Entendendo o College Football: como são divididas as mais de 130 universidades?
Diferente da NFL, cada conferência possui um número próprio de equipes e de relevância no cenário universitário

Os fãs de futebol americano que acompanham a NFL sabem de cor as duas conferências da liga: Americana (AFC, na sigla em inglês) e Nacional (NFC, na sigla em inglês). Já no nível universitário, o papo é muito mais complexo, já que são dez conferências e cada uma com um número diferente de times.
ACC, CUSA, SEC, SBC, Big Ten... uma verdadeira sopa de letrinhas que vale um texto só para explicar o que cada uma significa no contexto do futebol americano universitário. É por isso que vamos abordar a estrutura das conferências no Entendendo o College Football desta semana.
Quais são as conferências?
Para começar, vamos separá-las em dois grupos: as quatro melhores, com as universidades mais tradicionais e vencedoras, são chamadas de Power Four (Quatro Forças, em tradução livre), enquanto as outras seis são denominadas de Group of Six (Grupo dos Seis).
O Power Four é formado pelas conferências ACC, Big 12, Big Ten e SEC. Até pouco tempo, o grupo era chamado de Power Five, mas a Pac-12 sofreu com uma debandada da maioria das universidades da conferência (mais abaixo explico o motivo), o que fez ela ser rebaixada para o agora chamado Group of Six .
A força destas quatro conferências é tão grande que o último campeão que não pertencia a esta elite esportiva foi a universidade de BYU, em 1984.
No futebol americano, a SEC é a conferência considerada mais forte, com a maioria dos 16 times sempre figurando entre os 25 melhores programas do país. No entanto, a dominância da SEC esteve em xeque nos últimos anos, já que o título nacional foi parar nas mãos de universidades da Big Ten nas temporadas de 2023, 2024 e 2025.
Por falar em Big Ten, esta é a conferência mais velha da primeira divisão dos esportes universitário nos EUA, tendo sido fundada em 1896. O grupo é formado por 18 universidades no futebol americano.
Fecham o Power Four a Big 12, com 16 equipes, e ACC, com 17 equipes, sendo que duas delas se enfrentarão no Rio de Janeiro, no estádio Nilton Santos, em agosto deste ano.
O Group of Six, por sua vez, é encabeçado pela recém-chegada Pac-12 (com oito equipes) e as outras cinco menos famosas: American (14), CUSA (11), MAC (13), MW (10) e SBC (13).

Qual o impacto esportivo das conferências?
Cada universidade joga de oito a nove jogos por temporada contra equipes da própria conferência. A priori, se você não conhece o College Football, é lógico pensar que para uma universidade forte, é melhor jogar apenas contra times fracos para ter vitórias certas, correto?
O problema é que no futebol americano universitário não importa só o número de vitórias, mas também como foram estes triunfos e a força dos adversários. Para chegar ao campeonato nacional, uma equipe precisa estar entre as melhores em um ranking subjetivo elaborado por especialistas.
Ou seja, é melhor enfrentar oito universidades da SEC e ganhar seis jogos do que encarar oito times da CUSA e triunfar em todos os encontros.
Ficou confuso sobre essa classificação subjetiva? Em breve vamos abordar isso no Entendendo o College Football, mas, por enquanto, leia este texto sobre a última edição dos playoffs para conhecer um pouco desta tradição norte-americana.
E a parte financeira?
Bom, as conferências podem até ter surgido por questões esportivas, mas hoje em dia elas têm uma outras importância muito maior para as universidades: a econômica.
Até 1981, a NCAA (associação que rege os esportes universitários nos EUA) controlava o número de jogos que cada universidade poderia ter na televisão. No entanto, um caso na Justiça norte-americana transferiu os direitos de transmissão para cada escola, que então começaram a negociar coletivamente exibição dos jogos.
Em 1991, Notre Dame negociou sozinha a transmissão das suas partidas em casa com a emissora norte-americana NBC, que até hoje exibe com exclusividade as partidas dos Fighting Irish como mandantes. Notre Dame é a única escola de destaque fora de uma conferência, o que também permite a universidade a montar seu calendário com maior liberdade.
O exemplo bem sucedido de Notre Dame fez com que as conferências decidissem negociar individualmente seus contratos. A SEC, por exemplo, tem uma faixa de quase 12 horas na emissora aberta ABC aos sábados entre setembro e dezembro, enquanto a Big Ten tem um espaço parecido na Fox. E por aí vai.
Este é o principal motivo para a tantas universidades mudarem de conferência nos últimos 30 anos. Quando os contratos da Pac-12 pareceram defasados, os programas esportivos não pensaram duas vezes em buscar a Big Ten e a Big 12, por exemplo.
Quando falamos em esporte universitário no Brasil, pensamos em torneios amadores nos quais os alunos-atletas estão muito mais interessados em farrear do que jogar. Nos Estados Unidos, o esporte universitário também é amador, mas a estrutura é maior do que das grandes equipes do futebol profissional brasileiro. Nesta galeria, o Jarda por Jarda mostra a real dimensão do futebol americano universitário
Reprodução Site/Go Ducks/Eric Evans
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