Seleção do Irã usa sanções como "inspiração" na Copa, diz técnico
Mais Esportes|Do R7
Por Tatiana Ramil
FLORIANÓPOLIS, 20 Fev (Reuters) - As sanções econômicas impostas ao Irã por causa de seu programa nuclear afetam o futebol do país, mas também podem ser usadas como "inspiração" para a equipe durante a Copa do Mundo, segundo o técnico da seleção iraniana, o português Carlos Queiroz.
Em Florianópolis para o seminário da Fifa com os 32 times que participarão do Mundial neste ano, Queiroz explicou que as sanções prejudicam a preparação de sua equipe.
"Infelizmente as sanções afetam o país em geral, e isso atrasa um pouco nossas decisões, porque nós precisamos de financiamento para pagar os hotéis, as equipes, todas essas coisas. Mas a seleção do Irã está fazendo um esforço enorme e vamos encontrar uma solução para isso", disse ele a jornalistas na quarta-feira.
"As sanções afetam, mas também têm sido nossa fonte de inspiração. Tem sido o grande desafio que eu tenho enfrentado com a seleção, que é com menos possibilidades que os outros, com mais complicações que os outros, tentar chegar um pouquinho mais à frente que os outros. Vai ser divertido se conseguirmos fazer isso."
O Irã sofre sanções por parte de países que visam pressioná-lo a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio, que o Ocidente acredita ter por objetivo atingir a capacidade de construir armas nucleares. O Irã alega que seu programa tem fins pacíficos.
Um dos maiores rivais do Irã nesta disputa, os Estados Unidos, ficarão concentrados para a Copa na mesma cidade que os iranianos, em São Paulo, o que é visto com tranquilidade por Queiroz.
"Não tem qualquer preocupação. Viemos aqui para fazer uma festa, participar da festa do futebol brasileiro, esta é a pátria do futebol. E nesta linguagem do futebol nós pertencemos às Nações Unidas do futebol, aqui é a Fifa quem manda", disse.
Dentro de campo, Queiroz sabe que a tarefa dos iranianos é complicada no Grupo F, com Argentina, Nigéria e Bósnia, e acredita que o time precisa estar muito bem montado para conseguir bons resultados no Brasil.
"Os (nossos) jogadores não são os melhores, os outros têm melhores, a experiência os outros têm mais. Então nós só temos uma chance: trabalhar muito para formar uma boa equipe", declarou o ex-treinador do Real Madrid e ex-auxiliar técnico do Manchester United, que evitou falar do futuro após o Mundial.
Queiroz prevê apoio da torcida brasileira na Copa, assim como aconteceu com o modesto Taiti na Copa das Confederações do ano passado, mas espera "retribuir melhor do que o Taiti conseguiu", referindo-se às goleadas sofridas pelo país no torneio.
"Especialmente contra a Argentina acho que os brasileiros vão apoiar o Irã", declarou ele, rindo, sobre o jogo de 21 de junho, em Belo Horizonte.
"JEITINHO" BRASILEIRO
Queiroz é um dos três treinadores de Portugal na Copa de 2014, ao lado de Paulo Bento, da seleção portuguesa, e Fernando Santos, da Grécia, motivo de comemoração para ele.
"Mostra que Portugal nos últimos 15, 20 anos tem trabalhado muito, tem apostado na formação de jogadores e treinadores. Temos vários treinadores em várias partes do mundo. É uma feliz coincidência eu estar no Irã, o Fernando na Grécia e Portugal se classificar para a Copa do Mundo no Brasil, a pátria do futebol, de língua portuguesa", disse.
"Ter três treinadores portugueses aqui é muito bom para nossos treinadores, para o nosso futebol, e para nos abrirem mais oportunidades", completou ele, que substituiu Luiz Felipe Scolari como técnico de Portugal e comandou a equipe no Mundial de 2010, quando foi eliminada nas oitavas de final para a Espanha, que seria a campeã do torneio.
O treinador disse torcer para que Cristiano Ronaldo, eleito o melhor do mundo pela Fifa neste ano, seja o grande destaque da competição no Brasil, que começa em 12 de junho.
"Nós temos hoje um conjunto de príncipes, que são o Cristiano, o Messi, e outro que nasce com muita força, o Neymar, tem o Robben, o Ribéry. A Copa do Mundo é um momento de eleger um dos reis, e espero que este ano o Cristiano possa ser outra vez o rei do futebol", afirmou.
Queiroz declarou não ter preocupação com problemas de infraestrutura no Brasil, mas reconhece que o país vai precisar de seu tradicional "jeitinho" para deixar tudo pronto para o Mundial, após atrasos nas obras de estádios, mobilidade urbana e aeroportos.
"No final tudo vai acontecer bem. Com um jeitinho aqui, um jeitinho acolá, mas não temos nenhuma preocupação. E como se viu na Copa das Confederações, foi um espetáculo fantástico (nos estádios)."










