Logo R7.com
RecordPlus
R7 Esporte - Notícias sobre Futebol, Vôlei, Fórmula 1 e mais

Uefa, Concacaf e AFC se unem contra Infantino e elevam a tensão na Fifa

Confederações divulgaram uma carta conjunta em que criticam a entidade

Lance|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Gianni Infantino é o atual presidente da Fifa Luisa Gonzalez/Reuters - 07.08.2026

A crise política na Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (10). Uefa, Concacaf e AFC (Confederação Asiática de Futebol) divulgaram uma carta conjunta em que criticam a condução da entidade e questionam diretamente a liderança de Gianni Infantino. As três confederações classificaram a tentativa de criar uma empresa para comercializar ativos das competições da Fifa como uma grave falha de julgamento e defenderam uma investigação independente sobre o episódio.

O documento foi assinado pelos presidentes e secretários-gerais das três confederações. Aleksander Ceferin, da Uefa, Victor Montagliani, da Concacaf, e Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da AFC, além dos respectivos secretários-gerais, fizeram um apelo por uma liderança que, segundo eles, esteja a serviço do futebol e não concentrada na manutenção de poder.


A manifestação aconteceu pouco depois de a própria Fifa divulgar um comunicado em defesa de Infantino. No sábado, a entidade afirmou existir um “esforço concertado e contínuo” para enfraquecer o presidente e a organização e acusou críticos de tentarem alcançar, por meio de alegações e insinuações, resultados que não conseguiriam pelos mecanismos eleitorais da instituição.

A nova carta, porém, mostra que Uefa, Concacaf e AFC mantêm a posição de confronto com a direção da Fifa.


Venda de participação na Copa do Mundo desencadeou crise

O principal ponto de discordância é a FFE (Fifa Forward Enterprise), projeto que previa a criação de uma empresa responsável por operações comerciais e de eventos da entidade, incluindo direitos relacionados à Copa do Mundo e ao Mundial de Clubes.

A proposta previa a abertura de participação minoritária para investidores privados. O objetivo seria ampliar a capacidade de arrecadação da organização, mas a iniciativa provocou forte reação entre diferentes setores do futebol mundial.


A Uefa foi a principal voz de oposição e chegou a ameaçar um boicote às futuras competições da Fifa. Concacaf e AFC também se posicionaram contra o projeto. Diante da pressão, Infantino desistiu da iniciativa poucos dias depois de sua apresentação.

Para as três confederações, no entanto, o encerramento do projeto não resolveu a questão. Na avaliação dos dirigentes, a Fifa tratou o episódio como uma falha de comunicação ou um problema no processo de apresentação da proposta, enquanto deveria reconhecer que a própria ideia representou um erro grave de julgamento.


— Não há qualquer reconhecimento de que a proposta em si era intrinsecamente errada. Persiste a falta de reconhecimento de que a tentativa de vender uma participação na Copa do Mundo da Fifa foi uma profunda falha de julgamento — diz a carta.

As confederações também rejeitaram a interpretação de que a disputa tenha relação com dinheiro ou com a distribuição de recursos entre as associações nacionais.

Segundo o documento, decisões como a expansão das competições, a distribuição de vagas para a Copa do Mundo e a escolha das sedes de 2030 e 2034 não estão sendo questionadas. A crítica, afirmam os dirigentes, está relacionada à forma como a Fifa conduz sua governança.

— Trata-se de algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que foram eleitos para liderá-lo — escreveram.

Confederações querem investigação independente

Outro ponto central da carta é a revisão interna anunciada pela Fifa. Depois de uma reunião realizada em Rabat, no Marrocos, a entidade informou que faria uma análise dos acontecimentos e apresentaria um relatório ao Conselho da Fifa na próxima reunião.

Uefa, Concacaf e AFC consideram a medida insuficiente. As três confederações defendem que a investigação seja conduzida por uma terceira parte independente, sem participação da administração da Fifa ou de funcionários ligados à entidade.

A reclamação também envolve a própria reunião realizada no Marrocos. Segundo a carta, apenas um dirigente eleito esteve presente no encontro, enquanto integrantes do Conselho da Fifa e representantes das associações filiadas não foram convidados. A reunião contou principalmente com membros do Comitê de Gestão da entidade. Para as confederações, a escolha do local e dos participantes reforçou as dúvidas sobre a transparência do processo.

— A administração da Fifa não deve desempenhar qualquer papel na condução da revisão — afirmaram.

O documento ainda reforça uma cobrança anterior da Uefa para que todos os documentos e registros relacionados à FFE sejam preservados. A carta termina com uma crítica direta ao modelo de liderança adotado pela Fifa, embora não cite nominalmente Infantino no trecho final.

— Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência.

A mensagem mantém, na prática, a pressão pela saída do presidente da Fifa. A Uefa já havia declarado que perdeu a confiança em Infantino e confirmou que essa posição não foi alterada após o pedido de desculpas do dirigente e o apoio recebido de membros da administração da entidade.

Crise divide o futebol mundial

Apesar da oposição formada por Uefa, Concacaf e AFC, Infantino ainda conta com aliados importantes dentro do futebol internacional.

A CAF (Confederação Africana de Futebol) afirmou ter “reafirmado unanimemente seu apoio” ao presidente da Fifa e declarou que pretende continuar trabalhando em conjunto com a entidade. A Conmebol, por sua vez, manifestou preocupação com decisões unilaterais e pediu união da chamada família do futebol antes da eleição presidencial.

Entre as associações nacionais, também existem posições favoráveis a Infantino. A Federação Mexicana de Futebol declarou apoio ao presidente, apesar de a Concacaf, confederação à qual o México pertence, ter assinado a carta crítica desta segunda-feira. Na Ásia, algumas federações também manifestaram apoio ao dirigente.

O cenário torna a eleição presidencial da Fifa, marcada para março de 2027, ainda mais importante. Infantino anunciou em abril que pretende buscar a reeleição para um novo mandato.

A disputa, porém, ganhou contornos diferentes após o fracasso da FFE. A Uefa passou a defender abertamente uma mudança na presidência e mantém a ameaça de boicote às competições da Fifa. As três confederações também iniciaram, segundo informações citadas por fontes ligadas à oposição, conversas preliminares sobre possíveis competições alternativas caso a crise provoque um afastamento entre os torneios da Fifa e parte das federações.

Até o momento, não foram apresentados detalhes sobre um eventual torneio paralelo, nem houve um compromisso público da Concacaf ou da AFC com um boicote às competições da entidade.

A primeira situação concreta envolvendo a ameaça da Uefa pode ocorrer já nas próximas semanas, com a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da Fifa, que será disputada na Polônia e terá participação de seleções europeias. A França, por exemplo, indicou que pretende disputar o torneio.

A composição política do Conselho da Fifa também ajuda a explicar o peso da disputa. O órgão tem 37 integrantes, distribuídos entre as seis confederações: nove da Uefa, sete da AFC, seis da CAF, cinco da Concacaf, cinco da Conmebol e três da Oceania, além do presidente e do secretário-geral da Fifa.

Para que uma reunião extraordinária do Conselho seja convocada para discutir a situação de Infantino, é necessário o pedido de 19 integrantes.

Enquanto a oposição tenta ampliar sua base, o presidente segue sustentado por confederações e associações que permanecem ao seu lado. A Fifa, por sua vez, afirma que Infantino mantém apoio dentro da estrutura da entidade e que qualquer mudança em sua liderança deve respeitar os mecanismos eleitorais previstos nos estatutos.

A disputa, portanto, chega à reta que antecede a eleição presidencial com posições cada vez mais definidas. De um lado, Uefa, Concacaf e AFC cobram mudanças na condução da Fifa e uma investigação independente sobre a FFE. Do outro, Infantino mantém o respaldo de parte das confederações e das associações nacionais, enquanto a entidade que preside rejeita as acusações de falta de transparência e defende a legitimidade de seu mandato.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.