Marcas mudam discurso após derrota do Brasil na Copa
Com humor brasileiro modificado, marcas adotaram tom mais sóbrio e reduziram interações
Copa do Mundo 2014|Do R7

Depois da histórica derrota do Brasil para a Alemanha, o humor do brasileiro em relação à Copa do Mundo mudou radicalmente. Sensíveis à torcida, as marcas também modificaram o discurso, adotando um tom mais sóbrio e reduzindo interações. Tudo para evitar que algum desgaste possa decorrer de um evento que, até agora, foi positivo para as empresas envolvidas.
Após o placar de 7 a 1 contra a Alemanha, as marcas trocaram a agressividade nas redes sociais — com posts e vídeos produzidos em tempo real — por uma postura bem mais conservadora. Foi o que fez a Coca-Cola, que tem uma equipe inteira dedicada ao marketing em tempo real, mas só publicou a imagem de um canudo representando o nó na garganta do torcedor brasileiro mais de três horas após o fim da partida.
Outras marcas que "torciam junto" com o brasileiro tiveram de mudar o tom. A Sadia trocou a campanha #jogapramim — que mostrava crianças que nunca viram o Brasil ser campeão mundial — por #tamojuntinho, com mensagens de esperança para o futuro.
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Após a derrota, empresas como Visa, Itaú, Hyundai, Garoto e Nike também reduziram os posts nas redes sociais. O Guaraná Antarctica suspendeu as interações no Twitter, sem nenhuma menção ao vexame da seleção, da qual é patrocinador.
Abandonar totalmente o território, segundo o diretor de graduação da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Luiz Fernando Garcia, não é aconselhável.
— As marcas agiram na Copa como seres humanos, como se tivessem sentimentos. Então, no momento ruim, elas também têm de se posicionar (...) O maior desafio é fazer isso sem ser piegas.
Independentemente da derrota do Brasil, o resultado para as empresas que patrocinaram a Copa do Mundo ou a seleção foi positivo. Segundo o presidente da NeogamaBBH, Alexandre Gama, as marcas decidiram investir na Copa sem contar com a vitória brasileira.
— Tudo o que as marcas queriam da Copa elas conseguiram. O Brasil ser campeão seria um bônus.
Para o publicitário, a derrota do Brasil serve também para as marcas começarem a se despedir do evento, evitando a "ressaca" do assunto.
— As marcas já cumpriram suas metas. Quem participou da Copa conseguiu firmar seu nome na cabeça do consumidor brasileiro.
No lucro, a americana Liberty Seguros investiu pela primeira vez em um grande evento esportivo nesta Copa. "Faturávamos mais de R$ 1 bilhão no País, mas precisávamos de uma aposta de peso para ficarmos mais reconhecidos", afirma Adriana Gomes, diretora de marketing da Liberty Seguros no Brasil.
— Atingimos todos os nossos objetivos já na Copa das Confederações. O que veio depois foi lucro.
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