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Calamidade no Rio surpreende argentinos que vão aos Jogos

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Habituados a ver o termo calamidade aplicado a terremotos e inundações, os argentinos que vão aos Jogos do Rio tentam entender as consequências do decreto publicado pelo governador interino do Rio, Francisco Dornelles (PP), na última sexta-feira. A maior incógnita é o impacto sobre a segurança e o trânsito, caso haja protestos por falta de pagamento ou de serviços básicos como atendimento em hospitais. O governador anunciou medidas "muito duras", o que foi interpretado como corte de gastos.

O comerciante Claudio Jove, 54 anos, dono de uma loja de calçados que pretende chegar ao Rio no dia 5 de agosto, ficou assustado ao saber que o governo fluminense admitiu estado de calamidade. "Alguém pensa logo em um grande desastre, acho que o termo pode ser uma má propaganda para a cidade", opina. Se o único efeito da medida for conseguir o empréstimo para conseguir custear os Jogos, ele acha que não haverá problema para os turistas.


O governo de Mauricio Macri, que assumiu em dezembro, adotou estratégia semelhante ao declarar emergência por um ano na áreas de energia e segurança pública, um modo de saltar licitações para concretizar obras ou contratações urgentes. "Imagino que o governo federal do Rio vá liberar o dinheiro. Mas se isso causar protestos ou uma instabilidade que leve a um alto grau de insegurança, repensarei se viajo ou não. Vou ficar atento nos dias anteriores para decidir conforme a situação", diz Jove, que esteve no Mundial seguindo a seleção argentina e achou o Rio mais seguro que em visitas anteriores.

No Comitê Olímpico Argentino, o tema não foi tratado formalmente porque anúncio ocorreu num feriado que se estendeu até esta segunda-feira, mas a notícia chegou imediatamente à cúpula da entidade. Um dos diretores, Eduardo Moyano, estará pela sexta vez em uma Olimpíada. "Como em Jogos anteriores, sempre somos questionados sobre possíveis problemas. É preciso cuidado porque são questões em geral usadas politicamente contra quem está no poder", disse.


Questionado se a eventual falta de pagamento de salários ou serviços públicos poderia provocar protestos que comprometam o trânsito e a segurança, Moyano disse confiar no governo local. "É um tema que as autoridades têm de resolver. Isso vai além do âmbito esportivo. Opinar sobre isso e tentar prever o que vai ocorrer seria uma falta de respeito."

Os atletas que permanecerão na Vila Olímpica e competem na Barra da Tijuca tendem a estar isolados de manifestações ou eventuais problemas decorrentes de problemas de engarrafamento, mas há preocupação entre os que precisam de deslocar para outras regiões da cidade.

Filho de argentino, o jogador de hóquei Luca Masso, de 21 anos, nascido na Bélgica, defenderá a Argentina pela primeira vez em uma Olimpíada. Ele acredita que os problemas externos levantados recentemente, como os mosquitos, a insegurança e a questão financeira, não devem afetar a competição. Mas admite surpresa por esses temas terem ofuscado notícias sobre as estrelas que confirmam ou descartam presença, possíveis recordes e o legado que a competição deixará para o Brasil. "É estranho par mim ficar falando de segurança e situação econômica. Mas é aí que serão os Jogos, enfim."

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