Análise: Infantino ‘sai muito prejudicado politicamente’ após proposta de ‘vender’ a Copa
Projeto que previa a venda de parte das ações do Mundial a investidores privados foi abandonado pela Fifa após polêmica
Futebol|Do R7, com RECORD NEWS
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A Fifa desistiu do projeto que previa a venda de parte das ações da Copa do Mundo a investidores privados após forte pressão da Uefa (Union of European Football Associations) e de outras confederações. O presidente da entidade, Gianni Infantino, foi alvo de críticas pela tentativa de negociar parte das operações com a Thrive Capital, empresa ligada à família de Donald Trump.
A proposta buscava captar recursos extras para a Fifa, apesar da situação financeira consolidada da entidade. “É uma proposta que não faz muito sentido do ponto de vista de negócio. A gente está falando da federação mais rica do mundo, aquela que fatura mais com os seus direitos comerciais, transmissão, patrocínios, bilheterias, hospitalidade. Acabou de acabar uma Copa do Mundo que gerou para a Fifa, nesse ciclo de quatro anos, US$ 15 bilhões em receita”, opina Rodrigo Capelo, diretor de conteúdo do Sport Insider.

Além das dúvidas sobre a necessidade financeira da operação, a iniciativa gerou uma controvérsia pelas ligações políticas dos possíveis investidores. A Thrive Capital é comandada por Joshua Kushner, irmão do genro de Trump. Segundo Capelo, esse fator ampliou a resistência ao projeto e fortaleceu a oposição de adversários políticos de Infantino, principalmente dentro da Uefa.
A possibilidade de um boicote à Copa do Mundo por parte das seleções europeias também aumentou a pressão sobre a Fifa. Embora Capelo considere improvável que esse cenário se concretizasse, ele destaca o peso da confederação europeia dentro do futebol mundial.
“Não dá para imaginar uma Copa do Mundo sem a participação das seleções da Europa. A Uefa tem 55 países filiados a ela; ela tem a maior parte das seleções que jogam a Copa do Mundo”, afirma.
Nos bastidores, a falta de apoio de outras confederações acabou inviabilizando o plano. Além da Uefa, entidades de outras regiões passaram a criticar o processo, deixando Infantino sem apoio político para levar a proposta adiante.
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“A Uefa ganha essa queda de braço contra o Infantino nos bastidores e ele sai muito prejudicado politicamente. Ele já tinha algumas questões para tratar em termos de imagem com o fim da Copa do Mundo, a discriminação a estrangeiros durante a competição, a pausa para a hidratação, mas todas essas polêmicas ficaram menores diante da crise que ele arrumou para si mesmo nessa semana”, ressalta o executivo.
O episódio também levanta dúvidas sobre o futuro político de Infantino às vésperas das eleições presidenciais da Fifa, previstas para 2027. Apesar de contar com aliados importantes em diferentes continentes, a crise pode abrir espaço para o surgimento de um adversário competitivo nas próximas semanas.
Com a retirada da proposta, a Uefa surge como vencedora do embate. Além da disputa comercial existente entre as duas entidades, principalmente após a criação da Copa do Mundo de Clubes, a rivalidade também tem uma dimensão política.
“Tem uma disputa comercial, mas, mais importante do que isso, tem uma disputa política, porque o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, já era alguém que vinha se posicionando contra o Infantino de maneira sistemática”, finaliza Capelo.
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