Torcida paulistana abraça seleção na saída para a estreia na Copa
Equipe do técnico Felipão deixou o hotel aclamada pela população, relembrando velhos tempos
Copa do Mundo 2014|Eugenio Goussinsky, do R7

O relógio marcava 14h47 na ensolarada tarde paulistana. Uma multidão se aglomerava pelas redondezas do hotel Pullman, na Vila Mariana, para acompanhar a saída da seleção brasileira rumo à sua estreia na Copa do Mundo de 2014. Dois minutos de atraso em relação ao horário marcado já foram suficientes para um torcedor gritar.
—Obras atrasadas, estádios atrasados. Não dá agora para a gente ter jogo inaugural atrasado!
Brincadeiras à parte, as milhares de pessoas que se acumulavam pelas calçadas, como se estampassem um beijo verde e amarelo sobre o asfalto, fizeram a seleção brasileira voltar aos velhos tempos de idolatria popular.
Valia tudo para mostrar o apego à camisa amarela, que tantas alegrias já trouxe ao sofrido mas esperançoso Brasil. Homens, mulheres e crianças usavam perucas, buzinas, cornetas, maquiagens ousadas, cabelos pintados e tudo o que pudesse dar um colorido a mais ao cenário urbano. E, acima de tudo, muitos, muitos sorrisos que irradiavam uma alegria extraída do fundo da alma, que parecia estar há muito tempo adormecida.
O corintiano Eduardo Vitoriano, 38 anos, veio do bairro de Guarapiranga, zona Sul, só para acompanhar de perto o momento.
— Manifestação agora, só depois da Copa. É festa. A seleção fala mais alto no momento, vim dar o meu apoio a este clima tão contagiante.
Dilma liga para Felipão e deseja sorte na Copa do Mundo
Por alguns segundos a seleção brasileira fez a cidade mudar de regime, passando de república para monarquia. Desfilou como uma rainha diante dos súditos embevecidos, rendidos à sua majestade. Até os prédios pareciam se curvar ante a sua passagem, colhendo o encanto que ela semeava a cada metro percorrido pelo ônibus.
O sr Ernesto Lourenço, de 62 anos, morador da região, estava empolgado com a atmosfera, mas mantinha os pés no chão.
—A festa tá bonita, mas o povo veio motivar. Querem é ver o resultado dentro de campo. Sem ele não tem festa nenhuma.
Quem comemorava todo aquele movimento era o dono da banca da esquina do viaduto Tutoia com a rua Estela. Os dias de permanência da seleção na região foram os momentos que ele mais vendeu produtos desde que assumiu o negócio.
—Vendi todos os jornais hoje. Já não tenho muitas mercadorias graças ao grande número de vendas. Essa passagem da seleção me deixou muito satisfeito.
Quando o ônibus deixou o hotel e passou pelas ruas cercadas de fãs, os jogadores, contagiados, retribuíam os acenos, com sorrisos e gestos de carinho. E aqueles minutos, desde a saída, até a chegada à 23 de maio, quando o ônibus aumentou a velocidade e partiu para o seu destino, pareceram eternos para quem os presenciou.
Terminada a festa, a população, rejubilada, tomou seu rumo. Enquanto as pessoas se dispersavam, os locais outrora interditados, com grades e faixas, começaram a ser liberados. Até a concorridíssima entrada do hotel. Um encanto permanecia, mas não tinha mais a mesma graça. A seleção já não estava mais lá. Ela já tinha, novamente, caído nos braços do povo.



