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BRASILEIRO 2022

Excesso de promessas atrapalhou planejamento da Copa, diz especialista

Expectativa foi criada em uma época em que o Brasil vivia outra situação

Copa do Mundo 2014|Eugenio Goussinsky, do R7

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Jeitinho brasileiro ajuda, mas não em tudo
Jeitinho brasileiro ajuda, mas não em tudo

O especialista Fernando Prestes Maia, cuja empresa presta serviços à Fifa desde a Copa de 2006, considera que a empolgação que o Brasil vivia em 2007 fez com que o governo prometesse muito mais do que, com a mudança do panorama econômico e social, poderia oferecer.

— Na época da escolha das sedes da Copa e da Olimpíada de 2016 houve um clamor de que o Brasil tinha condições, estava bem economicamente e tinha a estratégia de firmar sua imagem para o mundo. Era até natural prometer tanta coisa. A Fifa e a comunidade internacional apostaram nesta ideia. Hoje, porém, o contexto é outro e o país não deverá cumprir o que foi prometido, mas ainda é possível, pela qualidade humana do brasileiro, se realizar uma grande Copa do Mundo.


Para ele, se por um lado a Copa está mostrando o verdadeiro Brasil, por outro, o país está perdendo a oportunidade de demonstrar competência ao mundo, na questão de organização de grandes eventos.

— Eventos como uma Copa do Mundo deveriam mexer no subconsciente de uma nação. Claro que o Brasil tem suas características. Mas não é só o jeitinho brasileiro que resolve. A Fifa não quis levar o jeito suíço para o país. Acontece que uma competição deste porte requer padrões básicos de organização, como planejamento, testes e qualidade na prestação de serviços.


O especialista ressalta a intenção da entidade em difundir o futebol para o mundo inteiro.

— Não era intenção da Fifa fazer aqui uma Copa com a marca da organização europeia ou americana. Senão, faria todas as competições nos Estados Unidos ou na Europa. A ideia é acompanhar a globalização do esporte, incentivar a união dos povos de outros continentes dentro do espírito olímpico do futebol, cujas disputas internacionais se iniciaram com os Jogos Olímpicos.


Fifa: jogadores e juízes estão sendo assediados para manipular jogos da Copa 

Experiente neste tipo de competição, já que sua empresa, contratada pela Fifa, presta serviços de hospitalidade, cuidando do atendimento em camarotes, áreas vips e lounges, Prestes Maia participa das entranhas da organização da Copa do Mundo. Seu trabalho está ligado a toda a logística da competição, incluindo hoteis, onde recepciona e forma grupos de turistas para irem aos jogos, passando pelo entorno e chegando ao interior dos estádios.


Apesar das falhas na organização, ele elogia, porém, a segurança do país para o evento, mas diz que as autoridades devem permanecer em alerta em relação questões como terrorismo e manifestações que perdem o controle. Prestes Maia, neto do ex-prefeito de São Paulo e filho de diplomata, já morou em vários países e vivenciou diferentes culturas. A Copa, segundo ele, coloca o Brasil como centro das atenções.

—Se tem uma área que merece elogios é a segurança, as autoridades tomaram todas as providências necessárias, é algo de primeiro mundo. O perímetro das regiões dos estádios e as delegações e hoteis, do ponto de vista técnico, estão assegurados. Acontece que há algo que pode se sobressair a isso. Meu medo está nesta questão global que é o terrorismo. Ou no caso de alguma convulsão social. Trata-se de um evento que é também alvo de grupos com interesses diversos. É preciso estar muito atento para estes fatores. 

Para ele, das três Copas em que atuou, a Alemanha foi a mais organizada porque conseguiu unificar a estratégia do evento com as aspirações do povo.

—Lembro-me de que nas vésperas da competição também houve manifestações. Isso não ocorre só no Brasil. Acontece que a Alemanha conseguiu implantar um slogan de mostrar ao mundo o país unificado. Deu certo, a Copa teve um mote, foi um plano de governo e de Estado com objetivos definidos. No Brasil o mote se perdeu. Este foi um ponto que prejudicou a organização. E a culpa é tanto do governo quando dos organizadores, que não souberam transmitir uma mensagem mais positiva.

Ele também viu falhas na organização da Copa da África do Sul, mas considera que a Copa foi bem-sucedida por ter transmitido ao mundo o projeto vitorioso de Nelson Mandela, ex-presidente do país e símbolo da igualdade entre os povos.

— Aquele Mundial fechou um ciclo político e social mostrando a derrota do apartheid e a África como região de origem dos homens. Uma Copa do Mundo também é importante por isso. No Brasil, as qualidades comportamentais e humanas do povo podem fazer da Copa um belo evento.

Com todos os problemas, ele ainda coloca a organização da Copa de 2014 como mais eficiente do que a de 2010.

— Daria nota 8 para o planejamento e organização da Copa da Alemanha. Nota 6 para a da África do Sul. E nota 7 para a do Brasil. Falhas existem, mas muita gente que não faz parte da operação e que não vivencia os preparativos acaba gerando informações distorcidas.

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