O peso do passado: vitória sobre o Japão alerta para ciclo exaurido na seleção
Alisson, Danilo e Casemiro são os pontos fracos e que podem colocar a seleção em um looping de falhas no Mundial
A vitória da seleção brasileira sobre o Japão traz o alívio imediato do resultado, mas deixa um rastro de inquietação que o torcedor mais atento não pode ignorar. Ganhar é ótimo, claro. Mas o futebol de alto nível exige olhar além do placar.
E o que se viu em campo ligou o sinal de alerta, principalmente em três pilares da chamada “velha guarda”: o goleiro Alisson, o lateral Danilo e o volante Casemiro.
Em uma partida que deveria ditar o ritmo e a renovação técnica, o trio sobressaiu — infelizmente, pela lentidão e pela desconexão com a intensidade exigida hoje no cenário internacional.
Alisson: a insegurança que contagia
Há tempos se discute o status de intocável de Alisson na meta brasileira. Contra o Japão, a falta de ritmo e de decisões firmes cobrou o seu preço. O goleiro falhou ao sair atrasado para o chute de Sano, que abriu o placar em Houston. Há quem diga que não teve culpa, mas eu afirmo que sim!
Quando a seleção precisava de um “porto seguro” lá atrás para conter a velocidade dos pontas japoneses, Alisson ofereceu rebotes perigosos e uma postura excessivamente estática. Na Copa do Mundo, em que um erro custa o retorno para casa, a letargia mostrada pelo camisa 1 é um luxo que o Brasil não pode se dar.
Danilo: o teto técnico que prende o time
Na lateral direita, Danilo entregou o que dele sempre se espera: rigidez tática e pouca ousadia. O problema é que o futebol moderno sufoca laterais que não agridem, que não quebram linhas.
Previsível no apoio e vulnerável quando exposto a um contra um na velocidade, Danilo parecia correr atrás do vento contra o dinâmico ataque japonês. Ao centralizar demais e abdicar do corredor, ele engessou o lado direito da seleção, transformando o setor em uma avenida de passes laterais sem qualquer verticalidade. A insistência em sua titularidade parece mais apego à hierarquia do que mérito técnico atual. Ainda mais depois que o lateral foi determinante a favor do adversário. Inadmissível!
Casemiro: o combustível chegou ao fim?
O caso mais alarmante, contudo, é o de Casemiro. Dono de uma história incontestável com a Amarelinha, o volante viveu uma jornada sofrível no meio-campo. A outrora implacável capacidade de antecipação e combate deu lugar a um festival de faltas tardias e passes errados na transição.
O Japão deitou e rolou nas costas do nosso camisa 5. Sem o vigor físico para cobrir a largura do campo, Casemiro expôs a linha defensiva e atrasou quase todas as saídas de bola, jogando contra o próprio DNA de velocidade da equipe. Ver um gigante como ele ser superado na intensidade física dói, mas constata o óbvio: o tempo passa para todos.
A vitória serve para corrigir os rumos sem a crise do resultado, mas não pode mascarar o óbvio. Manter a espinha dorsal de ciclos passados por pura gratidão ou “experiência” é caminhar para o precipício. Se o Brasil quer o título, precisará de coragem para oxigenar o time. O Japão correu mais, pensou mais rápido e expôs as nossas fragilidades. Ficou o aviso.
Abre o olho, Ancelotti!
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