer possibilidade de o melhor do mundo jogar amanhã contra a Argentina

  • Cosme Rímoli | Do R7

Mesmo Deschamps deixando claro que Benzema não voltaria, a fantasia prevaleceu em parte da imprensa

Mesmo Deschamps deixando claro que Benzema não voltaria, a fantasia prevaleceu em parte da imprensa

Reprodução/Twitter

Doha, Catar

Karin Benzema.

Bola de Ouro de 2022.

Foi o responsável pelo Real Madrid ganhar a Champions 2021/2022.

34 anos.

Talento enorme como definidor e preparador de jogadas decisivas.

Tem Mostafa como segundo nome. É o sétimo filho de pais argelinos. 

Além de melhor do mundo, seria o grande representante do mundo árabe nesta Copa do Catar.

Seu grande talento já se mostrava nos tempos de juvenis, quando pôde optar por atuar pela França ou pela Argélia. Escolheu o país europeu, como fez Zidane.

Em 2010, foi o grande injustiçado pelo treinador Raymond Domenech, no fracasso do Mundial da África do Sul, pela França. A partir daí, passou a ser figura constante nas convocações. Estava aos poucos ganhando espaço como grande jogador da seleção francesa.

Até que em 2015, de brincadeira ou não, foi condenado pela Justiça francesa por cobrar para não divulgar um vídeo erótico de um companheiro de seleção, Mathieu Valbuena.

Ficou cinco anos e meio afastado da seleção francesa.

O perdão só veio por causa de seu excepcional desempenho no Real Madrid.

A aposta foi pessoal do treinador Didier Deschamps, que venceu a Copa de 2018, na Rússia.

Ele consultou todos os jogadores, principalmente Mbappé, sobre a volta ou não de Benzema ao convívio da seleção francesa, para ser o grande reforço desta Copa do Catar.

A aceitação foi geral.

Todos entenderam que cinco anos e meio fora das convocações, a perda da chance de ser campeão do mundo em 2018 foi mais do que suficiente.

Tudo certo.

Em maio, quando Benzema voltou a ser convocado, houve clima de festa na França.

A imprensa passou a ver o time muito mais forte.

Ele também se mostrava diferente, havia esquecido a arrogância dos primeiros tempos de seleção.

Estava perfeitamente enquadrado.

E jogando cada vez melhor pelo Real Madrid.

A conquista da Champions e a escolha do melhor do mudo só deixaram maiores as expectativas, aqui no Catar.

Mas veio o imprevisível.

Uma lesão na coxa esquerda, nos treinamentos, já aqui em Doha, foi diagnosticada como impossível de ser curada a tempo para que ele disputasse o Mundial.

Benzema em ação. Há dois dias jogando amistoso. Está recuperado da lesão na coxa esquerda
Benzema em ação. Há dois dias jogando amistoso. Está recuperado da lesão na coxa esquerda Real Madrid

Foi chocante para a delegação.

Para Deschamps, que perdia a dupla sensação Benzema e Mbappé.

Os médicos franceses fizeram de tudo para tentar recuperá-lo para jogar ao menos a fase eliminatória da Copa. Mas exames mostravam que não teria como.

E, no dia 19 de novembro, foi cortado.

Havia a chance de a França convocar um novo jogador.

Deschamps optou por não chamar. Deixou seu time com 25 atletas.

A imprensa do mundo todo ficou dividida. Seria uma homenagem ou a esperança de que ele se recuperasse no Real Madrid. E ainda voltasse a tempo de reforçar a França, o que legalmente seria possível, já que nunca foi cortado da delegação.

Foi criado um clima de suspense aqui em Doha.

Porque as notícias que vinham de Benzema eram cada vez melhores.

A ponto de ele ter participado de um amistoso há dois dias, contra o Leganés, se preparando para a volta do Real Madrid no Campeonato Espanhol, dia 30, contra o Valladolid.

Enquanto isso, a França seguiu com uma campanha firme na Copa, até chegar à decisão do título, amanhã, contra a Argentina.

Deschamps ficou irritadíssimo algumas vezes quando lhe foi perguntado se estava esperando Benzema. E ele seria o grande reforço do time na fase decisiva da Copa, da final.

O treinador bufou, em ar de reprovação.

E tratou de "responder" ácido.

"Próxima pergunta."

Ou seja, ele optou por prestigiar seu time, que conseguiu levar a França a outra decisão de Copa do Mundo.

Mas, para agradecer a Benzema, não convocou outro atleta.

E reservou a ele uma medalha.

Caso a França seja tricampeã mundial, ele também será considerado vencedor.

Já que faz parte dos 26 convocados.

Benzema pode ser a grande surpresa, amanhã, aqui em Doha.

Mbappé e Benzema. A dupla que o mundo sonhava ver aqui no Catar. Lesão impediu

Mbappé e Benzema. A dupla que o mundo sonhava ver aqui no Catar. Lesão impediu

Reprodução/Twitter

Mas para assistir à decisão contra os argentinos, no Lusail Stadium.

E só entrar em campo para pegar sua medalha, se a França vencer.

Ou até perder, já que o vice também tem direito à condecoração.

O suspense pode até ter vendido mais jornais na França.

E até aqui no Catar.

Mas a volta de Benzema nunca esteve nos planos de Deschamps.

Tudo de que ele precisa na final de amanhã são jogadores no auge da forma.

E o técnico sabe muito bem que o atacante de 34 anos não está.

Além disso, tem de "prestigiar" os atletas que levaram a França até a decisão.

Ou seja Benzema, no Catar amanhã, só na tribuna.

Se vier.

Porque, sempre direto, postou nas redes sociais ontem uma mensagem de fácil interpretação.

"Não estou interessado..."

(Na última entrevista, antes da final de amanhã, Deschamps foi direto em relação ao tema.

"Tenho jogadores que já se machucaram antes. Karim é um deles. O último a se machucar foi Lucas Hernandez. Desde então, tenho 24 jogadores para administrar. 

"Vocês estão espalhando a notícia entre os jornalistas estrangeiros?", ironizou o treinador.

Sem fantasia, Benzema está fora da final...)

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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