Europeus anunciam boicote à Copa do Mundo e a outros torneios da Fifa
Membros da Uefa protestam contra o plano da entidade de vender participações em competições a investidores externos
Futebol|Do R7, com Reuters e Estadão Conteúdo
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As federações membros da Uefa votaram nesta quinta-feira (3), por unanimidade, pelo boicote à Copa do Mundo e a outras competições da Fifa.
O protesto da entidade que rege o futebol europeu é contra o plano da Fifa, anunciado nesta semana, de vender participações a investidores externos em uma subsidiária que administrará os torneios.
“Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada”, diz a Uefa em comunicado.
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, determinou terça-feira (28) um prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem o plano. A carta enviada aos membros afirma que quem rejeitasse a proposta poderia perder em até 75% do financiamento previsto no novo modelo.
Seguindo o calendário, os próximos campeonatos em que seleções europeias principais estariam presentes seriam os playoffs das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina, no mês de outubro. De acordo com o prazo estabelecido por Infantino, a proposta já terá uma aprovação ou não por parte das confederações antes do torneio.
Antes desta competição, porém, haverá o Mundial feminino da categoria sub-20 na Polônia. Com início em 5 de setembro, este poderá ser a primeira efetivação do boicote, caso ele se mantenha.
Veja a carta da Uefa sobre a decisão:
A UEFA e as suas 55 federações-membro mantêm-se unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na Copa do Mundo e noutras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol. Foi construída ao longo de várias gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos de todos os continentes. Nenhuma parte dele deve, jamais, ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É simultaneamente irresponsável e indefensável que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão do desporto. Isto não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA enquanto guardiã do futebol mundial.
As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Não se trata de uma “decisão democrática”, mas sim de uma governação baseada na intimidação — um ato de coação indigno de uma instituição a quem foi confiada a gestão do futebol mundial.
Mas a nossa oposição vai muito além do processo.
No momento em que os investidores externos adquirem participações nas competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se numa pressão diária. A partir desse momento, todas as decisões relativas ao calendário internacional, aos formatos das competições e ao futuro do futebol deixam de ser orientadas pelo que melhor serve o desporto, passando a ser orientadas pelo que melhor serve aos acionistas.
Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo principal dever é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, das ligas, dos clubes, dos jogadores e dos adeptos podem ficar subordinados aos retornos dos investidores. O futebol não pode hipotecar o seu futuro em troca de ganhos financeiros.
A posição da Europa é clara. Nunca conferiremos legitimidade a este modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém como herança para a próxima geração.
Na sequência do debate de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas se mantiverem em vigor, a menos que esta proposta tenha sido totalmente abandonada e tenham sido dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá a sua governação ou as suas competições à propriedade privada.
Que fique bem claro para todos: a UEFA e as suas federações nacionais irão opor-se a estes planos com determinação absoluta.
Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a comprometer-se. Este é um desses momentos.
Há coisas que são simplesmente demasiado importantes para serem vendidas. A Copa do Mundo pertence ao futebol. E assim será sempre. E enquanto a Europa tiver uma palavra a dizer, nunca estará à venda.
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