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Projeto Norueguês impulsiona nova geração de talentos no futebol

Landslagsskolen forma 90% dos atletas e consolida sucesso da seleção

Vanity Brasil

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Créditos: Imagem/Divulgação Vanity Brasil

A Noruega celebra uma nova era no futebol, impulsionada pelo projeto Landslagsskolen, uma “Escola Nacional” responsável por desenvolver talentos como Erling Haaland, Antonio Nusa e Martin Odegaard. Implementado de forma estruturada a partir de 2015, e estabelecido em 2013, o programa é reconhecido por ter forjado a geração atual que tem levado a seleção a novas conquistas, marcando presença em grandes competições internacionais.

A iniciativa surgiu em um contexto de frustração no futebol norueguês, que amargava duas décadas sem participações em Copas do Mundo desde as edições de 1994 e 1998. Diante desse cenário, a Landslagsskolen foi estabelecida pela Federação Norueguesa de Futebol com o objetivo de lapidar os melhores jovens jogadores do país. Segundo a própria federação, cerca de 90% dos atletas da seleção com menos de 28 anos passaram pela formação oferecida pelo projeto, evidenciando seu impacto na construção de uma base sólida para o esporte.


Entre os talentos que emergiram do programa, Erling Haaland é um exemplo notório. Ele participou ativamente das convocações da escola de talentos em sua região dos 12 aos 15 anos, entre 2012 e 2015. Relatórios da época o descreviam como pequeno e magro, mas com uma velocidade e inteligência de movimentos na área que lhe permitiam marcar gols, mesmo contra defensores maiores. O monitoramento do programa foi crucial para sua integração à seleção norueguesa aos 15 anos. Outro destaque é Antonio Nusa, que passou pelo sistema entre 2017 e 2020, quando o modelo de dados e captação da escola já estava totalmente digitalizado e unificado. Apelidado de “Neymar norueguês”, Nusa era considerado um fenômeno no 1 contra 1, com uma “habilidade inacreditável de passar pelos defensores em velocidade” e um drible vertical, sempre em direção ao gol.

A Landslagsskolen atua identificando jovens talentos, tanto meninos quanto meninas, com idades entre 12 e 16 anos em toda a Noruega, criando um caminho estruturado para que esses atletas ingressem nas seleções nacionais de base. Para combater os rigorosos invernos que historicamente paralisavam o futebol no país, a Noruega investiu massivamente na construção de campos de gramado sintético abertos ao público e pequenas arenas cobertas, garantindo que as crianças pudessem acumular milhares de horas de jogo. Hakon Grottland, atual chefe de desenvolvimento de jogadores da escola, explicou à Uefa que a Landslagsskolen foi “absolutamente crucial” para “definir uma direção comum para o conhecimento do futebol, metodologia de treino e princípios de jogo”, mudando o foco da defesa e disciplina para um “esporte de inteligência, um esporte cognitivo, de resolução de situações”.

A cultura de equipe é um pilar fundamental do projeto, conforme ressaltado por Hakon Grottland ao site The Athletic, que afirma: “Não há espaço para egos inflados, apenas caras legais. Haaland e os outros adoram estar na seleção porque se sentem parte de um grupo.” Atualmente com 700 funcionários distribuídos por cada distrito, a escola busca identificar o talento não apenas pela habilidade técnica, mas pelo “amor pelo jogo”, pela capacidade de “se cobrar e aprender com os erros”, e por serem bons seres humanos e companheiros de equipe. Esse senso de pertencimento é tão enraizado que até o Rei Harald V, monarca norueguês, foi chamado para anunciar a convocação final dos atletas, e a torcida e os jogadores abraçam a identidade viking, reforçando a união. Brede Hangeland, ex-zagueiro da seleção e hoje assistente técnico, concluiu que, embora tenham grandes estrelas, “nossa cultura de equipe é a nossa vantagem competitiva”, vinda da Landslagsskolen, que “não se ensina apenas futebol. Tenta-se ensinar o valor de contribuir para um grupo. O time é maior do que qualquer indivíduo”.

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