Fifa volta a criticar polícia brasileira e diz que máfia dos ingressos nunca acabará

Secretário-geral Jerôme Valcke insistiu em distanciar a federação da empresa terceirizada

Valcke e Blatter defenderam Fifa das acusações de corrupção
Valcke e Blatter defenderam Fifa das acusações de corrupção Erbs Jr./Estadão Conteúdo

O escândalo da máfia de ingressos que manchou a Copa do Mundo no Brasil tende a ser repetir nas próximas competições. Foi o que afirmou a própria Fifa nesta segunda-feira (14), no Maracanã, em entrevista para um balanço geral dos 32 dias de competição. Segundo o secretário-geral Jerôme Valcke, está é uma luta que “nunca poderemos por fim.”  

O secretário defendeu a Fifa por manter negócios com uma empresa acusada de obter lucro de até 1.000% com a revenda ilegal de ingressos. Valcke fez questão de afirmar que não é a federação internacional que comercializa as entradas, mas uma terceirizada.  

— Também prendemos pessoas na África do Sul. Acho que nunca poderemos por fim a esse sistema fora do programa de venda de ingressos. Nós vendemos todos os ingressos com o valor de face. Não houve um ingresso vendido pela FIfa que foi vendido sem o valor ingresso. Todos os ingressos são vendidos a terceiras partes e aí o que eles fazem é o que estamos brigando.  

O presidente Joseph Blatter chegou a se irritar ao ser questionado sobre o esquema de corrupção.  

— Quando você fala em corrupção, tem que apresentar provas. Quando você diz que algo estava errado até posso aceitar, mas não aceito ouvir que houve corrupção.   

Não foi só você. Presidente da Fifa também ficou surpreso com escolha de Messi para melhor da Copa   

Presidente da Fifa dá nota 9,25 para Copa no Brasil   

Ministro do Esporte ironiza: "As cobras se recolheram durante a Copa"   

Valcke criticou também a polícia brasileira que, segundo ele, divulgou para a imprensa detalhes da operação Jules Rimet – o diretor de marketing Thierry Weil já havia questionado essa postura.  

— Com certeza, vai haver várias histórias sobre isso, mas somo totalmente contra e vamos continuar lutando contra ele. Saiu na imprensa antes de ser informado para nós, mas essa é outra questão. Nunca dizemos para as autoridades que não vamos colaborar. Nenhum ingresso que saiu do sistema oficial da Fifa foi vendido acima do valor do ingresso.  

A ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro teve a prisão de 12 pessoas, entre elas o diretor-executivo da Match Services. Raymond Whelan é considerado o líder da quadrilha internacional de cambistas.  O britânico é considerado foragido. A Match Services tem contrato assinado com a Fifa até o Mundial do Qatar, em 2022.