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Pausa para hidratação na Copa divide opiniões: ajuda atletas ou quebra o ritmo do jogo?

Ex-zagueiro corintiano e nutricionista que avaliou o perfil de hidratação da seleção analisam a polêmica das paradas no Mundial

Copa do Mundo|Thainá Barbosa, do R7*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • As paradas para hidratação na Copa do Mundo geram debate, sendo realizadas aos 22 minutos de cada tempo, com duração de três minutos.
  • Chicão, ex-zagueiro, critica a quebra de ritmo causada pelas pausas, mas reconhece sua importância para a saúde e tática dos atletas.
  • A nutricionista Juliana destaca que as pausas são essenciais para evitar a desidratação e manter o desempenho físico e mental dos jogadores.
  • Monitoramento da hidratação da seleção brasileira foi realizado, com estratégias individualizadas para cada jogador, visando otimizar a performance.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Os atletas da seleção brasileira aproveitam a pausa para hidratação para repor líquidos Amanda Perobelli/Reuters - 24.06.2026

As paradas para hidratação voltaram ao centro das discussões na Copa do Mundo, com interrupções previstas em todas as partidas aos 22 minutos de cada tempo para que os atletas se hidratem, com duração de três minutos.

Nas redes sociais, alguns torcedores chegaram a comparar o futebol ao basquete e questionaram se as pausas estariam interferindo no andamento das partidas. Enquanto parte da torcida reclama que a interrupção quebra o ritmo do jogo, especialistas defendem a medida como essencial para preservar a saúde e o desempenho dos atletas.


O debate não se resume a uma divisão simples. Chicão, ex-jogador de futebol e ídolo do Corinthians, acredita que as pausas interferem no ritmo do jogo e permitem ajustes táticos, embora reconheça a importância da hidratação. Já a nutricionista esportiva e representante do GSSI (Gatorade Sports Science Institute) no Brasil, Fernanda Bigliazzi, destaca que as paradas ajudam a reduzir a desidratação e são essenciais para manter o desempenho físico e cognitivo dos atletas.

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A visão de quem esteve em campo

Quem conhece a realidade dentro das quatro linhas entende os dois lados da discussão. Ex-zagueiro do Corinthians e campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes, Chicão afirma que a pausa realmente interfere no andamento da partida.


“Eu acho que quebra o ritmo do jogo, eu não tenho dúvida nenhuma. Se uma equipe está pressionando para fazer um gol, empatar ou virar o jogo, essa pausa acaba interrompendo esse momento. Não tenho dúvida de que isso atrapalha o ritmo da partida.”

Apesar da crítica ao impacto no jogo, o ex-jogador faz questão de destacar que a pausa também cumpre uma função importante para os atletas.


“Sem dúvida nenhuma faz diferença. Muitas vezes, durante a partida, os atletas acabam não se hidratando da forma ideal. Com essa pausa, o jogador praticamente é obrigado a beber água. Então acredito que isso faz diferença.”

Para Chicão, os benefícios da interrupção não se limitam à reposição de líquidos. Segundo ele, a pausa também acaba influenciando o aspecto tático da partida.


“Eu acho que favorece a saúde dos atletas e a estratégia dos treinadores, até porque você dá uma pausa, os atletas respiram para voltar novamente para a partida. E o treinador aproveita o tempo que ele tem para ajustar algumas coisas. Então eu acho que, além de favorecer a saúde dos atletas, ajuda na estratégia dos treinadores e na questão de quebrar o ritmo de jogo também.”

Carlo Ancelotti, técnico do Brasil, passa instruções aos jogadores durante a pausa para hidratação Marco Bello/Reuters - 24.06.2026

O que acontece com o corpo em campo

Do ponto de vista científico, a nutricionista Fernanda Bigliazzi explica que a interrupção vai muito além de matar a sede. Segundo ela, durante uma partida de futebol, o organismo trabalha constantemente para controlar a própria temperatura corporal.

“Quando a gente se exercita, o corpo aquece. Para evitar um superaquecimento, entra em ação um mecanismo chamado termorregulação, que acontece principalmente por meio da produção de suor. O problema é que o suor não é composto apenas por água. Também perdemos sais minerais, como o sódio. Se essa reposição não acontece, começam a surgir os prejuízos da desidratação.”

Esses prejuízos vão além do desgaste físico. A especialista explica que a perda de líquidos compromete o funcionamento de todo o organismo.

“Conforme a desidratação aumenta, o sangue fica mais concentrado, o coração precisa trabalhar mais para bombear oxigênio e nutrientes, e isso prejudica tanto a performance física quanto a performance mental. É por isso que a hidratação é tão importante.”

Três minutos podem mudar o jogo?

Mesmo reconhecendo que três minutos podem parecer pouco, a nutricionista afirma que qualquer oportunidade para hidratar os atletas é válida.

“Quanto maior a oportunidade para hidratação, melhor. Mas, em um esporte coletivo, o jogador não pode simplesmente parar quando sente sede. Então, essa pausa cria uma oportunidade importante para interromper o aumento da temperatura corporal e fazer pelo menos uma reposição mínima de líquidos.”

Fernanda reforça que a discussão não deve ficar restrita aos jogos disputados sob calor intenso.

“Em temperaturas mais altas, a necessidade realmente é maior. Mas a hidratação faz parte da preparação esportiva em qualquer condição climática. A sede, inclusive, já é um sinal de que o corpo iniciou um processo de desidratação.”

Os bastidores da preparação da seleção brasileira

A especialista ainda revela que participou de um trabalho de monitoramento da hidratação junto à seleção brasileira antes da Copa do Mundo. Durante a preparação, foram avaliados fatores como perda de suor, concentração de sódio, hábitos de consumo de líquidos e o perfil individual de hidratação de cada atleta.

Os jogadores da seleção brasileira posam para a foto oficial da equipe antes da partida contra a Escócia Sam Navarro/Reuters - 24.06.2026

“A partir desses dados, elaboramos recomendações individualizadas para cada jogador. Conseguimos identificar quem perde mais líquidos e eletrólitos e orientar a melhor estratégia antes, durante e depois dos jogos. A hidratação influencia não apenas a parte física, mas também o desempenho cognitivo.”

Para ela, a principal estratégia começa antes mesmo do apito inicial.

“O ideal é que o atleta já inicie o jogo bem hidratado. Depois, aproveite ao máximo as pausas e o intervalo para consumir a bebida adequada e, ao fim da partida, faça uma recuperação completa para repor tudo o que foi perdido.”







*Sob supervisão de Camila Juliotti

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