As lembranças da tragédia do Torino por uma família de rivais juventinos
'Descobri que podia vencer o Rubicão a pé num trecho em que não passava de um regatinho. Por uns 60 metros o avião teria passado livre', diz Lancellotti
Futebol|Silvio Lancellotti, do R7

Dois relatos marcaram a minha infância de descendente de italianos enraizados no Brasil. Os discursos do meu Nonno Battista com citações em Latim e as imagens do exército de Júlio César a atravessar o Rubicão. E a data da comemoração do aniversário de 36 anos de meu pai.
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O Babbo saudoso nasceu num 3 de Maio mas a Família esperou pelo sábado seguinte, o dia 7, para organizar a festança de praxe. E embora eu fosse um molecote, não me esqueço de que dominaram a tal festança os lamentos e até as lágrimas pelo acidente que vitimara o esquadrão do Torino – e, isso, numa família de rivais juventinos.
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Posteriormente, numa viagem que fiz à Bota, em 1984, tive a oportunidade de, numa semana, auto-psicanalisar os dois episódios. No meu trajeto de carro de San Marino até o Piemonte, pela estrada SS9, eu descobri que podia vencer o Rubicão a pé, num trecho em que não passava de um mero regatinho. Em compensação, me emocionei, e bastante, ao galgar a colina de Superga, da qual se vê a paisagem magnífica de Torino, e fitar, numa parede dos contrafortes da Basílica, aquele ponto exato onde o avião Fiat G.212CP, que levava a delegação daquele esquadrão espetacular do Calcio antigo, fatalmente se chocou.
Meia-dúzia de metros teria o vau do Rubicão à minha frente. E por uns sessenta metros o avião do Torino teria passado livre ao lado da Basílica sem que se perdessem as vidas dezoito craques, cinco dirigentes, três jornalistas, quatro tripulantes e o organizador da excursão a Lisboa.















