Jogos sem tradição em sedes fora do eixo fazem ingressos encalharem na Copa 2014
Apesar da beleza das cidades, há entradas para jogos em locais como Cuiabá e Fortaleza
Copa do Mundo 2014|Eugenio Goussinsky do R7

Na venda do lote de última hora da Fifa, a maioria dos ingressos dos jogos da Copa do Mundo de 2014 se esgotou em pouco tempo. Algumas sedes, porém, continuavam com dificuldade para lotar seus estádios, até o fechamento desta matéria. Eram os casos da Arena Pantanal, em Cuiabá, e do Estádio Castelão, em Fortaleza.
Apesar da beleza e do potencial turístico dos locais, muitos torcedores, segundo apurou o R7, não se animaram a viajar grandes distâncias, de centros como São Paulo e Rio de Janeiro, para assistir a jogos sem tradição no cenário mundial.
Um exemplo é o médico Tarcísio Rezende, apaixonado por futebol, que já foi a cinco Copas do Mundo, três Eurocopas e dezenas de jogos internacionais, entre Eliminatórias e Liga dos Campeões da Europa.
Por morar em Ribeirão Preto (SP), nesta Copa do Mundo de 2014, que será a sua sexta, ele escolheu jogos em função da distância e da tradição das seleções, algumas relacionadas à sua vivência futebolística, como a Inglaterra, seleção pela qual tem simpatia.
—Meu critério se baseou na facilidade do acesso que eu teria a certas sedes. E depois, à possibilidade de comprar os ingressos, baseado nas seleções de minha preferência. Foquei em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, por serem locais onde eu poderia ter acesso tanto por avião quanto de carro, se não fosse possível encontrar passagens aéreas.
Para o veterano em Copas, muitas pessoas, ainda mais aquelas que não são tão ligadas a futebol, pensaram da mesma maneira. E o público de alguns jogos ficou mais restrito à população local.
—Para fazer longas viagens é necessário ter um forte motivo. Quem vai para Fortaleza, por exemplo, precisa ficar pelo menos uma semana para aproveitar. Muita gente, como eu, não está de férias. Precisei organizar meus horários e só poderia ir a um local mais próximo.
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Rezende acredita que a sede em Salvador, que ainda não conseguiu lotar o jogo entre Bósnia-Herzegovina e Irã, seria o ponto turístico mais atraente para uma viagem mais longa, já que, numa diferença de apenas três dias, o estádio da Fonte Nova será palco dos clássicos Espanha x Holanda (13) e Alemanha x Portugal (16).
—Seria o único local nesta Copa em que a distância pode ser melhor aproveitada, já que o torcedor se planejaria para ficar quatro ou cinco dias na cidade, para assistir a estes jogões. Acontece que se trata uma situação improvável, pois é muito difícil conseguir ingresso para as duas partidas.
Pouca tradição
Em Fortaleza, o jogo Grécia x Costa do Marfim (24) era o que mais tinha ingressos disponíveis entre todas as partidas. Três setores ainda mantinham a cor verde no site da Fifa. O Castelão ainda tinha entradas para Uruguai x Costa Rica (14).
Já na cidade de Cuiabá, Nigéria x Bósnia-Herzegovina (21), também não demonstrou tanto interesse, mantendo, até a noite do dia 4, dois setores com ingressos disponíveis.
Outras partidas na capital matogrossense que ainda tinham um considerável número de entradas eram Chile x Austrália (13) e Rússia x Coreia do Sul (17). O jogo entre Honduras e Suíça, na Arena Amazônia, em Manaus, também tinha vários ingressos disponíveis.
No caso de Rezende, vascaíno fervoroso, uma questão pessoal o fez tentar e conseguir ingressos para o jogo Bélgica x Rússia (22), no Maracanã.
—Estive neste jogo em minha primeira Copa do Mundo, em 1986, quando a Rússia ainda fazia parte da União Soviética. Foi 4 a 3 para a Bélgica. Agora poderei levar os meus filhos, Luca Vasco e Trícia, de cinco anos, a este jogo, na primeira Copa do Mundo deles.
Rezende também assistirá à partida entre Inglaterra e Costa Rica (24), em Belo Horizonte.



