Europeus culpam o clima pela eliminação de grandes seleções na Copa
Jornalistas consideram que equipes tradicionais como Itália e Espanha sentiram mais cansaço
Copa do Mundo 2014|Eugenio Goussinsky, do R7

As opiniões de que a Copa do Mundo do Brasil tem revelado uma superioridade das equipes da América do Sul e outros continentes vizinhos, é rebatida pela maioria dos jornalistas europeus. Para eles, a questão passa muito mais pelos aspectos físicos do que táticos ou técnicos.
Segundo Alejandro Ciriza, do El País, a Espanha e outras seleções anteriormente favoritas, como Itália e Inglaterra, sentiram muito o cansaço por jogar em temperaturas mais altas do que a média na Europa.
— Não acredito em inferioridade das seleções europeias. Os esquemas táticos de algumas delas não funcionaram bem, muito em função da questão física. O clima não ajudou.
Esta tendência não deverá mudar até o fim da competição, de acordo com a análise de Ciriza. A opinião geral na Europa, de acordo com o seu relato, é de que o título fatalmente irá parar nas estantes da CBF ou da AFA, com Thiago Silva ou Messi erguendo a taça da Copa do Mundo.
—É uma situação complicada para os europeus. O favoritismo é fundamentalmente dos sul-americanos, principalmente de Brasil e Argentina.
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Ciriza, porém, destaca o que aconteceu no grupo H para demonstrar que os europeus não perderam a qualidade técnica.
—França e Suíça predominaram no grupo, tendo feito boas campanhas contra times de outros continentes e mais acostumados a temperaturas altas. Quando há possibilidade as equipes europeias têm demonstrado qualidade.
O Uruguai, que eliminou a Itália em jogo dramático, é, na opinião de Ciriza, outra seleção que tem conseguido manter-se bem na competição, demonstrando preparo físico adequado. Mas o jornalista não vê a equipe celeste como uma ameaça a Brasil e Argentina.
—Tudo pode acontecer, mas, em tese, o Uruguai tem menos chances de ser campeão do que os seus principais concorrentes sul-americanos.
Já na opinião do jornalista italiano Luca Caioli, a questão física pega, mas problemas pontuais interferiram na má performance de alguns europeus.
—A Espanha, por exemplo, não foi bem por alguns fatores específicos: geração envelhecida, temporada desgastante e esquema de jogo já conhecido.
Em relação à Itália, ele atribuiu a eliminação a outros fatores que, por sinal, o incomodaram já que, mesmo na condição de jornalista, ele não esconde que torceu muito pela seleção de seu país.
— A Itália confiou muito em Balotelli e em outros jogadores que não responderam à altura. O técnico Prandelli se equivocou, não é seguro entrar em campo na busca pelo empate, que já era suficiente. Um gol pode pode ser a glória ou a ruína. Infelizmente, no caso da Itália, foi a segunda opção.
Para Caioli, que é colaborador do Corrieri della Sera, apesar de estarem entre os principais favoritos, Brasil e Argentina precisam evoluir ainda mais para conquistarem o título.
— O Brasil seguramente é favorito, joga em casa, tem o apoio da torcida. Mas é preciso ver como a seleção brasileira irá se comportar diante de adversários mais qualificados, como Alemanha e França, por exemplo, dois dos europeus que estão avançando.



