Luxemburgo comenta sobre problemas sociais do Brasil em meio ao coronavírus

Em live com Zico, técnico do Palmeiras afirmou que a desigualdade social está ainda maior por conta da pandemia, que já matou quase 18 mil pessoas no país

Lance

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O Palmeiras está seguindo as recomendações sanitárias do estado de São Paulo e mantém o isolamento de seus funcionários e jogadores, que estão seguindo uma rotina de treinamentos passadas pela comissão técnica. O treinador Vanderlei Luxemburgo, inclusive, vem realizando algumas lives nas redes sociais, seja com o Palmeiras ou com amigos pessoais para informar torcedores e também contar histórias do passado.

Na tarde desta quarta-feira, o convidado foi Zico, com quem já trabalhou e, inclusive, é padrinho de sua filha. Luxemburgo aproveitou a primeira parte da conversa para falar sobre a disparidade social do Brasil, que está sendo ainda mais escancarada com a pandemia do coronavírus.

- A preocupação dos governantes é política. Eu acho que governar é administrar. Os Estados Unidos, maior potência mundial, consegue chefiar guerra de todos os tipos, mas agora vem um vírus e eles não estavam preparados para isso. Foi o país que mais morreu gente. Eles pegaram caminhões frigoríficos para colocar os corpos porque não tinha local para colocar os corpos – iniciou antes de falar sobre a situação no Brasil:

- O pessoal falando do Brasil, falando que os hospitais estão sem vagas. Mas, peraí, há quantos anos escutamos falar que os doentes morrem ou ficam nos corredores dos hospitais na saúde pública? Para mim, o mais grave, o que mostra nossa disparidade social, é (...) isolamento, para nós, é claro que estamos em dificuldade, ficar 65 dias dentro de casa, sem se locomover, acostumado a sair de casa para trabalhar, você sente falta. É bom que você ajuda a patroa a lavar uma louça, faz isso e faz aquilo.

- Agora imagina o isolamento para a maior parte da população brasileira, que vive na curva da miséria. Imagina um barraco em uma comunidade qualquer, de 15 metros quadrados, com um cara, a esposa, mais cinco, seis, sete, oito filhos, tendo que ficar em isolamento. Ele olha para a geladeira, não pode ir trabalhar, não tem nada para comer, olha para a televisão e não tem nada para ver, não tem uma internet, não tem nada. A maioria da população está vivendo isso. Aí você vê que a disparidade social é muito grande – completou.

A pandemia do coronavírus paralisou competições mundo afora, além de diversas outras atividades econômicas. No Brasil, já são quase 272 mil contaminações confirmadas, além de 17.983 óbitos, segundo dados oficiais divulgados no último dia 19 de maio, à noite.