Logo R7.com
RecordPlus
R7 Esporte - Notícias sobre Futebol, Vôlei, Fórmula 1 e mais

Fórmula 1 2026: o que muda na aerodinâmica dos novos carros

Novo regulamento elimina o efeito solo, reduz dimensões e aposta em asas ativas para melhorar as disputas.

Vanity Brasil|Do R7

  • Google News
Vanity Brasil - Esporte

A Fórmula 1 entra em 2026 diante de uma das maiores reformulações técnicas de sua história recente. Diferentemente de outras temporadas, em que ajustes pontuais dominam o regulamento, o campeonato passa por uma redefinição completa: novos carros, nova filosofia aerodinâmica e unidades de potência profundamente revisadas. O objetivo é claro, tornar os carros mais leves, mais ágeis e capazes de correr próximos uns dos outros por mais tempo.

Mas o que, na prática, muda nos carros e no comportamento em pista? A seguir, entenda os principais pontos do novo regulamento aerodinâmico e por que ele pode alterar a dinâmica das corridas.


Um novo conceito de carro, do chão ao topo

Visualmente, os carros de 2026 não representam uma ruptura radical, mas trazem diferenças técnicas importantes. A asa dianteira passa a ser mais simples, com menos elementos aerodinâmicos complexos, enquanto as placas laterais ganham maior protagonismo no controle do fluxo de ar. Componentes que ficavam acima das rodas dianteiras deixam de existir, dando lugar a soluções posicionadas atrás delas.


Na traseira, algumas aletas laterais são eliminadas, reduzindo interferências no ar que sai do carro. A maior mudança, porém, está onde o público menos vê: o assoalho. Os túneis que criavam o efeito solo são abandonados, substituídos por um piso mais plano e um difusor traseiro significativamente maior.

Essa alteração redefine a forma como os carros geram pressão aerodinâmica e influencia diretamente a capacidade de seguir outro carro de perto.


O fim do efeito solo como elemento central

Introduzido para facilitar disputas roda a roda, o efeito solo cumpriu parte de sua missão nos primeiros anos. No entanto, com o desenvolvimento constante das equipes, ele voltou a gerar um problema antigo da F1: a turbulência excessiva atrás dos carros.


Com a retirada dos túneis Venturi, a força descendente não desaparece, mas passa a ser gerada de forma menos agressiva. A consequência é uma redução da dependência do assoalho e uma redistribuição da carga aerodinâmica para outras áreas do carro, como asas e difusores.

Na prática, isso tende a diminuir a perda de desempenho de um carro que segue outro de perto — um fator crucial para aumentar as chances reais de ultrapassagem.

Menos turbulência, mais disputa direta

Grande parte do desafio da aerodinâmica moderna está nas rodas dianteiras, que criam um ar extremamente turbulento. Historicamente, as equipes aprenderam a “empurrar” esse ar para fora do carro, afastando-o das superfícies principais. O problema é que esse ar acaba formando uma esteira instável, dificultando a aproximação do carro que vem atrás.

O novo regulamento atua justamente nesse ponto. Ao simplificar os elementos aerodinâmicos dianteiros e controlar melhor o desvio do fluxo de ar, a F1 busca reduzir o chamado “ar sujo”. O resultado esperado é um ambiente aerodinâmico menos hostil para quem está perseguindo, favorecendo disputas mais prolongadas e menos dependentes de dispositivos artificiais.

Carros menores, mais leves e mais responsivos

Outro pilar da mudança está no tamanho e no peso dos carros. Ao longo das últimas décadas, os modelos cresceram e ficaram mais pesados, impulsionados por avanços em segurança e pela complexidade dos sistemas híbridos.

Em 2026, a Fórmula 1 tenta reverter parte desse caminho. A distância entre eixos diminui, o assoalho fica mais estreito e os pneus passam a ter menor largura e diâmetro. O peso mínimo também cai de 800 kg para 768 kg, embora atingir esse limite seja um desafio técnico considerável para as equipes.

Essas alterações devem resultar em carros mais ágeis, com respostas mais rápidas em curvas de baixa e média velocidade, além de maior exigência do piloto na condução.

Segurança mantida e ampliada

Apesar da redução de peso, os padrões de segurança não apenas foram preservados como, em certos aspectos, reforçados. Estruturas críticas, como a barra de proteção superior, passam a suportar cargas maiores em testes de impacto.

O bico do carro também ganha uma estrutura de absorção em dois estágios, pensada para lidar com impactos consecutivos, um cenário relativamente comum em acidentes mais complexos. A intenção é garantir que a dissipação de energia continue eficiente mesmo após um primeiro choque.

Aerodinâmica ativa deixa de ser exceção

Uma das mudanças mais significativas está na adoção de asas ativas, tanto na dianteira quanto na traseira. Esses elementos móveis ajustam automaticamente sua posição conforme a fase da volta, alternando entre configurações de maior carga aerodinâmica nas curvas e menor arrasto nas retas.

Diferente do DRS tradicional, que tinha uso limitado e condicionado à distância para o carro da frente, o novo sistema estará disponível para todos os pilotos, o tempo todo. A operação será automatizada e integrada aos mapas do motor, buscando equilíbrio aerodinâmico constante sem intervenção manual do piloto.

Um novo ponto de partida para o grid

Com mudanças profundas no chassi, na aerodinâmica e na forma como os carros interagem entre si, 2026 representa um verdadeiro reinício técnico para a Fórmula 1. A expectativa não é apenas de carros diferentes, mas de corridas com dinâmica distinta, menos dependentes de gerenciamento aerodinâmico extremo e mais abertas à disputa direta.

Se o regulamento cumprirá todas as promessas, só a pista dirá. Mas, no papel, a F1 de 2026 aposta em um conceito mais racional, técnico e funcional para recuperar um dos elementos mais valiosos do esporte: a capacidade de correr junto.

Escrito por: Isabella Wandermurem

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.