Com outra queda, Portuguesa chega ao fundo do poço
Mais Esportes|Do R7
"O clube está quebrado", avisou o presidente da Portuguesa, Ilídio Lico, dias antes do segundo rebaixamento da equipe, que nesta terça-feira caiu da Série B do Campeonato Brasileiro para a Série C. O recado do dirigente era claro: não é possível arcar com as despesas do clube, avaliadas em R$ 500 mil mensais, com um valor recebido entre patrocínios, bilheterias e premiações inferior a R$ 300 mil.
A Portuguesa parece viver um pesadelo sem fim, iniciado no último ano, quando a permanência confirmada na Série A do Brasileirão foi substituída por um rebaixamento fora de campo, após ser punida pelo STJD por causa da escalação irregular do jogador Héverton na partida contra o Grêmio.
A queda inesperada provocou uma mudança brusca no planejamento financeiro para a próxima temporada, baseado no valor recebido pelos clubes da Série A, muito superior ao ganho dos times que disputam o acesso. A cota oferecida para a Portuguesa na última temporada, quando disputou a primeira divisão, foi de R$ 18 milhões. Na Série C, apenas passagens de ônibus e aéreas (para distâncias acima de 700 quilômetros) serão pagas pela CBF.
Com seis treinadores na temporada e um elenco inchado, com 47 jogadores, a Portuguesa não conseguiu evitar novo rebaixamento. O número excessivo de atletas é um dos motivos para a grave crise financeira que assolou o clube nos últimos meses. Lico avisou que as despesas eram maiores que os benefícios, mas já era tarde e nada poderia ser feito. "É complicado. O torcedor quer que contrate jogadores e tem suas razões para isso, mas não podemos fazer muito desta forma", disse o presidente.
Um dos treinadores com maior identificação com a torcida lusitana, Vagner Benazzi apontou culpados para o segundo rebaixamento consecutivo. "A equipe assumiu em uma situação complicada, mas colocaram três diretores do amador que não tinham condições de estar ali. No futebol você tem que aprender com o futebol para depois poder exercer a função. Não adianta colocar lá", disse o ex-treinador do clube, que não conseguiu vencer na curta passagem pela equipe e também sofreu com salários atrasados.
FUTURO - Com um orçamento enxuto, a Portuguesa precisará organizar bem os gastos e realizar contratações certeiras. Ao menos é o que acredita torcedores e ídolos do clube. Para Capitão, o retorno à Série B terá de ser com uma equipe forte. "A Portuguesa precisa de um elenco de Série A para disputar as próximas competições. Se trouxer jogadores de nível baixo, quem garante que a equipe sairá de lá?", disse o ex-volante e ídolo da equipe.
Torcedores também estão com um pé atrás. De acordo com Luiz Pecego, de 25 anos, é necessário seguir os exemplos de clubes que foram bem-sucedidos com investimentos menores. "São projetos como o do Ituano e recentemente o do Mogi Mirim que precisam ser utilizados. O formato de um clube-empresa pode ser uma alternativa. O problema é que as duas vezes em que a equipe seguiu um projeto semelhante com Ability e Banif não foi bem-sucedida após a saída das empresas", disse o torcedor.
Basílio, campeão paulista pela Portuguesa em 1973, afirma que os ex-jogadores da equipe devem estar à disposição do clube neste momento complicado. "No que depender de mim vou ajudar no que for necessário para ela voltar para onde merece, já que tudo que conquistei na vida foi por causa da Portuguesa. Em um momento tão delicado como este, tenho certeza que muitos daqueles que devem um favor para o clube vão ajudar", resumiu o ex-jogador.
Se a queda foi um reflexo da falta de estrutura financeira e política durante a competição, a substituição de Héverton, aos 32 minutos do segundo tempo, contra o Grêmio em 2013, será sempre lembrada por torcedores e admiradores como o início do maior pesadelo da história do clube.










