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Brasileiro que joga polo aquático pelos EUA sonha com uma medalha no Rio-2016

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Aos 34 anos, Tony Azevedo vive a expectativa de brilhar nos Jogos Olímpicos de 2016. Brasileiro de nascimento, mas norte-americano de coração, o capitão da seleção de polo aquático dos Estados Unidos está cotado para ser o porta-bandeira da delegação no Rio. Ele foi medalha de prata na Olimpíada de Pequim, em 2008, e garante que não vai desistir do sonho antes de subir ao lugar mais alto do pódio. Nesta entrevista exclusiva, o jogador do Sesi-SP fala de suas ambições e do legado que espera deixar no País.

Agência Estado - Qual sua expectativa para os Jogos Olímpicos no Rio?


Tony Azevedo - Acho que temos uma grande chance de ganhar medalha. Mas meu sonho é o ouro, pois falta para mim. Já tenho uma prata. Vamos treinar nove meses juntos e temos um time com alguns atletas que já disputaram a Olimpíada, como o goleiro, o marcador, mas temos também jovens. Nesse período de treinamento, eles vão crescer muito.

AE - É boa essa geração dos Estados Unidos?


Tony Azevedo - É ótima. Tem um talento incrível, só falta jogar mais junto. Tem atletas que estão na universidade, mas vamos nos reunir para treinar. Acho que vamos crescer bastante.

AE - Dá para fazer uma relação do esporte nos Estados Unidos e no Brasil?


Tony Azevedo - Existem vários atletas talentosos, acho que com o tempo eles têm possibilidade de chegar a um nível alto como os europeus. Só que nos Estados Unidos é mais sério, se treina 12 meses por ano, a escola e a natação são juntas. No Brasil tem campeonatos de três meses e aí para. Tem de ser como os europeus, com campeonatos de nove meses, e treinar muito mais forte na natação e musculação.

AE - Você vai para sua quinta Olimpíada, em um país que é potência esportiva como os Estados Unidos. Como você vê o status que atingiu?


Tony Azevedo - Comecei a jogar aos 8 anos e não me vejo parando. Acho que o momento não chegou. Sou apaixonado pelo polo aquático, gosto de treinar, de jogar, meu sonho é ganhar a medalha de ouro e não quero parar enquanto não fizer isso.

AE - Você está cotado para ser porta-bandeira da delegação dos Estados Unidos no Rio. Como está isso?

Tony Azevedo - Se for escolhido, vai ser um sonho, não só para mim, como para o esporte também. Será muito importante para o polo aquático no mundo. Vamos ver o que vai acontecer.

AE - Você é uma referência na sua modalidade nos Estados Unidos. Isso pesou para você não aceitar o convite de atuar pela seleção brasileira?

Tony Azevedo - Eu comecei com os Estados Unidos e fiz uma história muito grande lá. Sair para outra seleção, deixando os jovens que treinam comigo, não valia a pena. Esse não é o modelo de esporte que eu gosto, de jogar só pelo dinheiro. Eu jogo pelo meu país, que no esporte é os Estados Unidos.

AE - Agora você vem fazendo esse projeto de ajudar os jovens talentos no Sesi, em São Paulo. Você quer deixar um legado também no Brasil?

Tony Azevedo - Claro, isso para mim é muito importante. Quero que o esporte cresça e meu sonho é fazer o polo aquático ser muito maior aqui. O Brasil é um país grande, quente, ótimo para essa modalidade. Estou ajudando nisso.

AE - Como você vê as chances da seleção brasileira na Olimpíada?

Tony Azevedo - O incrível do esporte é que milagres podem acontecer. O Brasil tem um dos melhores jogadores do mundo, que é o Felipe Perrone, vamos ver se terá o goleiro sérvio, que está sendo contratado, e tem um ótimo centro. Os jogadores são bons, o difícil é que será a primeira Olimpíada para a maioria deles. Não é fácil jogar como um craque na estreia.

AE - Como foi sua trajetória para se tornar um jogador dos Estados Unidos?

Tony Azevedo - Eu saí do Brasil com dois meses e fui para os Estados Unidos. Comecei a jogar polo aquático e beisebol aos 8 anos. Com 14, fui na Olimpíada de Atlanta, para ver como era a modalidade. Quando vi a Espanha ganhar a medalha de ouro, falei para meu pai: "Eu vou jogar a próxima Olimpíada". Ele falou: "Você é gordo, não nada bem, vai ter de trabalhar muito". Nos quatro anos seguintes, acordava às 5 horas da manhã, fazia uma hora e meia de musculação, à noite duas horas de natação e duas horas de polo aquático, seis vezes por semana. Em 2000, cheguei à minha primeira Olimpíada, em Sydney, na Austrália.

AE - Qual Olimpíada mais te marcou?

Tony Azevedo - Com certeza a de Pequim, quando ficamos com a medalha de prata. Perdemos a final, mas foi uma experiência incrível.

AE - Quem vai brigar pelo pódio no Rio?

Tony Azevedo - Acho que a Sérvia é a melhor seleção do mundo no momento e favorita. Depois, tem seis ou sete times que podem ganhar um do outro. Essa Olimpíada terá um dos melhores níveis de competição. Pela primeira vez o Brasil está forte, os Estados Unidos estão fortes, tem a Austrália, têm os países europeus. Será uma ótima Olimpíada.

AE - O que torna um jogador de polo aquático bom?

Tony Azevedo - Acho que, como em todos os esportes, você tem de se dedicar muito. Tem de nadar, ficar forte, jogar com bola, mas acho que o importante é a cabeça. Tem de ser inteligente, assim se tornará o melhor.

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