Aliança entre Trump e Infantino pode afetar o futuro do futebol em todo o mundo; entenda
Críticos ao dirigente da Fifa temem a ‘americanização’ do esporte e o envolvimento de interesses familiares e políticos suspeitos
Futebol|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mais do que uma curiosidade política ou esportiva, a relação entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, presidente da Fifa, forma uma aliança que pode redefinir os rumos do futebol mundial.
O apoio explícito de Trump ao dirigente suíço, em meio a uma crise de credibilidade na entidade, expõe como interesses pessoais, familiares e estratégicos se entrelaçam em um esporte que movimenta bilhões e desperta paixões globais.
A ligação entre os dois personagens, entretanto, não é tão recente quanto se possa imaginar.
Veja Também
O vínculo entre os dois começou em 2018, com ambos recém-eleitos, quando Infantino visitou a Casa Branca e entregou cartões vermelho e amarelo a Trump em tom de brincadeira, sugerindo que fossem usados contra a imprensa.
Dali em diante, a relação se estreitou, com encontros públicos e gestos de apoio mútuo.
Durante a Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, Trump assumiu papel central: entregou o troféu aos campeões, promoveu um show de intervalo ao estilo Super Bowl e chegou a intervir em decisões esportivas, cancelando a suspensão do atacante Folarin Balogun.
Infantino, por sua vez, exaltou o torneio como “o mais bem-sucedido da história”, associando o sucesso diretamente ao apoio de Trump. Essa proximidade, no entanto, vem levantando suspeitas e controvérsias.
Infantino foi duramente criticado por confederações como UEFA, Concacaf e AFC após propor a criação de uma entidade comercial que venderia até 20% dos direitos da Copa do Mundo a investidores privados. Entre os potenciais interessados estava Josh Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump, o que reforçou a percepção de que interesses familiares e políticos estavam diretamente envolvidos.
Por mais que a proposta tenha sido abandonada, ela deixou marcas profundas na relação da Fifa com suas afiliadas, que acusaram Infantino de quebra de confiança e falta de transparência.
O apoio de Trump, nesse caso, vai além do institucional, fortalecendo Infantino em um momento de fragilidade. Por outro lado, também expõe a Fifa a acusações de corrupção e favorecimento político. Para os críticos da gestão de Infantino à frente da entidade, essa aliança representa um risco para a credibilidade da entidade e para a independência do futebol mundial, sobretudo por sinalizar uma possível mudança de eixo de poder dentro da Fifa, com protagonismo dos Estados Unidos sobre a Europa e impondo uma “americanização” do esporte.
‘Americanização’ do futebol na Copa de 2026
A Copa do Mundo de 2026 foi um marco na transformação do futebol em espetáculo de entretenimento nos moldes norte-americanos.
Diferente das edições anteriores, que mantinham o foco quase exclusivo no jogo, o torneio nos Estados Unidos incorporou práticas comuns em ligas como a NFL e a NBA.
O intervalo das partidas ganhou shows musicais grandiosos, comparáveis ao Super Bowl, e os jogos passaram a incluir pausas comerciais chamadas de “pausas de hidratação”, que abriram espaço para publicidade televisiva. Além disso, os campeões receberam não apenas medalhas, mas também anéis de campeão, em clara inspiração no basquete e no futebol americano. Essas mudanças foram vistas por muitos como uma tentativa de tornar o futebol mais atraente para o público norte-americano, acostumado a eventos esportivos que misturam espetáculo e consumo.
Para Infantino, essa estratégia representava a modernização e a ampliação do alcance global da Copa. Para Trump, era a confirmação de que os Estados Unidos poderiam transformar o futebol em um produto ainda mais lucrativo e popular. Para os dirigentes da UEFA e de outras confederações europeias, no entanto, o excesso de espetáculo e de publicidade compromete a essência do esporte e descaracteriza o futebol, postura que encontra apoio entre torcedores tradicionais que temem que o esporte se torne uma parte secundária do show.
A comparação com edições anteriores é inevitável. No passado, o foco permaneceu dentro de campo, com cerimônias de abertura e encerramento mais discretas e sem grandes intervenções comerciais durante os jogos. Já na Copa de 2026, a experiência foi moldada para se aproximar de um festival de entretenimento, em que o futebol era apenas uma entre várias partes de um espetáculo maior.
Essa mudança de paradigma, impulsionada pela aliança entre Trump e Infantino, pode ter efeitos duradouros. Se por um lado amplia o alcance comercial da Copa, por outro ameaça a identidade do futebol como esporte popular e culturalmente diverso. O futuro da Fifa dependerá de como conseguirá equilibrar a pressão por lucratividade com a preservação da essência do jogo, em um cenário em que política e entretenimento se tornaram inseparáveis.
Não perca nenhum lance! Siga o canal de esportes do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp.
















