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‘Faltando meia hora para chegar ao cume, vi um cadáver’, revela brasileiro após escalada histórica

Gustavo Cordoni escalou o Everest e o Lhotse em menos de 24 horas e revelou os desafios em entrevista à RECORD NEWS

Mais Esportes|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Gustavo Cordoni, aos 23 anos, tornou-se o sul-americano mais jovem a escalar o Everest e o Lhotse em menos de 24 horas.
  • A jornada de 50 dias contou com o apoio crucial dos Sherpas, que desempenham papéis essenciais na segurança e logística da escalada.
  • Além do Everest, Cordoni almeja completar o desafio dos 14 Cumes, considerado o ápice do montanhismo, até 2028.
  • O custo elevado da escalada, incluindo permissões e equipamentos, é um desafio, mas Cordoni busca patrocinadores para apoiar suas futuras expedições.

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Gustavo Cordoni se encontrava na zona da morte. A mais de 7.500 metros de altura, o jovem de 23 anos estava próximo de conquistar o Monte Everest. A temperatura inferior a -30°C causava dor nas extremidades do corpo. O ar era rarefeito. Os ventos de quase 100 km/h quase o derrubaram em um ponto em que qualquer escorregão pode ser fatal. No topo, a única companhia são os corpos de outros escaladores.

“Faltando meia hora para chegar ao cume, eu vi um cadáver ali. É uma situação difícil. [...] Se você for se abalando a cada cadáver que você ver, você não chega. A vontade de chegar tem que ser maior”, afirmou em entrevista exclusiva ao Link News desta quinta-feira (28). Quando atingiu o topo do Everest, olhou para o sul e avistou o Lhotse, a quarta montanha mais alta do mundo com ligação direta ao monte. A missão não tinha acabado.


Diversas barracas amarelas são armadas por alpinistas que se aventuram no Everest.
O Monte Everest atrai milhares de turistas todos os anos e movimenta a economia local Reprodução / Record News

Em menos de 24 horas, no dia 20 de maio, atingiu os topos das duas montanhas e tornou-se o sul-americano mais jovem a concluir o desafio, chamado de Double Head. A jornada completa durou cerca de 50 dias e não poderia ter sido concluída sem a ajuda dos Sherpas, uma etnia próxima das montanhas que atua como guia. “Eles que nos protegem, montam equipamentos, fazem a comida. [...] Sem eles não tem Everest”.

O território é traiçoeiro e vulnerável a desabamentos. Cordoni conta que o momento mais assustador ocorreu cinco minutos após a expedição atravessar uma cascata de gelo. A estrutura desmoronou. Apesar do perigo pelo qual passou, ele revela: “Eu já estou com saudade de lá! [...] Gosto muito disso. Quero viver isso. Então é difícil também lidar com a rotina comum do dia a dia”.


A ‘Copa do Mundo’ do montanhismo

Quando está a 934 m acima do nível do mar, na cidade natal de Curitiba, o jovem é estudante de direito no último ano do curso e diz que precisa de disciplina para balancear a vida dupla que escolheu. Desde os 11 anos pratica a escalada e foi assim que conheceu Waldemar Niclevicz, o primeiro brasileiro a escalar o Everest. “Ele me contou as histórias e tudo mais e me apaixonei por aquilo. Tive ele como mestre nesse momento”.

A ambição de Cordoni vai além da principal conquista de Niclevicz. O escalador quer ser o primeiro brasileiro a completar o desafio dos 14 Cumes, o que é, nas palavras dele, “a Copa do Mundo do montanhismo”. O objetivo é concluir a missão até 2028, mas a conta não será barata. Só para conquistar o Everest, ele supõe que gastou em torno de US$ 60 mil.


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“Você tem que pagar uma permissão [...] que é 15 mil dólares. Tem custo de equipamento, passagem aérea. [...] Também tem que ‘subornar’ várias pessoas lá, no sentido de dar uma gorjeta para o Sherpa”. O alpinista espera que escalar a maior montanha da Terra logo no início atraia a atenção de patrocinadores nas próximas expedições para o Cho Oyu, no Himalaia, e o Manaslu, no Nepal.

Assim, Cordoni poderia cumprir a própria meta de deixar um legado tão marcante para o esporte brasileiro quanto o do mestre. “Trazer esse título para o Brasil. Poder inspirar uma nova geração. Eu vim da cadeira da faculdade, então é muito legal voltar agora. Ver os colegas e falar: ‘Eu consegui’. Saí da mesma cadeira que você e cheguei lá”.

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